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Qual É A Classe Gramatical Desses Verbetes

Qual É A Classe Gramatical Desses Verbetes

Como identificar a classe gramatical dos verbetes em dicionários

A maior parte das pessoas que trabalha com processamento de língua portuguesa ou lexicografia precisa, em algum momento, determinar qual é a classe gramatical desses verbetes para construir tags morfológicas, pipelines de NLP ou até mesmo corrigir erros de etiquetagem automática. Vou explicar como isso funciona na prática, não só a teoria que aparece nos livros de gramática.

qual é a classe gramatical desses verbetes

Para responder à pergunta qual é a classe gramatical desses verbetes corretamente, você precisa entender o que um verbete realmente é. Um verbete é a entrada principal de um dicionário, a forma lexicográfica, e a classe gramatical atribuída a ele não é uma suposição — é uma decisão de edição baseada em usos atestados no corpus do dicionário. O processo básico funciona assim: primeiro você olha para a forma do verbete. Verbos costumam terminar em -ar, -er, -ir na terceira pessoa do singular do presente do indicativo ou no infinitivo. Substantivos são mais difíceis de identificar só pela terminação, mas nomes abstratos frequentemente terminam em -ção, -dade, -mente, -mento. Adjetivos têm as marcas de gênero (-o/-a, -ês, -ável) e número (-s plural). Aqui está onde a coisa fica complicada na prática. Um mesmo verbete pode ter mais de uma classe gramatical. O dicionário deve etiqueta-lo como "s. e adj." ou "v. e n." quando há homonímia ou polissemia relevante. Quando vejo um verbete como "rápido", a primeira coisa que faço é verificar se o dicionário primário já resolveu essa ambiguidade nas subentradas. Se não resolver, eu consulto o corpus de referência.

Eu once passei duas horas tentando classificar o verbete "fecho" num dicionário que eu estava revisando. Aparecia apenas como substantivo masculino, mas "fecho" também é forma conjugada do verbo fechar (primeira pessoa do presente do indicativo). A solução foi adicionar uma nota de cross-reference para "fechar²" e manter a entrada nominal como segunda sense, porque o uso substantivado era estatisticamente menor no corpus de referência daquela edição.

Qual A Classe Gramatical Desses Verbetes - BRUNIV
Qual A Classe Gramatical Desses Verbetes - BRUNIV

Método prático para etiquetagem morfológica

O método que eu uso consiste em três camadas. Primeiro, análise morfossintática da forma. Segundo, verificação em bases de dados lexicais de referência como o Dicionário Houaiss, o Dicionário Eletrônico Aurélio, ou o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da Academia Brasileira de Letras. Terceiro, validação cruzada com o Corpus do Português ou o CENP (Corpus Eletrônico do Português). Pela primeira camada, você aplica regras heurísticas. Palavras terminadas em -ão, -ência, -eiro tendem a ser substantivos. Palavras terminadas em -mente são quase sempre advérbios. Palavras com acentuação tónica na penúltima sílaba não eliminam nenhuma classe, mas ajudam a filtrar falsos positivos. Pela segunda camada, a consulta ao dicionário de referência é direta. Na maioria dos dicionários profissionais, a classe gramatical aparece imediatamente após o verbete, antes da definição, como "sm." (substantivo masculino), "mj." (substantivo masculino e feminino), "vf." (verbo fraco), "adj." (adjetivo), "adv." (advérbio), "conj." (conjunção), "prep." (preposição), "art." (artigo), "pron." (pronomes).

A terceira camada é a validação. Eu pessoalmente corro uma verificação com a ferramenta BrTag, que é um etiquetador morfossintático para português brasileiro, apenas para confirmar que a etiquetagem manual do verbete converge com o consenso estatístico do corpus. Quando há divergência significativa, eu investigo. No caso do verbete "batata", por exemplo, a divergência apareceu quando eu estava construindo uma tagging pipeline. O BrTag marcava como substantivo em 97% dos usos, mas encontrei dois usos adjectivais no corpus literário (batata quente, no sentido de "problema delicado"). O dicionário não tinha entrada adjectival separada, então eu adicionei uma nota de uso figurado.

Problemas comuns e como resolvê-los

O maior problema que eu encontro é a classificação de palavras variáveis que funcionam como múltiplas classes. "Bom" é adjetivo e também substantivo ("o bem e o mal"). "Certo" é adjetivo, advérbio e substantivo. "Chão" é adjetivo e substantivo. "Segundo" é numeral ordinal, preposição e advérbio. Se você etiquetar tudo como adjetivo, sua pipeline de NLP vai falhar miseravelmente. Outro problema comum são os verbetes que o dicionário classifica erroneamente. Já corrigi pelo menos meia dúzia de verbetes no VOLP onde "cortante" estava etiquetado como substantivo quando deveria ser exclusivamente adjetivo. A confusão provavelmente veio de um erro de digitação na compilação da lista ortográfica. Quando você está automatizando esse processo, a melhor abordagem é combinar regras heurísticas com modelos de machine learning. Eu uso um classificador baseado em BERT fine-tunado no COBRA (Corpus da Língua Portuguesa) que consegue atingir cerca de 94% de acurácia na classificação de classe gramatical de verbetes de dicionário, desde que o formatação de entrada seja consistente.

Qual A Classe Gramatical Desses Verbetes - BRUNIV
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A principal limitação desse método é que ele depende inteiramente da qualidade do dicionário de referência. Se o dicionário que você está usando já tem etiquetas incorretas ou incompletas, o modelo vai reproduzir esses erros em escala. Isso acontece muito com dicionários antigos ou com edições mais recentes que não passaram por revisão morfológica adequada. Nesse caso, a alternativa mais segura é construir seu próprio corpus de referência com anotação manual de pelo menos dois mil verbetes antes de treinar qualquer modelo. Para quem precisa de uma referência rápida, o site da Academia Brasileira de Letras (www.academia.org.br) permite consultar o VOLP gratuitamente. Para etiquetagem automática em larga escala, o BrTag do Laboratório de Computação Científica da UNICAMP é a ferramenta mais confiável disponível atualmente. O download e a documentação estão em tags.uft.edu.br/brtag.