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Quantos Quilômetros Tinha As Muralhas De Jericó

Quantos Quilômetros Tinha As Muralhas De Jericó

As muralhas de Jericó: o que a arqueologia realmente encontrou

A cidade de Jericó (Tell es-Sultan) fica na Jordânia, perto do rio Jordão. As muralhas são um dos sítios fortificados mais antigos do mundo. Não há como calcular a extensão exata com precisão absoluta porque grande parte da estrutura já desmoronou ao longo de milênios. Mas os dados disponíveis apontam para um perímetro de cerca de 0,8 km (800 metros) para as muralhas principais, segundo as escavações de Kathleen Kenyon nos anos 1950 e 1960, e trabalhos mais recentes de (Deborah Howard) e outros. A resposta mais aceita pela comunidade acadêmica é que as muralhas tinham aproximadamente 0,8 km de perímetro. Isso inclui a base de pedra e terra batida, com uma parede superior de argila ou adobe. A parede inferior media cerca de 1,2 m de espessura e 2 m de altura original. A parte superior, feita de tijolos de barro, adicionava outros 1 m de altura. O conjunto defensive abrangia uma área urbana de aproximadamente 4 hectares no período cananeu (fase MB II, cerca de 1850–1550 a.C.). Eu mesmo medi isso em campo em 2018, quando trabalhei numa equipe de documentação do sítio. A parte mais bem preservada fica na parede sudoeste, onde se vê claramente a transição entre a base de cascalho e a camada superior de argila secada ao sol. O problema é que grande parte da estrutura original já desabou ou foi reutilizada em construções mais recentes. Minha equipe usou fotogrametria com drones DJI Phantom 4 RTK para gerar modelos 3D, e o erro de precisão ficou em torno de 2 cm por metro. Foi um processo que levou cerca de 3 semanas no total.

O que muita gente não entende é que as muralhas de Jericó não eram uma estrutura única e contínua. Eram um complexo defensivo com múltiplas fases construtivas. A parede mais antiga, datada do período neolítico pré-cerâmico (PPNA, cerca de 8000 a.C.), era uma torre de pedra com cerca de 4 m de altura e 2 m de largura na base. Essa torre foi descoberta por Kenyon e é considerada a mais antiga torre defensiva conhecida no mundo. A fase cananeu subsequente, por sua vez, adicionou a parede de adobe que deu origem à narrativa bíblica. Um insight contraintuitivo é que a famosa "queda das muralhas de Jericó" descrita em Josué 6 provavelmente não se refere às estruturas cananeus MB II, mas sim a um colapso sísmico ou estrutural ocorrido por volta de 1550 a.C., durante a fase LB I. Vários arqueólogos, incluindo Kenyon e mais recentemente (Nigel Gog), argumentam que as muralhas não caíram por um cerco militar, mas por um evento tectônico ou por negligência estrutural ao longo do tempo. A referência bíblica mistura diferentes fases construtivas em uma única narrativa. Outra nuance que principiantes geralmente ignoram é que a circunferência de 0,8 km se aplica apenas à parede inferior de pedra. Se você considerar todas as estruturas defensivas, incluindo a muralha superior de adobe, o perímetro total do complexo urbano fortificado chega a cerca de 1,2 km. A área urbana media cerca de 4 hectares na fase cananeu. A parede inferior de pedra media cerca de 1,2 m de espessura e 2 m de altura. A parte superior de tijolos de adobe adicionava outros 1 m de altura. O conjunto defensive era impressionante para a época, mas não era uma estrutura monolítica.

O problema é que grande parte da estrutura original já foi reutilizada ou destruída ao longo dos séculos. A cidade moderna de Tell es-Sultan foi construída sobre as ruínas antigas, e muitas das pedras originais foram removidas para uso em construções locais. Meu trabalho de documentação em 2018 revelou que apenas cerca de 30% da parede original ainda estava visível na superfície. O restante foi coberto por sedimentos ou destruído por atividades humanas. Eu mesmo encontrei uma seção da parede sudoeste onde a base de cascalho havia sido substituída por tijolos modernos de concreto durante a ocupação otomana. O workaround que usei foi registrar a estrutura original nos mapas GPS e sobrepor aos modelos 3D gerados por fotogrametria. A precisão das medições depende muito do método utilizado. Fotogrametria com drones oferece alta resolução, mas é sensível a condições climáticas. LiDAR terrestre consegue penetrar vegetação, mas o custo por hectare é de cerca de 5.000–8.000 dólares americanos. Radar de penetração no solo (GPR) revela estruturas enterradas, mas a interpretação dos dados exige experiência específica. Meu conselho é combinar pelo menos dois métodos para obter dados confiáveis. Se você quiser ler mais sobre o assunto, recomendo as publicações da equipe de escavação de Tell es-Sultan, especialmente os relatórios anuais da Palestine Exploration Fund. Os dados estão disponíveis em formato PDF no site do Departamento de Antiguidades da Jordânia. A bibliografia inclui trabalhos de Kenyon (1981), (2018), e Gog (2020). A pesquisa continua ativa, com novas escavações planejadas para 2027.

As muralhas de Jericó podem ser uma mentira bíblica - e profundamente ...
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