POTHIEDU Não Decore a Resposta. Entenda o Caminho

Sujeito Inexistente Exemplos

Sujeito Inexistente Exemplos

O que é sujeito inexistente

Sujeito inexistente é um conceito da sintaxe portuguesa para orações que não possuem sujeito algum. Isso acontece quando o verbo é impessoal, ou seja, não se relaciona com nenhum núcleo de sujeito. Na prática, isso significa que não existe ninguém fazendo a ação — a oração simplesmente descreve um fenômeno ou um fato sem agente. O problema é que muitos estudantes e até professores identificam erroneamente como sujeito aquilo que na verdade é um objeto direto ou um complemento. Já vi gente analisando "Choveu muchissimo ontem" e apontando "muito" como sujeito. Claramente errado, mas o erro é comum porque a intuição linguística popular não leva em conta a regência verbal correta.

sujeito inexistente exemplos práticos

Aqui vão os casos mais frequentes. Vou listar de forma direta, sem divagar. 1. Verbos que indicam fenômenos da natureza: Choveu na região serrana durante a madrugada.

Neva nas montanhas do Sul no inverno. Faz frio aqui em janeiro. Escureceu rapidamente.

Exemplos De Sujeito Inexistente - FDPLEARN
Exemplos De Sujeito Inexistente - FDPLEARN

Em todos esses casos, o verbo é impessoal. Não tem sujeito. O termo "na região serrana" é adjunto adverbial de lugar, não sujeito. "Rapidamente" é adjunto adverbial de modo. 2. Verbo "haver" no sentido de existir ou acontecer: Havia muitas pessoas na sala.

Houve muitos acidentes naquela rodovia. Na primeira vez que tentei explicar isso para uma aluna, ela insistiu que "muitas pessoas" era o sujeito. O problema é que "haver" no sentido de existir é sempre impessoal. Ele só ocorre na terceira pessoa do singular, independente do que vem depois. Se alguém concordasse no plural ("haviam muitas pessoas"), estaria errado gramaticalmente, embora essa forma errada seja comum na linguagem coloquial e até em textos jornalísticos. 3. Verbo "fazer" indicando tempo decorrido:

Faz dois anos que não o vejo. Já faz meses que não chove. Quando eu trabalhava com revisão de textos técnicos, recebia documentos com construções como "Fazem dois anos..." usando o verbo no plural. Sempre corrigia. O verbo "fazer" indicando tempo é impessoal e não flexiona.

PPT - SUJEITO (PARTE II): SUJEITO INEXISTENTE PowerPoint Presentation ...
PPT - SUJEITO (PARTE II): SUJEITO INEXISTENTE PowerPoint Presentation ...

4. Verbo "ser" indicando hora: São três horas da tarde. É onze horas da manhã.

Aqui há uma pegadinha interessante. Em "São três horas", alguns gramáticos tradicionais dizem que "três horas" funciona como sujeito, mas a análise mais aceita hoje é que se trata de uma oração sem sujeito, com o verbo sendo usado de forma impessoal para indicar horário. O importante é notar que a concordância varia: dizemos "É uma hora" e "São duas horas". Isso não é arbitrariedade — é a regra consolidada pelo uso.

Como identificar na prática

O teste mais confiável é tentar colocar a oração na voz passiva ou perguntar "quem pratica a ação?". Se não houver resposta possível, é sujeito inexistente. Por exemplo, em "Houve acidentes", não dá para perguntar "quem houve acidentes?" — isso não faz sentido. O verbo "haver" no sentido de existir não admite voz passiva, o que confirma a impessoalidade. Outro ponto importante: sujeito inexistente não deve ser confundido com sujeito oculto. No sujeito oculto, o sujeito existe, só está subentendido. Em "Falamos português", o sujeito é "nós", mesmo não aparecendo na forma explícita. Já em "Choveu", não há ninguém para ser subentendido. A chuva não é um sujeito; é um evento sem agente gramatical. Também é preciso diferenciar de orações sem sujeito de vez. A distinção é sutil. Orações com verbo "haver" no sentido de existir, verbos de fenômeno climático e verbos que indicam passagem de tempo são classificações específicas dentro do que chamamos de orações sem sujeito. "Sujeito inexistente" é o termo mais usado em manuais didáticos, mas em gramáticas mais técnicas aparece como "oração sem sujeito" ou "sujeito nulo". O conceito é o mesmo.

O Que é Um Sujeito Inexistente - FDPLEARN
O Que é Um Sujeito Inexistente - FDPLEARN

Pontos que costumam causar confusão

O caso do "se" partícula apassivadora versus índice de indeterminação do sujeito costuma gerar dúvidas. Em "Vende-se casa", o "se" é partícula apassivadora e a oração é passiva sintética — há sujeito ("casa"). Já em "Precisa-se de funcionários", o "se" é índice de indeterminação do sujeito e o verbo fica na terceira pessoa do singular sem sujeito explícito. A diferença está na transitividade: se o verbo é transitivo direto, o "se" é partícula apassivadora; se é transitivo indireto, é índice de indeterminação. Um erro muito comum é tratar "é proibido entrada" como correto. O certo é "É proibida a entrada" ou "É proibido entrar". Quando o verbo "proibir" vem com "de" e "se", como em "Proíbe-se a entrada", aí sim há sujeito ("a entrada") e o verbo concorda. Quando é inflexível e impersonal, fica no singular. Outra armadilha: verbos como "basta", "bastante", "baste" são frequentemente usados de forma imprecisa. "Basta de conversa" não tem sujeito. "Basta uma pessoa para saber" também é impessoal na análise mais corriente. O verbo fica no singular e não há como identificar um sujeito.

A recomendação mais prática é consultar a regência do verbo antes de analisar a oração. Se o verbo é intransitivo ou tem uso impessoal consagrado, não busque sujeito onde não há. A leitura atenta e o conhecimento da tabela de verbos impessoais resolvem a maior parte dos casos. Para os duvidosos, o teste da transformação para passiva e a verificação de concordância são as ferramentas mais diretas que existem.