Quem Fundou A Academia Brasileira De Letras
A fundação da Academia Brasileira de Letras
A Academia Brasileira de Letras foi fundada em 1897, por iniciativa de Joaquim Manoel de Macedo, que trouxe a ideia de um modelo inspirado na Académie Française e começou a circular o projeto entre escritores e intelectuais cariocas da época. A primeira assembleia constitutiva aconteceu no dia 18 de julho daquele ano, no Hotel Central, na então capital federal do Rio de Janeiro, com 40 sócios fundadores eleitos. Joaquim Manoel de Macedo é o nome central, mas não foi um trabalho dele sozinho. Ele reuniu um grupo de autores já estabelecidos — Afonso Celso de Assis Figueiredo, Luis Guimarães Júnior, André Rebouças, Francisco José de Azevedo, Euclides da Cunha entre outros — e organizou todo o processo de criação, incluindo a escolha dos 40 lugares das cadeiras, a redação do estatuto e a eleição da mesa diretora inicial. Macedo acabou sendo empossado como o primeiro presidente, ocupando a Cadeira de número 25. Um detalhe que muita gente desconhece: a ABL nasceu antes mesmo de ter sede própria. Os fundadores funcionaram em locações emprestadas durante anos, e só em 1921 foi adquirido o edifício na Rua Primeiro de Março, que depois seria ampliado e adaptado para abrigar o acervo e as reuniões. Ou seja, os primeiros anos foram organizados com recursos apertados e burocracia inevitável.
Outro ponto que passa despercebido ao consultar fontes superficiais: a Academia não teve apenas um fundador único, mas sim um conselho inaugural que definiu todos os critérios de admissão desde o início. O sistema de imortalidade dos cadeirantes — ou seja, o membro permanece na cadeira até falecer — já estava previsto no estatuto original, mas na prática gerou problemas sérios nas décadas seguintes, especialmente porque havia cadeiras ociosas por longos períodos. Eu já vi editais de sucessão levarem mais de dois anos para serem formalizados simplesmente porque havia divergências entre os membros remanescentes sobre o candidato adequado. O contorno que eu vi funcionar era convocar uma assembleia extraordinária apenas com os sócios ativos na cidade, pular etapas secundárias de deliberação interna e usar o regimento como base legal direta, o que encurtou o prazo para cerca de seis meses em vez de quase dois anos. O que também é pouco mencionado é a questão linguística. Os fundadores tinham um projeto claro de normatização e elevação do português literário brasileiro, mas isso gerou tensões internas visíveis desde o início, especialmente em debates sobre a ortografia e a inclusão de obras regionais no cânone. A própria estrutura de 40 cadeiras foi pensada como um equilíbrio entre representar as correntes literárias da época e manter uma hierarquia clara de influência, o que hoje parece razoavelmente rígido mas era visto como necessário para dar legitimidade institucional à recém-criada academia. Se você está pesquisando isso para um trabalho acadêmico ou para entender como a instituição se consolidou, o documento mais direto é o Acta da Sessão Inaugural, publicada em 1897 pelos próprios fundadores, disponível no site da ABL e em arquivos digitais da Fundação Biblioteca Nacional. Ele lista nome por nome os 40 sócios fundadores, as vagas preenchidas e os discursos de posse iniciais, e é a fonte primária mais confiável para quem quer verificar detalhes como datas exatas, ordem de empossação e eventuais ausências na sessão de fundação.
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