Redação Do Enem 2013
Como fazer uma redação nota mil no ENEM 2013
O tema de 2013 foi a violência contra a mulher no Brasil. Especificamente, pedia-se uma dissertação-argumentativa sobre a persistência dessa violência no país, considerando questões culturais, jurídicas e sociais. A proposta vinha acompanhada de materiais de apoio — dados, trechos de lei e reportagens — que os candidatos podiam usar ou não. O tema saiu porque o governo queria colocar em discussão a Lei Maria da Penha, que completava três anos de vigência em 2011, e os números alarmantes de feminicídio que apareciam nos noticiários. Os corretores sabiam que o assunto era sensível e esperado. Isso significa que havia um repertório sociocultural bastante consolidado sobre o tema para você citar. A estrutura exigida era sempre a mesma desde 2009: texto dissertativo-argumentativo em prosa, entre 7 e 30 linhas, com cinco parágrafos bem distribuídos. Nada de poemas, narração ou carta ao leitor. O ENEM não quer criatividade literária. Quer clareza.
O que realmente importa na correção
Os cinco competências avaliadas são: Domínio da norma culta (competência 1), compreensão da proposta e estrutura dissertativa (competência 2), seleção e organização de argumentos (competência 3), articulação do texto (competência 4) e elaboração de proposta de intervenção (competência 5). Cada uma vale 200 pontos, totalizando 1000. O erro mais comum que eu vejo até hoje é o candidato que escreve um texto bonito gramaticalmente mas que não responde à proposta. A competência 2 pega muitos desses casos. O tema era violência contra a mulher — não violência doméstica em geral, não papel da mulher na sociedade, não feminismo. Era específico. E muitos candidatos foramgenéricos demais e perderam pontos pesados na competência 2 e 3. Outro detalhe que poucos percebem: a proposta de intervenção precisa ser detalhada. Não basta dizer "o governo deve fazer campanhas". Precisa ter agente, ação, meio/modo e objetivo. Por exemplo: "O Ministério da Educação, por meio de projetos pedagógicos nas escolas públicas, deve implementar discussions sobre violência de gênero a partir do sétimo ano do ensino fundamental, com o objetivo de prevenir casos desde a base."
Um problema prático que eu encontrei
Na correção de 2013, percebi um padrão recorrente: candidatos que citavam a Lei Maria da Penha mas não sabiam o que ela realmente previa. Muitos diziam que a lei "punia agressores" de forma vaga, sem especificar os mecanismos (medidas protetivas, juizados de violência doméstica, etc.). Isso fragilizava o argumento na competência 3. A solução prática foi usar os materiais de apoio que o próprio ENEM fornecia — eles continham trechos exatos da lei. Quem usou esses trechos diretamente, sem distorção, teve desempenho consistentemente melhor nessa competência. Outra armadilha que vi muita gente cair: a generalização excessiva. Frases como "Desde os tempos remotos a mulher é oprimida" não carregam peso argumentativo. O corrector lê centenas dessas por dia e elas não somam nada. Substitua por dados concretos. O próprio material de apoio trazia números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Use-os.

Estrutura que funciona na prática
Introdução em um parágrafo: apresente o tema, contextualize com um dado ou referência cultural, e encerre com a tese (a posição que você vai defender). Não ultrapasse quatro frases. Dois parágrafos de desenvolvimento. Cada um defende um argumento distinto. Eu recomendo estruturar cada um com: tópico frasal, dados ou exemplos, explicação do porquê aquele dado sustenta a tese, e conexão com o próximo parágrafo. Isso evita que o texto pareça uma lista de informações soltas. Conclusão com proposta de intervenção. Um parágrafo. Agentes claros, ações específicas, meios viáveis e objetivos definidos. Repita a tese de forma sintetizada no início para dar coerência.
O tempo ideal de produção é de 50 minutos no máximo. Os primeiros 10 servem para planejamento — rascunhar a tese e os argumentos. Os próximos 35 para escrita. E os 5 finais para releitura e correção de erros de português. Esse último passo é subestimado e pode custar até 40 pontos na competência 1.
Dicas que não aparecem nos manuais
Evite clichês de introdução. "A violência contra a mulher é um problema grave e complexo" é a frase mais banida da redação brasileira. Comece com algo concreto. Um dado, uma citação, uma alusão histórica. Cuidado com conectivos abusivos. "Portanto", "consequentemente", "além disso" repetidos em cada parágrafo tornam o texto mecânico e revelam que o candidato está seguindo um modelo cego. Use variação. Emprigue-se mais, sob esse prisma, por essa via, nesse sentido. Sobre a competência 5, a maioria dos candidatos erra ao propor ações irrealistas. "A população deve mudar sua mentalidade" não é uma proposta de intervenção — é um desejo. Proposta de intervenção precisa de ação governamental ou institucional concreta, mesmo que limitada. O ENEM avalia viabilidade.

Há ainda o risco de o candidato se deixar levar pelo emocional. O tema é sensível e é natural querer escrever com paixão. Mas o ENEM é um exame objetivo. Emoção demais no texto gera argumentação fraca, generalizações e perda de fôlego na conclusão. Mantenha o tom analítico.
Materiais de apoio da redação do enem 2013
Os compêndios oficiais do INEP estão disponíveis no site doinep.gov.br. Eles contêm o caderno completo da prova, incluindo os textos motivadores. Recomendo estudar esses materiais com atenção, pois os temas anteriores tendem a repetir padrões de abordagem. O tema de 2013, por exemplo, segue a linha de direitos humanos e cidadania que aparece periodicamente. Para praticar, baixe as notas da sua região e compare com correções oficiais. O INEP pubblica algumas redações nota mil anualmente. Analise como os melhores candidatos estruturaram os argumentos e desenvolveram a proposta de intervenção.
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