Quantos Dias De Falta Da Abandono
Abandono de emprego no Brasil: o que a lei realmente diz
A maioria das pessoas acha que abandonar o emprego é simples: não aparece, pronto. Na prática, o processo trabalhista é bem mais chato do que parece. A CLT não define quantos dias exatamente configuram abandono, mas a jurisprudência consolidou um parâmetro que quase todo mundo usa. Se você quer saber quantos dias de falta configuram abandono, a resposta oficial vem do artigo 483 da CLT combinado com entendimentos dos tribunais. São 30 dias consecutivos ou intercalados de ausência sem justificativa. Isso faz sentido porque o salário mensal corresponde ao período de 30 dias de trabalho. Se o empregado sumiu por um ciclo inteiro sem avisar, já passa a ser algo sério.
quantos dias de falta por abandono
Direto ao ponto: 30 dias. Mas isso não é automático. O empregador precisa comprovar que a ausência foi deliberada e injustificada. Só o calendário não resolve nada. Na prática, eu já vi empregadores tentarem demitir por abandono depois de apenas 15 dias de falta. O juiz manda reintegrar o funcionário com todos os direitos, inclusive indenização por danos morais. A empresa perde tempo e dinheiro e ainda sai no prejuízo. O erro mais comum é achar que a falta em si já é suficiente, quando na verdade o que importa é a configuração da vontade de romper o contrato. Tem um detalhe que muita gente esquece: as faltas precisam ser comprovadamente injustificadas. Se o funcionário mandou um atestado médico depois, mesmo que tardio, isso pode quebrar a tese de abandono. Eu já tive um caso assim onde o trabalhador enviou um atestado por WhatsApp no 32º dia, e o tribunal decidiu que não havia abandono porque a ausência inicial tinha justificativa médica. A empresa ficou devendo todas as diferenças salariais.
O procedimento correto para caracterizar o abandono
Aqui é onde a maioria erra. Não basta marcar a falta e pronto. O empregador precisa seguir um roteiro específico para que a demissão por abandono seja mantida se o funcionário entrar com ação depois. O primeiro passo é tentar localizar o empregado. Enviar carta com aviso de recebimento para o último endereço cadastrado, mandar mensagem para o WhatsApp corporativo, ligar para os contatos de emergência que constam no contrato. Documente absolutamente tudo: prints, protocolos de postagem, relatórios de ligações. Eu costumo recomendar que se faça isso a partir do 15º dia de falta, não espere completar os 30. Depois de esgotadas as tentativas de contato, emite-se uma notificação formal exigindo que o empregado justifique as ausências ou retorne ao trabalho. Dá-se um prazo razoável, geralmente 48 horas. Se não houver retorno, aí sim se configura a justa causa pelo abandono.

O ponto crucial é que o processo precisa ser documentado de forma clara. Juízes do trabalho olham com muita desconfiança quando a empresa simplesmente declara abandono sem provar que tentou contato. Já vi casos de sentenças que reconheciam o abandono mas condenavam a empresa a pagar aviso prévio indenizado porque a notificação foi enviada apenas por e-mail e o funcionário comprovou que não tinha acesso à caixa postal corporativa.
Impactos práticos e armadilhas comuns
Demissão por abandono tem consequências específicas que diferem de uma justa causa comum. O funcionário não saca o FGTS, não tem direito ao seguro-desemprego e não recebe a multa de 40% sobre o saldo do fundo. Para a empresa, isso significa que se a demissão for anulada, o prejuízo é consideravelmente maior do que numa rescisão normal. Um erro frequente é a empresa não registrar o ponto corretamente. Se o quadro de ponto estiver incompleto ou desorganizado, fica impossível comprovar os 30 dias de falta. Eu recomendo manter o registro de ponto mesmo para funcionários que não comparecem. Anotar "faltou" com data e horária é fundamental para a tese. Outra situação complicada envolve férias vencidas e período aquisitivo. Se o funcionário estava no gozo de férias ou em licença médica, não há abandono porque a ausência é justificada. Verificar o histórico de afastamentos antes de tomar qualquer providência evita dores de cabeça. Já vi uma empresa demitir alguém que estava em licença por acidente de trabalho. A reintegração foi imediata e a multa por dano moral foi significativa.
Para servidores públicos, a regra é diferente. O abandono de cargo exige procedimento administrativo próprio previsto na lei estadual ou municipal, e o prazo pode variar. Em alguns municípios, o servidor é declarado ausente após 30 dias, mas a demissão efetiva só ocorre após processo disciplinar que pode levar meses.

O que o funcionário deve fazer se receber uma notificação
Se você é empregado e recebeu uma notificação sobre abandono, a atitude mais sensata é procurar um advogado trabalhista imediatamente. Não ignore a notificação. Respondê-la formalmente, apresentando justificativas e documentos, pode ser decisivo para evitar uma justa causa. Manter cópia de todos os documentos médicos, comunicação com o empregador e comprovantes de tentativa de retorno é essencial. Se a empresa não fez as tentativas de contato adequadas, isso pode ser usado como argumento de defesa.
Galeria
-
Quantos dias dá abandono de emprego? | Jusbrasil -
Quantos Dias de Falta Caracterizam Abandono de Emprego? -
Abandono de Emprego: Quantos dias pode faltar? – Empregado