Rolamento Para Carrinho De Carga
Guia prático de rolamento para carrinho de carga
Você já percebeu que a maior parte dos carrinhos de carga que quebram não quebra no quadro? Quebra no eixo. O rolamento é o ponto cego de quem monta ou compra esses equipamentos. A maioria das pessoas olha para o aço, para a solda, para a capacidade de peso listada na etiqueta, e deixa o rolamento de lado. Até o carrinho começar a fazer aquele barulho de rolimã gasto na hora errada. O rolamento para carrinho de carga mais comum no Brasil é o rolamento de esferas selado, modelo 6000 ou 6200, dependendo do diâmetro do eixo. Eixo de 12 milímetros usa 6001. Eixo de 16 milímetros usa 6202. Eixo de 20 milímetros, 6204. Esses são os números que importam na prática. Se você abrir um rodízio padrão e vir o manchal com essa sigla estampada, já sabe o que comprar.
Como escolher o rolamento para carrinho de carga certo
Medir o eixo antes de qualquer coisa. A maioria dos guias esquece isso e recomenda o rolamento pelo diâmetro externo da bucha. Isso dá errado porque a bucha pode estar desgastada ou ter folga. Tire o eixo do rodízio, passe um paquímetro, anote o diâmetro real. Depois meça a largura do espaço onde o rolamento se assenta. A combinação desses dois números resolve 90 por cento dos problemas de compra errada. Tem uma coisa que ninguém conta sobre rolamento de eixo de carrinho: o selo importa mais do que a classificação ABMA. Selos de contact board, aqueles de borracha preta que encostam no eixo, seguram a graxa dentro e impedem a poeira de entrar melhor do que os selos tipo shield, que são só chapas metálicas. Em um ambiente de galpão com pó de celulose, serragem ou cimento, um 6001 com selo de borracha dura o triplo de um com shield. A diferença de preço é quase nada. Vale muito a pena. Cuide com a bitola do eixo. Tem gente que substitui um rolamento queimado por um genérico chinês de R$ 8,00 e acha que resolve. Na prática, esse rolamento ferve em menos de três meses com carga real. Um rolamento de marca como KSK, Eisen or SKF, mesmo na linha econômica, aguenta o tranco porque a esferas são de aço laminado correto e o banho de zinco do anel não descasca. Eu vi um caso aqui na empresa em que alguém colocou rolamento sem marca num carrinho que carregava paletes de telha cerâmica. O rolamento colou em quarenta e dois dias. Trinta e dois mil reais em prejuízo só por causa disso.
O tipo de montagem também define a vida útil. Rolamento de eixo fixo, aquele que vem prensado no rodízio, dura o que o fabricante projetou. Quando você fura o eixo e monta o rolamento por fora, com porca e anel elástico, está mudando toda a cinemática. O eixo passa a girar junto com o rolamento, e aí o desgaste é diferente. Se for fazer essa modificação, use eixo endurecido e polido, não eixo galvanizado comum. O zinco da galvanização arranha o anel interno do rolamento e cria folga em semanas.
Problema real que eu tive com rolamento para carrinho de carga
No ano passado, recebi um lote de carrinhos com rodízios que fazia um estalido seco a cada meia volta. Parecia problema de rolamento, mas quando abri, o rolamento estava intacto, sem folga, sem corrosão. O problema era o alojamento. O furo da peça de alumínio onde o rolamento se encaixa tinha sido usinado com folga de 0,15 milímetro acima do especificado. O anel externo do rolamento girava dentro do alojamento enquanto o carrinho estava em movimento. Isso se chama espiralização, e o defeito apareceu só depois de mil quilômetros rodados. A solução foi trocar os rodízios por modelos com castelo de ferro fundido, que têm tolerância de usinagem mais apertada, e usar rolamento com anel externo tratado termicamente. A diferença no custo foi de vinte e dois por cento, mas o carrinho parou de falhar completamente. Antes disso, a taxa de devolución por barulho no rodízio era de oito por cento do lote. Outra coisa que não aparece em catálogo: a montagem do rolamento. Se você precisar trocar um rolamento no eixo, nunca bata no anel externo. O impacto depercussão trinca as pistas de rolamento de dentro pra fora, e o defeito fica invisível nas primeiras horas de uso. Bata sempre no anel que está sendo pressionado contra a superfície de montagem. Se o rolamento vai entrar no eixo, bata no anel interno. Se vai entrar na bucha, bata no anel externo. Use sempre um soquete ou um tubo de cobre do diâmetro certo, que distribua o impacto em volta do anel todo.
Graxa também não é coisa pra economizar. Um rolamento de carrinho de carga pesado precisa de graxa de polímero de lítio, NLGI grau 2. Graxa branca de silicone não segura carga. Graxa de sódio dissolve com água e galpão molhado é comum. Colocar graxa em excesso também é ruim porque o rolamento esquenta por agitação da massa. O ideal é preencher entre trinta e quarenta por cento do volume interno do rolamento. Mais do que isso é gasto desnecessário e gera temperatura. Tem situação em que rolamento não resolve. Carrinho para piso irregular, com juntas de dilatação e desníveis acima de dois centímetros, gera cargas laterais que rolamento de esferas não suporta bem. Nesse caso, o correto é rolamento de rolos cilíndndricos ou, melhor ainda, rodamios com rolamento de agulhas. São mais caros, mas em piso ruim a diferença de preço se paga em dois meses. Rolamento de esferas em piso irregular vira gasto recorrente porque a pista de rolamento acaba sendo esfarelada pela carga de impacto lateral.
Manutenção preventiva simples
Verificar o rolamento a cada quatro meses em uso intenso, ou a cada seis meses em uso moderado. O teste é fácil: segure o carrinho por uma roda e tente girar o eixo com a mão. Se houver qualquer folga axial, se o eixo mexer para frente e para trás quando puxado, o rolamento já perdeu o ajuste. Se o giro não for suave, se houver pontos duros ou estalos, já está na hora de trocar. Não espere o carrinho começar a tremer. Limpar o alojamento antes de colocar o rolamento novo. Resíduo de rebarba, cavaco de usinagem ou graxa velha endurecida ficam presos na superfície de assentamento e criam uma folga microscópica que se amplifica com o tempo. Passe um pano com solvente, seque bem, aplique uma fina camada de loctite 620 ou equivalente apenas se o encaixe estiver folgado. Se o encaixe estiver dentro da tolerância, não precisa de cola. O rolamento deve entrar com ajuste leve por pressão, sem forçar. Trocar o rolamento do eixo completo, não só um lado. Quando um lado falha, o outro está com a mesma vida útil restante. Trocar só um é economia de mentira. O custo do serviço duplica porque você volta ao carrinho em três ou quatro meses para trocar o outro lado, e a parada operativa custa mais do que o rolamento novo.
Se o carrinho for usado em ambiente alimentício ou farmacêutico, o rolamento precisa ser de aço inox ou ter revestimento apropriado. Rolamento comum em ambientes com lavagem química frequente oxida por dentro do selo e falha precocemente. O custo do rolamento inox é cerca de três vezes maior, mas a vida útil nesses ambientes é o dobro ou o triplo, então o custo por hora de uso acaba sendo menor. Documentação técnica básica: catálogo da KSK Brasil tem tabelas de carga dinâmica e estática para cada modelo da linha 6000 e 6200. A SKF também disponibiliza esses dados gratuitamente no site. A carga dinâmica C indica quantos quilômetros o rolamento aguenta girando sob determinada carga antes da Fadiga típica do material. Para um carrinho de carga pesada, considere pelo menos um fator de segurança de 1,5 em relação à carga nominal. Se a carga real ultrapassar C dividido por 1,5, o rolamento vai falhar antes da vida útil esperada.
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