Rack Para Bicicleta Teto
Instalar um rack de teto para bicicletas não é tão difícil assim, mas tem algumas armadilhas que todo mundo acaba descobrindo na marra
Eu comprei meu primeiro rack para bicicleta teto há cerca de três anos, num modelo crossview genérico que encontrei por um preço que parecia bom demais. Na primeira instalação, levei quase quarenta minutos porque não li o manual direito e tentei travar as alças antes de centralizar a barra transversal. O resultado foi uma bicicleta com a roda levemente torto e aquele barulho chato de plástico rangeendo na primeira curva. Aprendi na hora que o segredo não é força, é sequência. O processo básico funciona assim: você posiciona as barras transversais no teto do carro, aperta nos pontos de fixação conforme o torque recomendado pelo fabricante do veículo, distribui o peso do rack vazio antes de colocar a bike, e só então sobe a bicicleta. A maioria dos problemas acontece entre o passo dois e o três, quando a pessoa acha que pode apertar tudo com força bruta no final. Não pode. As barras de teto entram em fadiga de metal se você esticar os parafusos além de vinte e cinco newton-metre, e aí o risco é o rack entrar em vibração em velocidade de rodovia.
Escolhendo o rack para bicicleta teto certo
Não existe um modelo universal. O primeiro erro que eu vi amigos cometendo era comprar o rack mais barato sem verificar o formato das barras do próprio carro. Se o seu veículo tem barras longitudinais embutidas, como muitos SUVs e carros de chuva, você precisa de um adaptador crossbar. Se já tem barras transversais, aí sim você pega o rack direto. Existem três tipos principais no mercado brasileiro: o de garra de roda, o de quadro, e o de disco. O de garra prende pela roda dianteira removida. É o mais comum e o mais barato, mas exige que você tire a roda. O de quadro segura pelo triângulo do quadro. Mais rápido, mas pode riscar a pintura se não usar as almofadas de proteção. O de disco usa um prato que encaixa no eixo. Caro, mas não toca na roda nem no quadro. O peso também é decisivo. Um rack vazio para duas bicicletas pesa entre oito e onze quilos. Com duas MTBs, o conjunto chega a cinquenta quilos no teto. A regra prática é não exceder cinquenta quilos de carga distribuída no teto do seu carro, senão o consumo de combustível sobe entre quinze e vinte por cento e a estabilidade viraga em pistas molhadas. Meu carro é um HR-V com teto de policarbonato, e o fabricante limita trinta quilos de carga fixa. Eu precisei trocar para um rack de uma só bike e usar transporte interno quando viajava com minha esposa e meu filho, porque ele também pedalava.
Instalação passo a passo
Vire o rack de cabeça para baixo numa superfície limpa. Abra todas as corrediças e verifique se as tiras de neoprene estão intactas. Rastilhos de neoprene ressecados escorregam em buracos, e eu já tive uma bike descendo da lateral numa estrada de terra batida em Três Corações, Minas Gerais, simplesmente porque o neoprene tinha secado com o sol forte de setembro. Troque as tiras por quinze reais em qualquer loja de acessórios automotivos. Vale muito mais que consertar uma bike amassada no porta-malas. Posicione o rack sobre as barras de teto. Alinhe os suportes com os pontos de fixação. Aperte os parafusos no torque especificado. Não use chave de impacto. Use uma chave dinamométrica de cinco a vinte e cinco newton-metre. Se não tiver uma, aperte com a mão até sentir resistência, dê mais um quarto de volta com a chave fixa, e pronto. O excesso de aperto emparafusa a rosca do suporte de alumínio, e aí você gasta duas horas desatarraxando com penetrante e um extractor de parafuso quebrado. Coloque a bicicleta. No rack de garra, remova a roda dianteira. Engate a corrente na maior coroa para liberar espaço. Posicione a bike de lado, com a garfo para cima e o selim voltado para trás. Prenda a roda traseira na base do rack com as correntinhas de nylon. Prenda o quadro no suporte central. Aperte as alças até ficarem firmes, mas não force até o ponto de travamento total. O nylon estica com o calor do asfalto. Se você travar demais no sol forte, a correia vai escorregar quando esfriar à noite. Deixa um milímetro de folga deliberadamente.

Problemas que ninguém conta
O primeiro problema prático é a altura. Um rack para bicicleta teto com duas bikes eleva o centro de gravidade em trinta a quarenta centímetros. Em lombadas e bueiros, você perde esse espaço. Minha primeira experiência triste foi num bueiro em São Paulo, na marginal Tietê, quando o protetor de quadro encostou no asfalto numa freada brusca. O plástico travou, a bike escorregou, e a roda traseira raspou no chão. Aprendi que o correto é reduzir velocidade em qualquer redução de nível, mesmo as aparentementi inofensivas. O segundo problema é o vento lateral. Em estradas de dois canais com caminhões passando, o rack funciona como uma vela. O carro puxa para o lado. A correção deve ser suave e progressiva, nunca brusca. Segure o volante com as duas mãos, faça ajustes de meio grau por vez, e evite mudanas de faixa em velocidades superiores a noventa quilômetros por hora. O risco de capotar a bike é real, e já vi relatos de ciclistas com clavícula fraturada quando a bike sai do rack numa Curva perigosa. O terceiro problema, e talvez o mais subestimado, é a vibração. Depois de vinte quilômetros, pare o carro e verifique se todas as alças ainda estão apertadas. O nylon relaxa com a vibração. O alumínio cede microscopicamente. Eu costumo revisar a cada cento e cinquenta quilômetros em viagens longas. Leva trinta segundos e evita que você descubra o problema quando a bike já está no meio da estrada.
Manutenção e armazenamento
Após cada uso, lave o rack com água morna e sabão neutro. Seque completamente antes de guardar. O sal de rodovia no inverno brasileiro corrói os parafusos de aço em questão de semanas. Eu uso graxa branca de silicone nos parafusos a cada três meses. Custa oito reais e protege por temporadas inteiras. Guarde o rack em local seco, dentro da caixa original se possível. As tiras de neoprene ressecam com a luz UV. Deixe-as dobradas, nunca esticadas. O neoprene deformado perde a elasticidade permanentemente. Substitua a cada dois anos como preventivo, mesmo que pareça intacto. Verifique a validade das correias de nylon anualmente. O UV degrada o polímero por dentro. A correia pode parecer sólida por fora e romper subitamente sob carga. Eu compro um kit de reposição novo toda primavera. Custa cerca de trinta e cinco reais e dorme tranquilo.
Alternativas quando o rack para bicicleta teto não funciona
Se o seu carro tem teto pequeno, barras frágeis, ou você transporta bikes pesadas acima de treze quilos cada, considere um rack de reboque. O de reboque fixa no engate da tracção, não no teto. Suporta até sessenta quilos distribuídos, não afeta a aerodinâmica do carro, e não exige revisão de torque nas barras de teto. O custo inicial é mais alto, entre trezentos e oitocentos reais, mas compensa para quem viaja frequentemente com duas ou mais bicicletas. Outra alternativa é o transporte interno. Se o seu carro tem banco traseiro rebatível, algumas bikes de adulto cabem dentro, especialmente se você remover as rodas dianteiras. É mais lento para carregar e descarregar, leva cerca de cinco minutos a mais que o rack de teto, mas elimina completamente os problemas de altura, vento lateral e vibração. Para passeios de domingo e treinos locais, costumo preferir essa opção. Só uso o rack para viagens longas de rodovia. Não existe solução perfeita. Cada método tem um ponto de falha. O rack para bicicleta teto é prático, acessível e cabem a maioria das bikes, mas exige atenção constante à fixação e ao peso. Se você leva isso a sério,faça a revisão prévia antes de cada saída, respeite os limites do seu veículo, e nunca ignore um barulho diferente vindo do teto. O resto é questão de prática.

Galeria
-
Rack de teto para bicicleta Thule UpRide 599 com adaptador para barras ... -
Rack De Teto Para Bicicleta Thule Suporte Transbike Para 1 Bicicleta -
Transbike Rack De Teto Tonale Para 1 Bicicleta Kiussi | Astrotek Sports