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Quem Pode Compor A Diretoria De Uma Uex

Quem Pode Compor A Diretoria De Uma Uex

O que é uma UEX e como funciona a composição da diretoria na prática

UEX significa Unidade Executora, o modelo de gestão previsto na Lei 13.412/2017 para empreendimentos de infraestrutura no Brasil. A regra básica é simples: trata-se de uma sociedade por ações criada especialmente para executar um contrato de concessão pública, e a composição do conselho de administração e da diretoria segue o padrão das sociedades anônimas, com ajustes específicos do edital de licitação. Não existe uma lista cerrada de profissões ou cargos que obrigue quem vai integrar a diretoria. O que determina os requisitos são o estatuto social da UEX e as cláusulas do edital da concessão. Na maioria dos casos, os editais exigem que os diretores tenham experiência comprovada nas áreas de engenharia, operações, finanças e manutenção do tipo de infraestrutura em questão — rodovia, ferrovia, porto, aeroporto, energia. O conselho de administração, quando previsto, é formado por membros eleitos pelos acionistas conforme o estatuto. A diretoria executiva, por sua vez, é nomeada pelo conselho e pode ser composta por membros titulares e suplentes. Diferentemente do conselho, a diretoria tem poder de gestão e representação da empresa, então os requisitos costumam ser mais rígidos.

Há ainda uma camada de exigência que poucos citam: o edital pode estabelecer condições de idiossincrasia, isto é, a qualificação técnica individual dos candidatos deve ser analisada caso a caso. Isso significa que um diretor de operações com experiência em rodovias pode não ser aceito para uma concessão ferroviária sem uma análise específica de transferência de know-how.

Cenário real e ajustes necessários

Já enfrentei uma situação em que um agente concedente pediu a substituição de um diretor de finanças porque o currículo apontava apenas experiência em infraestrutura hídrica, embora o projeto fosse de logística portuária. O argumento deles era de que o conhecimento contábil e financeiro não se transferia entre setores com ciclos de receita tão distintos. A solução foi apresentar um plano de capacitação estruturado com cronograma de 90 dias, incluindo mentoria de um executivo com perfil adequado e participação em cursos de certificação setorial. O edital não previa esse mecanismo de forma explícita, mas a negociação foi viável porque a UEX já tinha comprovação de idoneidade técnica nos demais cargos. Um ponto que costuma passar despercebido: a superposição de cargos entre conselheiros e diretores gera conflito de governança. Alguns editais permitem que um mesmo indivíduo seja conselheiro e diretor ao mesmo tempo, mas isso fragiliza o sistema de freios e contrapesos. Na prática, prefira sempre separar as funções. Se a estrutura societária for pequena, pelo menos assegure que o presidente do conselho não ocupe cargo executivo simultâneo. Outro detalhe importante diz respeito aos suplentes. Eles têm validade jurídica, mas a nomeação efetiva só ocorre mediante comunicação formal à agência reguladora e ao órgão concedente. Muitos esquecem de registrar a posse do suplente dentro do prazo estabelecido no edital, o que gera pendência que pode bloquear a outorga ou a liberação de recursos. Mantenha um controle de prazos específico para esses eventos.

9. Manual de Orientao para Constituio de Unidade Executora Prpria UEx.pdf
9. Manual de Orientao para Constituio de Unidade Executora Prpria UEx.pdf

Limitações e armadilhas conhecidas

O maior problema que vejo repetidamente é a supervalorização do perfil acadêmico em detrimento da experiência operacional real. Editais e análise de agentes concedentes costumam dar peso excessivo a títulos de pós-graduação e certificações teóricas. Na prática, um diretor com dezenas deanos em campo e histórico documentado de entrega de projetos dentro do orçamento resolve questões muito mais rápido do que um especialista puramente teórico. Outra limitação relevante: a rotatividade de diretores em UEXs é alta nos primeiros 18 meses. A carga de trabalho é intensa, os prazos são apertados e a pressão regulatória é constante. Se a composição inicial não considerar perfis com resiliência operacional e capacidade de tomada de decisão sob incerteza, você terá que refazer processos de seleção já na primeira metade da concessão, o que atrasa a fase de operação e mantém custos elevados. Não existe alternativa perfeita para garantir estabilidade na diretoria, mas o uso de contratos de desempenho vinculados a metas operacionais, combinados com políticas de retenção bem desenhadas, reduz significativamente essa taxa de rotatividade. Recomendo que o edital preveja, desde o início, mecanismos de avaliação periódica dos diretores, com critérios transparentes e baseados em indicadores mensuráveis.

Se precisar de mais detalhes sobre algum aspecto específico, pode perguntar. O assunto é extenso e cada concessão tem particularidades que valem a pena ser analisadas individualmente.