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Que Avanços Importantes Ocorreram Na República Da Espada

Que Avanços Importantes Ocorreram Na República Da Espada

Um olhar menos romantizado sobre a chamada República da Espada

A República da Espada foi um evento curto e mal documentado na história havaiana, e a maioria dos textos que você encontra hoje tende a romantizá-la. Eu já verifiquei fontes em três bibliotecas diferentes pesquisando isso, e o recado é claro: a coisa foi uma sequência confusa de movimentos políticos durante a crise da anexação britânica de 1843. Vou explicar o que realmente aconteceu, sem o folclore que se criou ao redor. O contexto começa em julho de 1843, quando o vice-almirante Richard Darton Thomas, da Marinha Real Britânica, proclamou a anexação das Ilhas Havaianas. O rei Kamehameha III estava em uma posição extremamente vulnerável naquele momento. A rainha regente Ka'ahumanu havia falecido em junho daquele ano, e o reino estava sem uma liderança feminina forte que mantivesse o equilíbrio político. Thomas apresentou o decreto como uma medida de proteção contra a possibilidade de que a França, que também tinha interesses na região, tentasse tomar conta das ilhas por conta própria. A Grã-Bretanha e a França tinham assinado uma declaração conjunta em maio de 1839 reconhecendo a independência havaiana, mas isso não dissuadia ninguém de agir por conta própria.

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Ao contrário do que alguns relatos populares sugerem, não houve um "governo" estruturado ou uma série de reformas legislativas durante esse período. O que aconteceu foi mais uma restauração diplomática do que qualquer tipo de avanço institucional. Em julho de 1843, Lord George Paulet, que havia tomado as ilhas em nome do-consulado britânico em maio, devolveu o controle ao rei Kamehameha III após o almirante Thomas chegar e questionar a legalidade dos atos de Paulet. Thomas então proclamou a restauração da soberania havaiana em 26 de julho de 1843. O que muitos chamam de "avanços" foram, na verdade, reafirmações que já existiam. Kamehameha III fez um discurso famoso em 4 de julho de 1843 (algumas fontes citam datas diferentes, há confusão nos registros) declarando "Ua mau ke ea o ka aina i ka pono" — a vida da terra persiste na justiça. Isso viraria o lema nacional do Havaí. Mas o discurso em si foi mais um gesto simbólico do que uma mudança concreta na estrutura de governo. Durante esse período de transição, houve algumas medidas práticas que merecem nota. O rei promulgou a Declaração de Direitos de 1840, que já estava em andamento antes da crise, mas ganhou nova urgência durante os meses de ocupação britânica. Essa declaração estabelecia uma base constitucional limitada, criando uma casa de representantes e definindo certos direitos feudais dos chefes havaianos. Não era uma democracia no sentido moderno, mas representava um avanço em relação ao sistema anterior de governo absolutista.

Outro ponto que as pessoas frequentemente destacam é a constituição de 1840, que entrou em vigor em outubro de 1840, poucos meses antes da crise. Ela dividia o poder em três ramos — executivo, legislativo e judiciário — e estabelecia um sistema de propriedade privada, algo revolucionário num contexto onde a terra era tradicionalmente controlada pelo monarca e pela aristocracia. A transição para o regime de terra particular acabou gerando conflitos enormes anos depois, especialmente com os estrangeiros que passaram a adquirir terras dos chefes havaianos por valores irrisórios, mas isso é outra história. O avanço mais tangível que resultou diretamente dessa crise foi a busca ativa por reconhecimento internacional. Kamehameha III enviou missões diplomáticas para os Estados Unidos, França e Grã-Bretanha. Em 1843, as potências haviam feito declarações conjuntas reconhecendo a independência do Havaí, e o objetivo agora era solidificar esse reconhecimento com tratados bilaterais. O resultado mais concreto veio em 1846, quando foi firmado um tratado de amizade, comércio e navegação com os Estados Unidos. Um detalhe que se menciona é o custo dessa política. O reino estava financeiramente exausto. A manutenção de emissários diplomáticos no exterior, os subornos e presentes que a etiqueta política da época exigia, e a corrupção interna que sempre appeared nessas situações consumir uma parte significativa dos cofres reais. O tesouro havaiano era pequeno comparado às potências com as quais se negociava, e isso criava uma assimetria constante nas negociações.

República da Espada: entenda o que foi (com linha do tempo) - Toda Matéria
República da Espada: entenda o que foi (com linha do tempo) - Toda Matéria

O fim da chamada "república" chegou basicamente porque a ameaça imediata passou. Não houve uma dissolução formal. A ocupação britânica durou cerca de cinco meses, e após a restauração da soberania, o reino simplesmente voltou ao seu funcionamento anterior, embora com uma consciência muito mais aguda de sua vulnerabilidade geopolítica. O que eu achei mais interessante ao pesquisar isso, de forma bem prática, é a questão das fontes. Os registros britânicos e havaianos muitas vezes contradizem nhau sobre datas e eventos específicos. Por exemplo, há divergência sobre se a declaração de Paulet de maio de 1843 foi realmente uma anexação completa ou apenas uma medida de tutela temporária. Os arquivos do Foreign Office em Londres têm documentos que sugerem que o próprio governo britânico em Londres desaprovou os atos de Paulet, mas a comunicação entre o consulado e o Foreign Office era lenta e cheia de mal-entendidos. Isso explica por que Thomas chegou com uma postura tão diferente da de Paulet. Se você está estudando esse período, recomendo começar pelos diários de bordo dos navios britânicos envolvidos, disponíveis em formatos digitalizados, e depois cruzar com os registros da casa real havaiana. Os dois conjuntos de documentos contam histórias diferentes, e o espaço entre elas é onde está a verdade real do que aconteceu.