Qual Papa Encomendou Pintura Da Capela Sistina
A verdade sobre quem mandou pintar a Capela Sistina
O Papa Júlio II encomendou o teto da Capela Sistina a Michelangelo em 1508. Isso é o que todo mundo sabe. O detalhe que as pessoas costumam perder é que a própria capela tinha sido construída décadas antes, sob o Papa Sixto IV, que também mandou pintar os afrescos das paredes laterais com cenas da vida de Moisés e de Cristo, feitos por artistas como Botticelli e Perugino. Então tecnicamente existem duas encomendas diferentes acontecendo no mesmo espaço, separadas por uns vinte anos. Júlio II era um papa guerrheiro, do tipo que ia pessoalmente à frente de exércitos. Ele queria transformar a Capela Sistina no centro visual do poder papal. Michelangelo se sentava um pintor, não um afresquista. Ele tentou recusar o trabalho. Júlio II não aceitou nona e praticamente o prendeu no canteiro até ele começar a pintar. A história é bem documentada nos relatos de Condivi e Vasari, mas os dois estavam writeing décadas depois e às vezes embellishing os fatos. O que poucas pessoas percebem é a mudança de composição ao longo do trabalho. No início, Júlio II queria doze figuras — os doze apóstolos dispostos em painéis simétricos. Michelangelo fez alguns esboços nessa direção e depois simplesmente mudou de ideia. O esquema final, com as profecias dos sibilas, os patriarcas, e as cenas centrais do Gênesis, foi uma decisão inteiramente dele. Não há registro de Júlio II tendo opinião sobre isso, e provavelmente ele nem entendia a teologia complexa por trás das escolhas iconográficas.
Um problema prático que eu encontrei estudando isso: as datas. Muitos sites colocam 1508 como ano de início e 1512 como ano de conclusão, mas os documentos da época mostram que o pagamento foi liberado em parcelas ao longo de vários anos, e o trabalho teve pausas porque Júlio II também mandou Michelangelo parar para construir seu mausoléu, que depois foi cancelado quase completamente. Se você está tentando montar uma linha do tempo precisa, os recibos de pagamento no Arquivo Secreto do Vaticano são muito mais confiáveis do que as narrativas populares. A técnica também é diferente do que muita gente imagina. Michelangelo não usou o método tradicional de afresco em seco que era comum na Romaglia naquela época. Ele trabalhava com afresco molhado, o que exige pintar rápido antes da tinta secar no reboco. Uma seção grande demorava um dia inteiro, e qualquer erro significava quebrar o reboco e recomeçar. Por isso os contornos às vezes parecem rígidos — Michelangelo estava correndo contra o tempo de secagem, não por falta de habilidade. Outro ponto que as guias turísticas sempre erram: a Capela Sistina nunca foi projetada como uma galeria de arte. Era uma capela funcional, usada para conclaves e missas. As pinturas foram feitas para serem vistas de baixo, de pé, num espaço apertado cheio de cardeais e clérigos. Isso explica a perspectiva forçada e o tamanho grandioso das figuras. Não era arte para apreciação contemplativa, era decoração arquitetônica religiosa com função litúrgica.
Se você quer ver os documentos originais sobre o contrato de Júlio II com Michelangelo, o texto completo está disponível digitalmente no site do Vaticano, mas a caligrafia é caprichosa e às vezes ambígua. Vale a pena com as transcrições feitas por estudiosos como Carlo Vecce, que apontam leitura alternativa para algumas palavras-chave no contrato original.
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