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Sonic Antes E Depois

Sonic Antes E Depois

O que é sonic antes e depois

A técnica de sonic antes e depois nada mais é do que a prática de comparar uma gravação original com a versão processada dela. Parece bobo falar algo tão óbvio, mas a maioria das pessoas faz isso errado. E fazer errado significa tomar decisões ruins na mixagem porque você acha que um equalizador está funcionando quando na verdade não está. Eu já vi engenheiros alterarem todo o equilíbrio de uma mixagem baseado em uma comparação mal feita, tipo dois cliques no botão de bypass de um plugin que demorava 200ms para resetar. Durante esse tempo de latência, o cérebro já havia criado uma memória de que o som estava melhor, mesmo quando na verdade era só o ganho subindo 3dB por causa de uma compensação automática mal calibrada.

sonic antes e depois na prática

O método real funciona assim: você precisa ter um sistema de A/B que seja verdadeiramente transparente em nível de volume. Se o processador adiciona ganho, você tem que corrigir isso antes de comparar, senão seu cérebro vai sempre votar na opção mais alta porque achamos subconscientemente que "som alto é melhor". Isso é chamado de bias de loudness e é um dos problemas mais comuns que eu encontrei em sessões de mix. Na prática, eu uso um medidor de LUFS integrado ao lado dos meus processadores. Quando alterno entre antes e depois, ambos os lados têm que estar em -14 LUFS integrado, senão a comparação não vale nada. Eu configurei um script no my Digital Audio Workstation que normaliza automaticamente cada canal antes do bypass, porque confiar nos ouvidos para essa correção é pedir para errar. O que acontece na realidade é que o sonic antes e depois bem feito economiza talvez 2 horas de mixagem por projeto, mas só se você conseguir manter a consistência de nível. O problema é que a maioria dos plugins não faz isso automaticamente. A solução que eu encontrei foi colocar um plugin de ganho compensatório logo após cada processo, definido para neutralizar qualquer mudança de volume que o efeito anterior trouxesse.

Como configurar um fluxo de comparação confiável

O primeiro passo é simples mas muitas pessoas pulam. Você precisa de um bus dedicado para a comparação A/B. No meu caso, criei um bus separado onde caminho o sinal dry e outro onde caminho o sinal processado, ambos passando pelo mesmo medidor de LUFS. A alternância é feita por um botão no console que desliga um canal e liga o outro instantaneamente. Eu tenho um setup específico que usei por anos. Na minha estante de processadores analógicos, tenho um switch que compara o sinal direto com o sinal que passa por compressores e equalizadores. O detalhe importante aqui é que esse switch tem relés verdadeiramente balanceados, o que elimina aquele micro-hiato que aparece quando você troca de caminho com comutadores eletrônicos baratos. Esse hiato é imperceptível na maior parte das vezes mas suficiente para estragar uma decisão crítica de mix. Se você não tem equipamento analógico, a alternativa digital é usar um plugin de comparação A/B como o Magic AB ou o Reference 2. Eles fazem o trabalho, mas têm uma limitação séria: a latência de processamento pode variar entre o caminho A e o B se você tiver plugins com compensação de delay desativada. Eu já perdi uma sessão inteira porque o plugin de comparação estava reportando uma diferença que na verdade era um desfasamento de fase de 4ms causado por essa latência.

Sonic antes e depois da mudança de visual. Fotos: Divulgação - Jornal Joca
Sonic antes e depois da mudança de visual. Fotos: Divulgação - Jornal Joca

O erro que mais custa tempo

O maior erro que eu vejo é não considerar o contexto. Comparar uma faixa de voz sola com e sem compressão é útil para ajustar o compressor daquela faixa. Mas se você aplicar a mesma compressão na mixagem final e ela soar diferente do que você ouviu isoladamente, é porque o contexto mudou. Os outros instrumentos estão competindo pela mesma frequência, e o que funcionou soando bem sozinho agora tá sumido na mistura. Eu desenvolvi um protocolo meu que resolve isso. Primeiro eu testo o processamento na faixa individual e ajusto. Depois eu coloco todas as faixas para tocar junto e faço uma nova escuta com e sem o processamento em questão. Aí sim eu decido se mantenho, ajusto ou descarto. Demora cerca de 30 segundos a mais por processo, mas evita que você gaste 20 minutos reprocessando algo que soava bem só mas estragava a mixagem inteira.

Ferramentas úteis

Para quem quer começar, existem algumas opções acessíveis. O plugin Waves Vocal Rider já vem com uma função de antes e depois embutida, embora eu ache a lógica de compensação de volume dele meio capenga — ele tenta manter o nível médio mas não lida bem com picos transitórios. Eu sempre coloco um compessor manual logo depois dele para segurar o que sobrou. Uma ferramenta que eu recomendo bastante é o iZotope RX, especificamente a função de A/B que vem no Spectral De-esser. O compare lá é preciso e o visualizador mostra exatamente o que está sendo removido ou alterado. Na prática, isso ajuda muito quando você está tratando problemas de sibilância porque você consegue ver se a redução está afetando apenas os sons de s e sh ou se está comprometendo outras frequências. Se o seu orçamento é apertado, o free plugin Voxengo SPAN tem uma função de comparação A/B bem simples que serve para começar. Você carrega duas versões do mesmo áudio e alterna entre elas. Não tem compensação automática de ganho, então você tem que fazer isso na mão ou confiar nos seus ouvidos, o que eu não recomendo para principiantes.

Dica específica que ninguém conta

Existe um truque que eu aprendi de um engenheiro que trabalha com mastering há mais de 20 anos. A técnica é chamada de "gain matching por média móvel". Basicamente, você pega o áudio antes e depois, calcula a média de ganho de cada um durante 3 segundos de silêncio relativo (quando não há transientes), e ajusta o ganho do processado para igualar o original baseado nessa média. Funciona porque em trechos silenciosos a diferença de nível é pura e simplesmente o ganho adicionado pelo processador, sem interferência do conteúdo musical. Eu fiz isso em uma mixagem de blues recentemente onde oeq que estávamos usando tinha um comportamento estranho de ganho variável dependendo da frequência. O ganho aumentava em frequências baixas e diminuía nas altas, criando um efeito de "boomy" que só ficava evidente quando comparávamos com a técnica de média móvel. Sem ela, parecíamos estar apenas afiando o som porque o ouvido humano tende a focar nas frequências médias-altas durante a comparação rápida.

Antes e depois de Sonic: o que mudou no visual do personagem? - Rolling ...
Antes e depois de Sonic: o que mudou no visual do personagem? - Rolling ...

Quando a técnica falha

Vou ser direto aqui porque ninguém fala disso: o sonic antes e depois não funciona bem quando o processamento envolve efeitos dinâmicos que dependem do contexto, como compressores com ataque e release muito agressivos. Nesses casos, o comportamento do compressor muda completamente dependendo do conteúdo que está sendo processado, e a comparação direta perde o sentido porque você não está comparando o mesmo material sonoro nas duas passagens. Também não recomendo usar essa técnica para decidir sobre reverbs e delays. O efeito de espaço criado por uma reverb depende inteiramente de quanta energia existe nas frequências ao redor, e um A/B simples não captura essa relação. Eu testei isso em várias ocasiões e cheguei à conclusão de que para efeitos de tempo e espaço, o método mais confiável é deixar o efeito ligado durante toda a mixagem e só fazer a comparação final em momentos específicos onde o efeito é totalmente desligado versus ativado, preferencialmente com um período de adaptação auditiva de 30 segundos entre cada estado. Se o objetivo é puramente técnico, como ajustar um eq, o A/B funciona muito bem. Se é artístico, como decidir se uma reverb soa bem, a coisa fica mais subjetiva e requer más vezes ir e vir entre os estados antes de tomar uma decisão. O ruim é que seu cérebro cansa rápido de alternar, então eu recomendo fazer pausas de 5 minutos a cada 20 minutos de comparação intensa, senão você começa a tomar decisões baseadas em fadiga auditiva em vez de julgar o som propriamente dito.