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Qual É A Origem Do Nome Renascimento

Qual É A Origem Do Nome Renascimento

O nome que ninguém escolheu na época

A palavra Renascimento não foi inventada pelos artistas do século XV. A questão qual é a origem do nome renascimento remonta ao século XVI, mais especificamente ao historiador e arquiteto italiano Giorgio Vasari, que usou o termo "rinascita" em sua obra Vite de'più eccellenti pittori, scultori e architettori, publicada em 1550. Ele descrevia com aquele termo uma sensação de que a arte estava "renascendo" após o que chamou de período gótico, que na verdade era uma construção retrospectiva problemática. O conceito foi popularizado décadas depois por Jules Michelet, historiador francês do século XIX, que em 1855 cunhou o termo "Renaissance" como período histórico distinto. Michelet via o renascimento como um "descoberta do homem e do mundo". Essa visão era simplista demais, mas servia como um gancho narrativo útil para organizar um monte de eventos dispersos.

qual é a origem do nome renascimento e por que isso importa

Entender a origem do termo é importante porque mostra como os períodos históricos são construções artificiais. Ninguém no século XV se considerava parte de um "renascimento". Os artistas daquela época simplesmente achavam que estavam fazendo arte boa, não que estavam recuperando algo perdido. O marco zero da periodização é uma convenção acadêmica do século XIX, nada mais. O problema prático que eu sempre vejo gente tropeçando é a datação. Você encontra fontes usando datas como 1400, 1420, 1440 ou 1450 como início do Renascimento, dependendo do autor e do país. Não existe consenso. A Itália começou antes que o resto da Europa, obviamente, mas mesmo aí os historiadores discordam sobre quando exatamente "começa". O quadro artístico de Florença nos anos 1420 já apresentava características que classificamos retroativamente como renascentistas, mas os contemporâneos não viam diferença prática em relação ao período anterior. Uma nuance que passa despercebida: o termo Rinascimento era usado por Vasari de forma quase sinônima com "progresso". Ele via a história da arte como uma linha ascendente onde Giotto representava o primeiro passo e Michelangelo o ápice. Essa teleologia é problemática porque impõe uma narrativa de evolução sobre algo que era muito mais caótico e fragmentado. A arte medieval não "estagnou". Ela evoluiu por caminhos diferentes.

Há também a questão geográfica que muitos manuais simplificam demais. O Renascimento não era apenas italiano. O Renascimento do Norte, na Alemanha, Países Baixos e França, teve desenvolvimentos paralelos e independentes, com características próprias como a pintura a óleo e o detalhismo minucioso que os italianos menosprezavam. Separar "Renascimento italiano" do "Renascimento norte-europeu" é útil analiticamente, mas cria a falsa impressão de que eram movimentos desconectados quando na realidade havia troca constante de ideias e obras entre as regiões. O lado negativo dessa periodização é que ela tende a apagar séculos inteiros de produção artística valorosa só porque não se encaixa no rótulo. O chamado "Gotico Internacional", que floriu na Europa entre 1375 e 1450, foi tratado durante décadas como um período de decadência ou transição, quando na verdade foi extraordinariamente rico e inovador. Só nas últimas décadas a historiografia começou a corrigir essa visão distorcida. Se você está estudando o tema, a lição prática é: use o termo com cautela. Ele é útil como convenção didática, mas não corresponde a nenhuma realidade histórica concreta que alguém tenha vivido na época. Os atores do Renascimento não sabiam que estavam vivendo o Renascimento. Isso só foi construído muito depois, por historiadores que precisavam organizar o passado em caixinhas navegáveis.

História do Renascimento: Cultura e Humanismo (História) - Knowunity
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