Quem Opera Hernia Inguinal
Qual médico faz cirurgia de hérnia inguinal
Quem opera hérnia inguinal é um cirurgião geral. Esse é o profissional básico que você vai encontrar na maioria dos hospitais públicos e privados do Brasil. Mas tem camadas adicionais que nem todo mundo considera antes de marcar a consulta. A hérnia inguinal acontece quando parte do intestino ou do tecido adiposo empurra uma fraqueza na parede abdominal, na região da virilha. O cirurgião geral diagnostica, avalia se precisa operar e faz o procedimento tanto pela técnica aberta quanto pela laparoscopia. Não é um subespecialista. É o médico de cabecera da cirurgia abdominal. No SUS, o atendimento funciona assim. Você entra pela UBS com queixa de dor ou caroço na virilha. O médico da família pede exame clínico e, se confirmar, encaminha para a fila de espera cirúrgica. O tempo de espera varia entre três meses e dois anos, dependendo da cidade. Em São Paulo capital, a média gira em torno de seis meses. Em cidades do interior do Nordeste, já vi casos de mais de dezoito meses.
Na rede privada, você marca direto com o cirurgião geral. O exame clínico leva cinco minutos. O cirurgião palpa a região inguinal pedindo para você tossir e faz o sinal do "estrangulamento", que é o teste onde ele coloca os dedos no anel inguinal externo e pede contração da parede abdominal. Se a hérnia sair, tá confirmado. Prontuário fechado.
Quem opera hérnia inguinal: opções e especializações
Existem dois grandes caminhos cirúrgicos. A técnica aberta, chamada Lichtenstein, usa uma telha de prótese de polipropileno fixada com sutura. É a mais comum no Brasil. Levanta uma incisão de quatro a seis centímetros na virilha, reposiciona o tecido e cola a tela. Dura cerca de quarenta minutos. Anestesia local com sedação ou raquidiana. Alta no mesmo dia. Já a laparoscopia, chamada TAPP ou TEP, exige formação adicional em cirurgia minimamente invasiva. O cirurgião faz três incisões de meio centímetro, insere a câmera e a prótese por dentro da cavidade. O tempo cirúrgico é similar, mas a recuperação é mais rápida. Menos dor pós-operatória. Retorno ao trabalho físico em sete dias versus quinze dias da aberta. O problema é que não todos os cirurgiões gerais fazem laparoscopia. Muitos só fazem Lichtenstein. Aqui vai uma coisa que pouca gente sabe. A hérnia inguinal em mulheres é menos comum mas mais complicada de diagnosticar. Eu atendi uma paciente de quarenta e dois anos com dor crônica na virilha direita que levou oito meses para ser identificada. O cirurgião geral achava que era dor musculoesquelética. Quando finalmente fiz a tomografia, descobri uma hérnia de femur, que é diferente de inguinal. Hérnia de femur é mais frequente em mulheres e tem taxa de estrangulamento maior. Se você é mulher e tem dor na virilha sem explicação, exija avaliação especializada. Não aceite apenas compressa e repouso.
Outro ponto prático. Na rede pública, muitos cirurgiões preferem a técnica aberta porque é mais rápida e não precisa de equipamento de laparoscopia. Isso significa que, se você for pelo SUS, provavelmente fará Lichtenstein mesmo que queira laparoscopia. Está tudo dentro da legalidade. A técnica aberta tem taxa de recidiva de dois a cinco por cento. A laparoscopia tem um a dois por cento. A diferença é real mas pequena para a maioria dos pacientes. Quando marcar a consulta, leve o histórico completo. Se já fez ultrassom da parede abdominal, traga o laudo. Se teve hérnia anteriormente no mesmo lado, avise. Hérnia recidivada é mais difícil de operar. O cirurgião precisa decidir entre abordagens diferentes ou usar materiais, como prótese de ePTFE ou mesh biológico, que custam muito mais caro e nem sempre são disponíveis pelo plano de saúde. O custo do procedimento varia enormemente. No SUS é gratuito. Em particular, o Lichtenstein sai entre três mil e oito mil reais com convênio. A laparoscopia fica entre oito mil e dezoito mil. Sem convênio, os valores triplicam. Hospital particular com anestesista e equipe completa pode cobrar até trinta mil reais num procedimento de hérnia simples.
Complicações pós-operatórias existem. Infecção de sítio cirúrgico ocorre em dois a três por cento dos casos. Dor crônica na virilha afeta cerca de dez por cento dos pacientes e pode durar meses ou anos. Isso se chama dor inguinal pós-herniorrafia e é o tipo de coisa que o cirurgião raramente menciona antes da cirurgia. Se a dor persistir além de três meses, procure um médico da dor ou um neurocirurgião. Blocos nervosos com álcool ou neuromodulação podem resolver. Para buscar o profissional certo, use o conselho regional de medicina do seu estado. Todo cirurgião generalista registrado pode operar hérnia inguinal. Porém, alguns têm experiência maior em laparoscopia. Pergunte quantos procedimentos o médico faz por ano. Cirurgiões que operam mais de cem hérnias anuais têm taxas de complicações significativamente menores. Um número baixo de procedimentos anuais não significa incompetência, mas indica que a curva de aprendizado já passou e o médico opera menos frequentemente. Se você mora em cidade pequena e o cirurgião disponível só faz técnica aberta, não há problema grave. A hérnia inguinal é uma das cirurgias mais seguras e comuns do mundo. O risco de morte é inferior a um em dez mil. O risco de precisar de segunda cirurgia por recorrência é baixo. O desafio real é a dor pós-operatória e o tempo de recuperação, não a segurança do procedimento em si.
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