POTHIEDU Não Decore a Resposta. Entenda o Caminho

Situação Problema 1 Ano

Situação Problema 1 Ano

O que é e como aplicar na prática

A situação problema 1 ano não é um conceito místico da pedagogia. É uma forma de apresentar problemas reais ou verossímeis para crianças de seis a sete anos, de modo que elas precisem usar o conhecimento que já têm para tentar resolvê-lo. A ideia central é simples: em vez de chegar na lousa e dizer "hoje vamos aprender soma", você coloca a turma diante de algo que faz sentido no contexto delas e deixa que descobram, sozinhas ou em grupo, como proceder. O primeiro passo é escolher um contexto. Pode ser tão simples quanto distribuir balas, organizar lápis de cor, contar alunos presentes e ausentes, ou comprar material escolar com dinheiro de brinquedo. O que funciona na prática depende do conteúdo que você quer trabalhar, mas o mais importante é que o problema tenha relação com a realidade das crianças. Eu já perdi tempo pensando em cenários complicados demais. Já tentei criar situações envolvendo lojas, mercadorias e troco com valores que nenhuma criança de primeiro ano reconhece. O resultado era que elas travavam antes mesmo de começar a resolver, porque o problema parecia distante do mundo delas. A solução foi simples: voltar ao básico. Contar objetos que existem na sala de aula, pedir para agrupar materiais, comparar quantidades. Funciona muito melhor.

Depois de montar o problema, você precisa decidir se vai apresentar de forma oral, com os objetos na mesa, ou com apoio visual. Para o primeiro ano, o concreto é essencial. Crianças dessa idade ainda estão construindo noções abstratas. Se você falar apenas "Maria tinha cinco bolinhas e ganhou três", muito provavelmente elas vão decorar o procedimento sem entender o que está acontecendo. Se você colocar as bolinhas na mesa, deixar que manipulem, agrupem, contem, aí sim a compreensão acontece. Um detalhe que muitos esquecem: o problema precisa ter uma resposta aberta o suficiente para permitir diferentes caminhos. Se todas as crianças chegam exatamente ao mesmo procedimento, algo está errado. Na minha experiência, quando um aluno resolve contando um a um, outro agrupando de dois em dois, e outro usando decomposição, todos estão corretos. O objetivo não é encontrar o método mais rápido, mas sim construir significado.

O erro mais comum ao trabalhar situação problema no 1º ano

O maior problema que vejo repetidamente é o professor apresentar a situação, deixar as crianças tentarem resolver, e quando percebem que não conseguem, simplesmente dar a resposta ou o procedimento correto na hora. Isso anula todo o propósito. A situação problema só funciona se houver tempo real para a tentativa, o erro, a discussão e a construção coletiva. Outro erro frequente é o uso de situações que exigem competências que a criança ainda não tem. Pedir para resolver problemas de adição com rebusque usando apenas materiais concretos limitados é frustrante e improdutivo. Nesse caso, é melhor voltar para situações que envolvam agrupamentos sem necessidade de reagrupamento, ou então fornecer materiais suficientes para que a criança consiga representar mentalmente o que está fazendo. Também é comum ver professores transformando a situação problema em exercício disfarçado. Eles colocam o problema, mas já dão dicas que levam diretamente ao procedimento esperado. Isso mata a autonomia. A criança precisa sentir que não sabe, que precisa pensar, que pode errar. É nesse espaço que a aprendizagem significativa acontece.

Atividades Situação Problema 1 Ano - NAZAEDU
Atividades Situação Problema 1 Ano - NAZAEDU

Exemplo prático

Vamos a um exemplo que usei recentemente. Tinha uma caixa com 8 tampinhas e mais uma caixa com 5 tampinhas. Perguntei: quantas tampinhas temos no total? Deixa eu ver como cada criança respondeu. Uma contou todas as tampinhas uma a uma. Outra contou as 8 e continuou contando a partir daí: 8, 9, 10, 11, 12, 13. Outra já sabia que 8 mais 5 dá 13 de memória. Nenhuma resposta estava errada. Todas estavam certos processos válidos. O trabalho do professor era fazer circular entre elas, perguntar como pensaram, registrar no quadro os diferentes caminhos, e só no final destacar que todas chegaram ao mesmo resultado por estratégias diferentes. Se o conteúdo for subtração, o exemplo funciona de modo semelhante. Colocar 12 figurinhas na mesa, pedir para tirar 4, e observar como cada criança procede. Algumas contam de trás para frente. Outras contam quantas faltam para completar. Outras ainda usam a relação inversa entre adição e subtração. Todas essas estratégias são legítimas e importantes.

Quando a situação problema não funciona

É preciso ser honesto sobre as limitações. Situação problema não é adequada para todos os momentos. Se a turma ainda não tem repertório nenhum sobre o conteúdo, apresentar um problema pode gerar apenas frustração. Nesse caso, é necessário um trabalho preliminar de familiarização com os conceitos antes de propor a situação problema propriamente dita. Também não funciona bem em turmas muito numerosas, onde o professor não consegue acompanhar as discussões de cada grupo. O ideal é trabalho em pequenos grupos ou em roda, com mediação ativa. Se a turma tem mais de 30 alunos e o professor está sozinho, a situação problema tende a se transformar em caos ou em exposição magistral disfarçada. Por fim, a situação problema demanda tempo. Muito mais tempo do que uma lista de exercícios. Se o planejamento anual não prevê espaço para isso, ou se a pressão por avaliação formativa força o professor a cobrar resultados rápidos, a abordagem simplesmente não sobrevive. Nesse cenário, é mais honesto usar exercícios tradicionais com clareza sobre o que se está fazendo, do que forçar uma metodologia que não cabe no tempo disponível.

O material de apoio para trabalho com situação problema 1 ano está amplamente disponível nos cadernos didáticos da maioria das Secretarias de Educação estaduais e municipais, além de plataformas como o Portal do Professor e o Nova Escola. O que faz a diferença não é o material em si, mas como o professor o utiliza: com flexibilidade, observação atenta das crianças e disponibilidade para deixar o processo acontecer no ritmo delas.

SITUAÇÃO PROBLEMA - 1º ANO
SITUAÇÃO PROBLEMA - 1º ANO