Sem Vergonha Ou Sem-vergonha
Como escrever corretamente: a polêmica entre "sem vergonha" e "sem-vergonha"
Muita gente trava na hora de decidir se escreve com hífen ou separado. A resposta curta é que depende da função na frase, mas na prática a coisa é mais simples do que os manuais querem fazer parecer. Quando "sem vergonha" funciona como adjunto adnominal ou predicativo, ou seja, qualifica alguém descrevendo uma característica, usa-se separado. Quando vira substantivo, nomeando a pessoa, aí entra o hífen. Simples assim na teoria. Na prática real que eu vejo todo dia, muita gente usa "sem-vergonha" mesmo como adjetivo e isso não mata ninguém. Os dicionários maiores como o Houaiss aceitam as duas grafias em contexto adjetival. O problema é que em provas formais — concurso, Vestibular, redação do ENEM — o banca pode cobrar a forma flexionada, então vale a pena saber a distinção.
Aqui vai um detalhe que pouca gente menciona: o hífen aparece porque "sem" é uma preposição e o composto resultante se comporta como um adjetivo quádruplo, regra que vem do Acordo Ortográfico de 1990. Mas isso não significa que todo composto com "sem" leva hífen. Só leva quando o termo todo funciona como nome da coisa ou da pessoa.
O meu caso real com esse problema
Eu estava revisando um texto técnico e me deparei com a frase "aquele sem vergonha pediu demissão na cara dura". Eu tinha escrito separadinho, confiante. O revisor corrigiu para "sem-vergonha" e eu fui consultar a regra. Aí descobriu que ambas as formas existem no uso, mas o grau de aceitabilidade varia conforme o registro. Em linguagem formal escrita, a forma com hífen como substantivo é mais segura. Em linguagem informal, não faz diferença prática nenhuma. A minha saída foi simples: criar uma regra prática para mim mesmo. Se der para trocar por "malandro" ou "vagabundo", usa hífen. Se for só descrever uma qualidade, usa separado. Funciona em 95% dos casos que eu encontro.

Outros exemplos que ajudam a fixar
Pense em "sem-cuidado" versus "sem cuidado". O primeiro é quem não tem cuidado, o substantivo. O segundo é uma descrição: "ele age sem cuidado". A mesma lógica vale para "sem-parceria", "sem-freio", "sem-chance". Todos os compostos com "sem" seguem esse padrão de hífen quando nominalizam. Um erro comum que eu vejo frequentemente é aplicar o hífen em compostos que na verdade são locuções adjetivas completas. "Pessoa sem vergonha alguma" está correto separado porque "alguma" é um quantificador que abre a possibilidade de ser adjetivo. Já "o sem-vergonha da turma" é claramente substantivo.
sem vergonha ou sem-vergonha
Essa é exatamente a dúvida que gera mais confusão. A forma correta para o substantivo é sem-vergonha, com hífen. A forma correta para a expressão adjetival é sem vergonha, separado. Não tem segredo quando você identifica a função sintática. O que acontece na vida real é que muitos escritores tratam as duas formas como intercambiáveis, especialmente em português brasileiro contemporâneo. Isso é aceitável na maioria dos contextos informais e semi-formais. Só em contextos extremely formais — gramatura, edital de concurso, publicação acadêmica — que a distinção rigorosa faz diferença.
Dica prática de implementação rápida
Eu costumo usar o seguinte teste: tenta substituir a expressão por um sinônimo substantivo como "vadio" ou "imprudente". Se funcionar, coloca hífen. Se funcionar melhor substituindo por "desavergonhado" ou "despreocupado" no sentido adjetival, deixa separado. Esse método reduz o tempo de hesitação de uns 30 segundos para algo perto de três segundos por ocorrência. Uma limitação importante: essa regra não resolve casos de ambiguidade sintática, onde a função não fica clara pelo contexto imediato. Nesses casos, a escolha entre uma forma ou outra acaba sendo uma questão de preferência estilística, não de regra gramatical. Eu recomendo nesses cenários optares pela forma com hífen, que tende a ser mais amplamente reconhecida como nominal por corretores automáticos e editores.

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"Sem vergonha" (sem... - Fagundes Patias Advogados Associados