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Remédio Para Pira De Cachorro

Remédio Para Pira De Cachorro

O que você precisa saber sobre pira em cães

A pira, também chamada de dermatofitose ou tiña, é uma infecção fúngica da pele causada principalmente por Microsporum canis. Começa com lesões circulares, descamação e queda de pelos, geralmente no rosto, orelhas e patas. O fungo produz esporos que sobrevivem no ambiente por até 18 meses, então tratar o cão sozinho raramente resolve o problema. A infecção é zoonótica, o que significa que você também pode pegar. Já vi caso em casa com três animais e dois moradores contraindo no mesmo período. A primeira coisa que todo mundo erra é não fazer o exame de cultura de fungos antes de começar qualquer tratamento. O tratamento depende do nível de infestação. Nos casos leves, com uma ou duas lesões pequenas, o uso tópico de fungicidas como a miconazol 2% ou clotrimazol 1% em pomada pode funcionar. Aplica-se duas vezes ao dia no local e num raio de dois centímetros além da borda visível da lesão. O problema é que a maioria dos cães lambem a medicação e ainda espalha esporos pela casa enquanto se coça. Nos casos moderados a graves, que é o que representa cerca de 70% dos atendimentos, o veterinário receita o itraconazol ou fluconazol via oral. O itraconazol é o mais comum, usado em dose de cinco a dez miligramas por quilo ao dia, durante trinta dias no mínimo. Alguns protocolos usam pulse therapy, alternando uma semana de remédio com uma semana de pausa, o que reduz o sobrecarrego no fígado. O fluconazol é uma alternativa quando o cão tem sensibilidade gástrica ao itraconazol. A terbinafina também aparece em alguns protocolos, mas exige monitoramento hepático mais rigoroso. Além do medicamento oral ou tópico, o banho com shampoo clo hexidina a dois por cento ou solution de selenita de lítio ajuda a reduzir a carga de esporos no pelo. O banho deve ser feito uma vez por semana durante todo o tratamento. Sem essa parte, o remédio age no organismo mas o animal continua contaminando o ambiente a cada movimento. Isso é o que diferencia o tratamento que funciona do tratamento que só mascara os sintomas temporariamente.

Eu já perdi tempo tratando um pastor alemão com itraconazol por seis semanas e a lesão não fechava. O problema era que a família tinha um tapete antigo no quarto onde o cão dormia e os esporos estavam ali há anos. A solução foi jogar fora o tapete, lavar todas as roupas de cama com água quente e passar um desinfetante diluído à base de quaternário de amônio nas superfícies. Depois de fazer a descontaminação ambiental, a segunda dose de itraconazol resolveu em duas semanas. Sem a limpeza, eu estava só empurrando o problema.

Pegadinhas que ninguém conta

Uma coisa importante é que o teste de Wood's lamp, aquele ultravioleta que os veterinários usam, só fluoresce em cerca de cinquenta por cento dos casos de Microsporum canis. Se o exame der negativo, não descarta a infecção. O ideal é fazer a cultura em meio de sabouraud ou usar PCR se disponível. Outro ponto que gera erro é a duração do tratamento. Muitas pessoas param o remédio assim que a lesão melhora visualmente, mas isso acontece em média na terceira semana. Se parar aí, a recorrência é quase certa. O protocolo correto é continuar até duas culturas negativas consecutivas com intervalo de quinze dias entre elas. Isso pode alongar o tratamento para sessenta ou setenta dias em alguns casos. O itraconazol por via oral pode causar perda de apetite e leve vômito nos primeiros dias. Se o cão rejeitar a medicação, tente dar junto com a refeição. Alguns veterinários prescrevem antiemético concomitante, mas na prática eu vejo que a maioria dos cães se adapta em quatro dias. Se a reação persister, é sinal de trocar o antifúngico. Também é comum subestimar a parte dos animais assintomáticos. Cães que não apresentam lesões podem ser portadores e disseminar esporos sem ninguém notar. Em criações com mais de um animal, todos devem ser tratados preventivamente, mesmo sem sinais clínicos. Isso evita o efeito ping-pong onde um cura e recontamina o outro repetidamente.

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