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Skatepark Carlos Alberto Parizzi

Skatepark Carlos Alberto Parizzi

O skatepark que carrega o nome de quem abriu caminho no skate paulistano

Vou direto ao ponto porque não tenho paciência para introduções longas. O skatepark Carlos Alberto Parizzi fica na região da Mooca, em São Paulo, e é um dos locais mais respeitados do cena skatista da cidade. Não é o maior que existe, mas tem uma geometria interessante que vale a pena conhecer se você mora por aí ou passa perto. O endereço é na Rua José Paulino, perto do metrô Mooca. Você desce na estação e caminha uns cinco minutos. Tem entrada gratuita, funciona durante o dia todo, e o horário mais movimentado é entre 14h e 18h, quando os skatistas locais aparecem depois do trabalho ou da faculdade. Chegar nessas horas significa dividir a pista com gente que realmente domina o lugar. O chão é de concreto bem tratado, diferente de muitos parks municipais que ficam abandonados e ficam com a superfície esburacada em dois anos. Isso aqui é mantido. A iluminação noturna também funciona, então dá para treinar depois do escurecer sem depender de lanterna ou celular ligado.

A estrutura tem bowl médio, quelques railares de alturas variadas, e uma seção de ledges que serve tanto para iniciantes quanto para quem já faz trick mais avançado. O que me faz voltar lá especificamente é a combinação desses elementos num espaço relativamente compacto. Você não precisa cruzar a cidade inteira e ainda consegue fazer três coisas diferentes seguidas sem se cansar de caminhar. Tem um detalhe que muita gente não percebe: o bowl principal tem uma transição ligeiramente mais pronunciada na parte final, o que faz com que quem tá aprendendo a entrar e sair dele precise ajustar o peso do corpo mais cedo do que em bowls convencionais. Na primeira vez que tentei, bati o calcanhar na borda porque não esperei o ângulo fechar direito. A solução foi simplesmente descer um pouco mais lento na primeira transição e só acelerar quando já estava na parte funda. Leva uns dez minutos de adaptação, mas compensa porque depois você ganha velocidade real no bowl. Outra coisa que ninguém conta é sobre os rails. O mais usado é aquele de metal fixo na altura média, por volta de cinquenta centímetros do chão. A superfície dele escorrega muito quando chove, mesmo que seja uma garoa fina. Eu já escorreguei trois vezes no mesmo rail num mês chuvoso e praticamente me quebrei em duas delas. O truque é usar shoes com solado mais gripado e, se possível, escolher um dia seco ou esperar o sol secar bem o metal antes de tentar grinds mais longos. Tentar boardslide num rail molhado é pedir para se lesionar.

Se você é iniciante absoluto, recomendação direta: chegue cedo, antes das 14h, quando o park tá praticamente vazio. Tem uma rampa de Wooden setup na lateral que serve pra prática de ollie e manual sem tanta pressão. Fica no canto esquerdo entrando pelo portão principal. Se chegar tarde, vai ter que dividir espaço com skatistas que fazem trick repetidamente e não têm paciência pra quem tá engatinhando. O parque também tem uma limitação séria que precisa ser dita: não tem bancada para sentar e nem bebedouro funcionando. Leve água. O banheiro público mais próximo é o do shopping da Mooca, uns doze minutos a pé. Isso pode parecer bobagem, mas numa sessão de duas horas sem hidratação adequada o desempenho cai bastante, especialmente no calor de São Paulo que sobe rápido em outubro.

Skatepark Carlos Alberto Parizzi traz visual esportivo e jovial para a ...
Skatepark Carlos Alberto Parizzi traz visual esportivo e jovial para a ...

Treinar lá vale a pena? Sim, com ressalvas.

O skatepark Carlos Alberto Parizzi não é perfeito. A falta de sombra no horário do meio-dia é um problema real no verão, e a quantidade de bancos para descanso é praticamente zero. Mas a qualidade do concreto e a variedade de obstáculos num raio pequeno justificam a visita. É o tipo de lugar que todo skatista de SP deveria conhecer pelo menos uma vez. Se você vier de fora, recomendo ir com calçado velho mesmo. Riscar um par novo num local aberto e com muitas pessoas é questão de tempo. E leve proteção básica se ainda não domina os movimentos de queda. Fratura de pulso é o acidente mais comum aqui, e acontece porque muita gente tenta trick sem saber como cair primeiro. Resumindo: vá de manhã cedo se puder, leve água, use sapato com bom grip, e respeite a hierarquia não oficial do lugar. Os skatistas locais são gente boa desde que você não ocupe o rail central fazendo tentativa número trinta seguido sem evoluir. Dá licença, observou um pouco, e entra na roda com humildade. O resto se resolve sozinho.

Acesso gratuito, endereço acessível via transporte público, estrutura mantida. Difícil pedir mais do que isso num skatepark público brasileiro. Só não esqueça o protetor solar e a paciência.