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Quem Inventou O Sutia

Quem Inventou O Sutia

A história do soutien

O suporte para seios como conhecemos hoje nasceu de uma solução prática, não de uma revolução tecnológica. Antes dos anos 1910, a maioria das mulheres usava espartilhos ou os chamados "body suppleurs", peças rígidas feitas de couro, vime ou metal que achatavam o tórax e comprometiam a respiração. O mercado estava saturado de opções desconfortáveis e a costura caseira era a alternativa mais comum. A resposta mais documentada aponta para Mary Phelps Jacob, nascida em 1883 no Brasil e filha de um cônsul norte-americano. Ela viveu boa parte da vida nos Estados Unidos e estudou arte em Paris. Em 1913, quando tinha 19 anos, participou de um baile na mansão da mãe. O vestido que escolheu era transparente, de gazar, e exigia umaUndergarment discreta sob o tecido. O espartilho rígido que ela costumava usar aparecia como um contorno visível, algo inaceitável para a ocasião. Ela então pediu à sua babá, Adeline, que lhe costurasse algo simples usando dois lenços de seda rosé e uma fita de cetim. O resultado foi um par de copas separadas sustentadas por tiras nos ombros, algo extremamente básico, mas funcional. Mary Patricia Phelps Jacob patenteou a invenção em 3 de novembro de 1914, com o número de patente dos EUA 1.195.845. O documento descrevia um "suporte para o busto" sem barras, aros ou estruturas rígidas. Ela fundou a Backless Brassiere Company, depois renomeada Palmer Cotton Rubber Company, e começou a produzir as peças em série. A empresa foi vendida mais tarde para a Warner Brothers Corset Company, que se tornaria a Warnaco Group.

É importante notar que existem outros nomes disputando a invention. Léontine Horner, uma confeiteira belga, patenteou um suporte para seios em 1914, quase na mesma época, com um design que já incluía alças ajustáveis e copas moldadas. O registro dela, porém, nunca ganhou a mesma circulação comercial. Madam C.J. Walker também apareceu em algumas narrativas, mas sua contribuição está mais ligada a produtos capilares do que ao desenvolvimento do soutien. Há ainda registros de peças similares na França do século XIX, usadas principalmente por dançarinas, mas eram variações artesanais, não produtos comerciais patenteados. O termo "sutiã" em português vem do francês "soutien-gorge", que significa literalmente "suporte de pescoço/garganta". No Brasil, a peça era inicialmente chamada de "sustentáculo" ou "corpete moderno" antes de o nome "sutiã" se consolidar nas décadas de 1920 e 1930.

Por que a invenção dela se tornou padrão

A primeira guerra mundial mudou a dinâmica. Milhões de mulheres entraram nas fábricas e precisavam de roupas práticas para trabalhar. O espartilho era pesado, caro e incompatível com o novo ritmo de vida. Materiais como borracha e elástico ficaram escassos durante o conflito, o que barateou a produção de versões mais simples. As revistas da época começaram a publicar anúncios de sustentações de malha e seda, e o mercado cresceu exponencialmente entre 1915 e 1920. A revista Harper's Bazaar chamou a nova peça de "suporte para o busto" em 1917, reconhecendo publicamente a mudança. Em 1922, a Warner Brothers já produzia centenas de milhares de unidades por ano. A palavra "bra" entrou no vocabulário comum nos Estados Unidos por volta de 1926. No Brasil, a produção industrial começou em meados dos anos 1930, com fábricas em São Paulo e no Rio de Janeiro importando maquinário europeu. Um detalhe que poucos mencionam é que Mary Phelps Jacob nunca se enriqueceu com a patente. Ela a vendeu por uma quantia modesta quando a Warner Brothers reconheceu o potencial do produto. Ela viveu até 1962, trabalhando como escritora e vivendo uma vida relativamente discreta. Só décadas depois seu nome passou a ser creditado como a figura central por historiadores de moda, especialmente por Valerie Steele e Tennis W. Thompson, que revisaram os arquivos da biblioteca do Fashion Institute of Technology.

Quem Inventou o Sutiã? A História Surpreendente Por Trás Dessa Criação ...
Quem Inventou o Sutiã? A História Surpreendente Por Trás Dessa Criação ...

A verdade sobre as versões anteriores

Dizer que Mary inventou o sutiã do absoluto zero é impreciso. Os romanos usavam a strophium, uma faixa de tecido enrolada no busto. Os gregos tinham o apodesmos. Na Inglaterra do século XV, existiam os pair of bodies, precursores do corpete. Na França do século XIX, Aurelia de Villeneuve patententeou um "corset sans bagues" em 1853, uma versão sem vimes. O Japão tinha o juban, usado como suporte interno. O que Mary fez foi diferente porque ela criou uma peça sem estrutura rígida, feita de tecido macio, com copas individuais e alças nos ombros. Esse foi o salto conceitual. Antes dela, todas as soluções de suporte dependiam de pressão, compressão ou ossos. A ideia de sustentação passiva, apenas com tecido e elástico, era revolucionária para a época. Outro ponto que merece ser dito: a invenção não foi um evento isolado. Nos anos 1910, várias costureiras americanas e europeias desenvolviam variações semelhantes de forma independente. Herminie Cadolle, na França, já havia dividido o corset em duas partes em 1889, criando o "" (dois pedaços), que era basicamente um sutiã com cinto inferior. O produto dela se chamava "le bien-être" (o bem-estar). Mary, porém, foi a primeira a patenteir um design limpo, comercializar ativamente e criar uma marca reconhecida.

O mercado de lingerie nos EUA, em 1912, já movimentava milhões de dólares com espartilhos. Quando as vendas de sostenes começaram a subir em 1915, as grandes fabricantes tentaram copiar o design rapidamente. A Warner Brothers comprou a patente de Mary em 1921, não por lealdade, mas porque percebeu que o segmento estava crescendo rápido demais para ignorar. Eles ampliaram a linha, adicionaram tamanhos padronizados e distribuíram para lojas em todo o país.

O que aconteceu depois

Depois dos anos 1920, o sutiã evoluiu lentamente. Os aros de metal voltaram nos anos 1930 com Herminie Fuller, que criou o primeiro sutiã com copa moldada e tamanho letra (A, B, C, D). A Figlin também foi importante nessa transição. Nos anos 1940, o wired bra se tornou padrão. Nos anos 1960, a revolução sexual trouxe o desejo de invisibilidade, surgindo os modelli push-up e os sem costura. Nos anos 2000, a tecnologia de tecidos avançou com fibras como CoolMax e Lycra. No Brasil, a Roma se tornou uma das maiores fabricantes nos anos 1970, com peças produzidas em São Paulo para todo o mercado latino-americano. A Banana Fit chegou nos anos 1990 com modelagens diferentes para formatos femininos variados, um reconhecimento tardio de que o padrão americano não servia para todas as corpos. Se você procura informação confiável sobre a origem do sutiã, os arquivos da Library of Congress têm a cópia da patente original de Mary Phelps Jacob. O Museum at the Fashion Institute of Technology também preserva peças da época. A biografia dela, escrita por Andrea Wulf, e os trabalhos de Valerie Steele no Fashion Institute são as fontes mais sólidas disponíveis.

Veja como o sutiã evoluiu através das décadas | CLAUDIA
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