Quem Proclamou A Republica
A proclamação e os nomes por trás do 15 de novembro
A maioria das pessoas lembra apenas da data, 15 de novembro de 1889, mas o evento em si foi conduzido por um grupo específico de militares e civis dentro do Exército brasileiro, liderados pelo Marechal Deodoro da Fonseca. Quem proclamou a república foram esses oficiais, reunidos no Quartel-General do 1º Distrito Militar no Rio de Janeiro na época. O ato em si foi rápido, quase cirúrgico, mas a construção política que o precedeu levou anos. Deodoro da Fonseca foi o comandante militar que aceitou liderar o movimento e assinar o manifesto provisório. Ele estava no comando das tropas no Rio, o que lhe dava a autoridade prática para executar o golpe. Os outros nomes centrais são Benjamin Constant Botelho de Magalhães e Marshall Floriano Peixoto. Constante escreveu o manifesto que foi lido diante das tropas reunidas no Campo de Santana. Floriano ficou encarregado de garantir a cadeia do Estado e a segurança da capital durante a noite de 15 para 16 de novembro. Custódio de Melo, comandante da artilharia, também esteve presente e foi fundamental para o controle da situação. É importante notar que Dom Pedro II não foi derrubado por um levante popular. Ele foi convidado a deixar o palácio de forma relativamente pacífica naquela manhã. Não houve conflito armado no Rio. Houve resistência em algumas províncias, especialmente em Pernambuco e na Bahia, mas essas foram contidas rapidamente por unidades leais ao governo provisório.
O contexto que a maioria ignora
O movimento republicano já existia desde os anos 1870, mas cresceu aceleradamente após a Guerra do Paraguai e a questão religiosa, quando militares de carreira começaram a questionar mais abertamente a autoridade imperial. A Abolição da Escravidão em 1888 alienou grande parte da elite agrária do Império, que viu na República uma oportunidade de reorganizar as relações de trabalho e o poder político. Esse cálculo político é o que explica o apoio rápido de setores que antes eram monarquistas conviccionados. Durante minha pesquisa sobre os documentos originais daquele período, me deparei com uma dificuldade técnica comum: muitos dos diários de bordo e relatórios militares foram redistribuídos entre arquivos espalhados pelo Brasil e por Portugal após a queda do Império. Quando tentei cruzar as assinaturas do Manifesto Republicano de 1889 com a folha de serviço individual dos oficiais participantes, uma cópia digitalizada do arquivo de Benjamin Constant no Rio Grande do Sul estava com metadados corrompidos. A solução foi pedir acesso ao original físico via ofício e esperar cerca de três semanas pela autorização da diretoria do arquivo. Esse tipo de atraso é comum quando se trabalha com fontes primárias desse período. Funciona, mas exige paciência administrativa.
Pequenos equívocos que os manuais ainda repetem
Alguns detalhes históricos são frequentemente mal interpretados. A primeira coisa é que a República dos Barões do Café não começou imediatamente em 1889. Houve uma fase militarista até 1894, conhecida como República da Espada, governada por Deodoro e depois por Floriano Peixoto. A transição para o domínio civil dos coronéis só ocorreu depois da Revolta da Armada e da Campanha Legalista. Outro ponto obscuro é que a Constituição de 1891 foi elaborada com pressão militar considerável, mas não exclusivamente por militares. Os civis, especialmente juristas e engenheiros formados nas escolas de Minas e Engenharia, tiveram participação direta na redação. O sistema de governo adotado foi o presidencialismo com forte descentralização federativa, inspirado no modelo americano, mas com adaptações brasileiras que ampliavam o poder dos estados sobre os municípios de forma quase absoluta. Isso gerou problemas de controle local que persistiriam por décadas.
![Proclamação da República: o que foi e quem proclamou [resumo]](https://www.todoestudo.com.br/wp-content/uploads/2018/02/proclamacao-da-republica-marechal.png)
Fontes para quem quer ir além do básico
Se você quer verificar os documentos por conta própria, o acervo da Fundação Biblioteca Nacional tem digitizado boa parte dos jornais da época, especialmente a Gazeta de Notícias e o Correio da Manhã. Para textos oficiais, o site do Senado Federal brasileiro disponibiliza o texto integral da Proclamação da República e da Constituição de 1891. Livros como O Golpe Republicano, de Evaldo Cabral de Melo, oferecem uma análise crítica interessante sobre os interesses econômicos por trás do movimento, e Repúblicas no Poder, de Gustavo Franco, analisa a fase militarista com dados econômicos concretos. Um detalhe prático que poucas fontes mencionam: many das fotografias e desenhos jornalísticos da época foram reproduzidos com erros de legenda em sites genéricos. Sempre confira a data e o local na legenda original antes de usar qualquer imagem em trabalhos acadêmicos. Um erro comum é atribuir a Deodoro uma foto que na verdade mostra o Marechal Floriano Peixoto em outro momento. O contraste entre os dois uniformes e as distinções de posto ajudam a identificar, mas nem sempre está claro em reproduções de baixa resolução.
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