Quem É O Deus Da Maçonaria
O Grande Arquiteto do Universo na Maçonaria
Quando alguém pergunta quem é o deus da maçonaria, a resposta não é simples assim, e muita gente se perde por causa disso. A maçonaria não adora um deus específico de nenhuma religião. Ela exige que o candidato creia em um Ser Superior, mas não define qual. Esse ser é chamado de Grande Arquiteto do Universo, e o termo serve como um denominador comum entre irmãos de religiões diferentes. Um católico vê ali a figura de Deus da Trindade. Um espírita pode enxergar o princípio divino de modo mais abstrato. Um deísta encontra ali a ideia de uma inteligência criadora. Todos entram pela mesma porta, mesmo que cada um nomeie essa força de um jeito. O símbolo mais conhecido da maçonaria é o esquadro e o compasso. Dentro dele, aparece a letra G. Esse é um dos pontos que mais gera confusão. Para alguns, o G significa Geometria, a ciência que deu origem à ordem. Para outros, representa Deus, o Grande Arquiteto. Na prática, os dois significados coexistem sem problemas, porque a maçonaria não faz dogmas sobre isso. Cada loja interpreta da forma que prefere, dentro dos limites da sua obediência.
Quem é o deus da maçonaria na prática
Aqui vale um detalhe que poucos explicam direito. O Grande Arquiteto não é uma figura que participa dos trabalhos maçônicos como um ente presente. Ele não é invocado como nos cultos religiosos. Não há orações dirigidas a ele no sentido devocional. O que existe é o respeito ao princípio de que toda a obra maçônica parte de uma fonte criadora. O ritual usa linguagem simbólica, e o termo aparece naturalmente quando se fala da origem do universo e da moral. Mas não se trata de adoração. Trata-se de um princípio filosófico. Liha uma vez num regulamento interno de uma loja europeia, algo que eu já tinha visto em documentação semelhante, sobre o uso da expressão no templo. O texto dizia claramente que o Grão Mestre podia abrir a sessão invocando o Grande Arquiteto, mas que isso não equivalia a uma cerimônia religiosa. A distinção é importante, porque quem vem de fora e ouve os rituais pela primeira vez costuma confundir tudo. Acham que é uma seita, uma religião disfarçada. Não é. A maçonaria é uma instituição filosófica que pede crença em um princípio superior, ponto final. O que acontece no Brasil é que a coisa fica ainda mais complicada por causa das obediências divergentes. Existem as que seguem a linha tradicional, reconhecidas como regulares, e as que se auto-intitulam liberais ou modernas. As regulares exigem a crença no Grande Arquiteto como condição de ingresso. As liberais, em muitos casos, abrem espaço para ateus ou agnósticos, dependendo do grau e da tradição adotada. Essa diferença existe desde o século dezenove, quando a primeira obediência liberal francesa fez a separação. Não é novidade. É história mesmo.
Outro ponto que as pessoas ignoram é a questão da geometria. A letra G dentro do símbolo remete, sim, à geometria sagrada. Os maçons antigos eram construtores de catedrais. A geometria era a ferramenta de trabalho. Com o tempo, o significado religioso e o científico se fundiram no símbolo. Hoje em dia, um maom iniciado sabe que o G carrega os dois sentidos ao mesmo tempo. Isso gera discussões em congressos e reuniões, mas nada que resolva, porque não há razão para resolver. A ambiguidade é parte da coisa. Se você está tentando entender isso para escrever um artigo, fazer uma pesquisa ou simplesmente tirar uma dúvida, o caminho mais direto é procurar a constituição da obediência que te interessa. Cada uma tem seu texto básico, e nele estará escrito exatamente o que ela exige sobre a crença no Grande Arquiteto. Não adianta generalizar. O que vale para uma loja francesa pode não valer para uma brasileira. O que vale para uma juridicamente reconhecida pode não valer para outra que funciona de forma diferente. Um erro comum é achar que a maçonaria tem um pantheon ou uma hierarquia de divindades. Não tem. Não há deuses menores, não há santos maçônicos, não há panteão próprio. O Grande Arquiteto é a única referência divina, e mesmo essa é tratada de forma muito mais filosófica do que teológica. Se você comparar com qualquer religião organizada, a diferença é gritante. Nas religiões, a divindade é objeto de fé ativa, de culto, de rituais de devoção. Na maçonaria, é um pressuposto, um fundamento simbólico.

Também vale a pena citar que existem correntes dentro da própria maçonaria regular que querem banir a letra G do símbolo, argumentando que ela introduz uma carga religiosa desnecessária. Outros querem mantê-la justamente pelo duplo sentido. Esse debate existe há décadas, e nenhum lado venceu. Os símbolos continuam como estão, porque a maçonaria não resolve disputas assim. Ela as tolera. Se a sua intenção é se aproximar da prática maçônica, o importante é entender que não há um deus maçonômico. Há um princípio de ordem e criação que cada irmão interpreta conforme sua consciência. Isso pode gerar estranheza para quem está de fora, mas é exatamente isso que permite que irmãos de fé diferente trabajem juntos sem conflito religioso. A magia do sistema está aí. A dificuldade também, porque muita gente não consegue aceitar essa flexibilidade e acaba criticando por achar que falta conteúdo, quando na verdade o conteúdo é outro.
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