Qual O Melhor Vermifugo
O guia prático sobre vermífugos que ninguém te conta
Escolher um vermífugo não é só olhar o preço na prateleira da petshop e levar o primeiro que tiver o rótulo bonitinho. A coisa é muito mais técnica do que parece, e a maioria das pessoas erra na hora da escolha porque acha que "vermífugo é vermífugo". Não é. Depende inteiramente do que você está tratando. Esse é o erro número um: comprar o produto universal e esperar que resolva tudo. O problema é que existem parasitas muito diferentes, e nenhum princípio ativo mata todo mundo. Vamos aos fatos. Os principais princípios ativos que você vai encontrar no mercado brasileiro:
Febantel + Praziquantel + Pyrantel — esse é o combo mais comum em produtos de amplo espectro, como o Drontal e genéricos. O febantel atua contra vermes redondos (ascarídeos e ancilóstomos), o praziquantel mata solitas e o pyrantel é eficaz contra lumbricoides. É uma boa opção para cães e gatos com infecções mistas, que são a grande maioria dos casos que chegam no consultório. Não cobre dirofilariose (verme do coração), então se o bicho não toma preventiva mensal, tá aberto para isso. Ivermectina — excelente contra nematoides e também usada na prevenção de dirofilariose. O problema é que raças collie, sheltie e pastores australianos têm uma mutação no gene MDR1 que torna a ivermectina tóxica para eles. Dose errada nesses cães pode causar colapso neurológico. Já vi caso de um pastor inglês de 18 quilos que entrou em convulsão depois do dono dar vermífugo de gato. Sinceramente, desprovido de sensatez. Milbemicina oxima — similar à ivermectina em espectro, mas com perfil de segurança um pouco melhor para algumas raças. Também previne dirofilariose. O ponto fraco é o preço. Custa cerca de três a quatro vezes mais que um vermífugo comum de febantel.
Fenbendazol — velho conhecido, barato, eficaz contra ascarídeos, ancilóstomos e também contra alguns protozoários como Giardia. A desvantagem é que precisa de aplicação por três a cinco dias consecutivos na maioria dos protocolos. A maioria dos donos desiste no segundo dia porque acha que "já tomou, pode parar". Não pode. O ciclo do parasita não para porque você esqueceu. Emodepsida — princípio ativo mais recente, encontrado no Profender e similares. É eficaz contra nematoides e também tem ação contra larvas migrantes. O diferencial é que é bem tolerado por filhotes a partir de quatro semanas e por fêmeas gestantes. A desvantagem: não mata solitas. Se o bicho pegou lombriga e tênia ao mesmo tempo, precisa de combo separado. Agora a parte que realmente importa e que os manuais não destacam: a frequência ideal varia conforme o risco exposure do animal. Um cão que vive em apartamento e não sai pra rua precisa de vermifugação a cada seis meses. Um cão que anda em terreno terra, caça rato ou brinca com fezes de outros animais precisa mensalmente. Gatos de interior seguem a mesma lógica. Gatos exclusivamente de apartamento podem manter o esquema semestral, mas se ele caça insetos ou roedores que entram em casa, aí a coisa muda.

Tem um detalhe prático que muita gente não sabe e que me custou uma discussão feia com um cliente há uns dois anos: a dosagem pelo peso real, não pelo peso estimado. O rótulo do vermífugo diz "para cães de 5 a 10 kg". Aí você pesa o cão e dá 7,5 kg. Ele na verdade pesa 9,2 kg. A dose fica subestimada em quase 23%, e o vermífugo não alcança concentração terapêutica suficiente no intestino. O parasita sobrevive e desenvolve resistência. Eu resolvi isso na época pedindo pro cliente trazer a embalagem do ração do cachorro, que tinha o peso registrado na última consulta veterinária, e comparando com a balança da clínica. O cão estava 1,8 kg acima do que o dono informava. Simples assim. Outro ponto cego: vermífugo não elimina ovos e larvas que já estão no ambiente. Se você vermifugar o cão mas não limpar a casa, o ciclo se reinicia em três semanas. O ideal é fazer a limpeza do ambiente com produtos à base de piroxipropil ou IGRs (inibidores de crescimento de insetos) junto com a medicação. Sem isso, você gasta dinheiro duas vezes no mesmo mês. Resumindo sem resumo: se o animal é saudável, de porte médio, sem histórico de parasitose grave, o combo febantel/praziquantel/pyrantel resolve a maioria dos casos com uma única dose. Se há suspeita de dirofilariose ou o animal é de risco elevado, milbemicina ou ivermectina mensal. Se for gato caçador, considere a emodepsida pela segurança. E sempre pese o animal de verdade antes de decidir a dose.
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