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Tabela De Tons De Cabelo

Tabela De Tons De Cabelo

Como funciona na prática

Uma tabela de tons de cabelo é só um mapa de referência que mostra a cor do tubo em relação ao resultado esperado no cabelo. Nada mais, nada menos. A indústria cosmética criou esses cadernos visuais e cartas numéricas para padronizar o que cada produtor chama de "loiro natural" ou "castanho médio", porque senão todo mundo inventaria um nome diferente pra mesma cor e o salão viraria um absurdo. Os sistemas mais usados no Brasil são a escala internacional de 1 a 10, os tons da linha profissional como a Schwarzkopf, L'Oréal Professionnel, Wella, e as tabelas próprias de cada marca. Cada uma tem sua numeração. A 1 é preto intenso, a 10 é loiro muito claro. Entre eles vêm os cinzas, os dourados, os perolados, os violetas, os rubiros. A letra depois do número geralmente indica o subtom. T significa cinza ou transparente, A ou I significa perolado, G significa dourado, V significa violeta, R significa vermelho, M significa madrepérola, N significa natural.

O que você precisa saber antes de consultar uma tabela de tons de cabelo

O problema real é que a tabela não prevê o que o cabelo vai fazer. Ela mostra o tom do produto. O resultado final depende da história do cabelo. Já vi cliente chegar com a cabeça toda manchada de tinta vegetal e a tabela mandando clarear nível 7. Resultado: cabelo preto queimado, sem absorver nada, e o técnico ainda perguntando por quê. A tabela é uma bússola, não um GPS com previsão de chegada. Aqui vai um caso que aprendi na unha: uma cliente veio com a raiz crescendo de um castanho muito escuro, nível 3, feito com tinta demorada há três meses. Queria loiro mel. Peguei a tabela do meu fornecedor, calculei a mistura, apliquei. O cabelo nas pontas, que já tinha sido clareado antes, abriu dois tons a mais que o esperado e ficou um amarelo pálido quase branco, enquanto a raiz só subiu um nível, num laranja avermelhado feio. O erro foi confiar na tabela sem considerar que o cabelo já processado absorveDeveloper de forma diferente. O workaround foi fazer uma correção com banho de massa colorante nível 8 com subtom cinza, deixando agir bem pouco tempo, e depois hidratar pesado. Demorou mais quinze minutos do que o planejado, mas resolveu. O que muita gente não leva em conta é que a temperatura do ambiente interfere na velocidade de ação do oxidante. Num salão quente no verão, a tinta pode abrir um passo a mais no cabelo. Em ar-condicionado, pode demorar. Isso está nas fichas técnicas, mas raramente alguém consulta antes de aplicar.

Outro ponto cego: cabelos muito porosos e cabelos danificados abrem mais rápido e puxam mais cor. Se o cabelo tá raspado, quebradiço, com brilho ceroso, a tabela inteira não vai te salvar de um resultado desigual. O correto é testar uma mecha antes. Teste de mecha leva uns vinte minutos e evita dez horas de dor de cabeça. As tabelas profissionais têm duas partes principais. Uma mostra a cor do produto. A outra mostra a cor esperada no cabelo segundo o nível de base. A base é o que resta quando você clareia. Nível 4 ainda tem pigmento laranja. Nível 6 tem amarelo. Nível 8 tem amarelo claro. O pigmento residual é o que define se o tom final vai ficar limpo ou sujo. Um loiro perolado aplicado em base laranja vai dar um bege escuro esverdeado. É a lei da cor: o violeta neutraliza o amarelo, o azul neutraliza o laranja. Sem entender isso, a tabela é só um catálogo bonito. Outra coisa que ninguém fala: o volume do oxidante altera o resultado tanto quanto o tom. Oxidante 20 vol abre cerca de dois níveis. Oxidante 30 vol abre cerca de três. Oxidante 40 vol abre mais, mas exige cuidado porque prejudica a fibra. Para cobrir grisalhos, o padrão é usar oxidante 20 ou 30 junto com tonalidade natural. Para clarear, sobe o volume e o nível. Misturar tudo no olho leva a erro todo dia.

Cores de Cabelo: Inspirações e Dicas | Tons de tinta de cabelo, Tabela ...
Cores de Cabelo: Inspirações e Dicas | Tons de tinta de cabelo, Tabela ...

Existe ainda a diferença entre tono sobre tono e clareamento. Tono sobre tono não abre o cabelo. Só deposita cor. Se a tabela mostra que um 7.1 cai num 6.1, pode ser que não caia num 7.1 porque o cabelo já tá naquele nível. Aí não adianta aumentar o tempo. É só depositar e respeitar o nível. Se você for fazer a própria tabela ou escolher uma pra usar, olhe se ela vem acompanhada de dados técnicos. A ficha técnica deve ter tempo de ação, compatibilidade de oxidante, nível de cobertura de grisalhos, e se o produto contém amônia ou substituente. Produtos sem amônia costumam ser mais suaves, mas também demoram mais e cobrem pior grisalhos. A tabela mostra a cor, mas a composição química decide se a cor vai entrar de verdade. Há tabelas gratuitas online, como as da L'Oréal Professionnel e da Wella, que podem ser baixadas direto dos sites das marcas. Basta entrar na área profissional e procurar por ficha técnica ou tabela de cores. Não tem custo. Só precisa de cadastro se quiser acesso a informações mais completas.

O maior problema prático que vejo é a falta de consistência entre lotes. Dois tubos do mesmo número, de duas fabricantes diferentes, às vezes ficam levemente deslocados. Por isso muitos técnicos mantêm uma tabela própria, anotando em cada lote como aquele tubo se comportou no cabelo de cada cliente. Leva tempo, mas reduz a margem de erro. Se o seu objetivo é só montar uma tabela simples pra uso diário, você pode fazer assim: pegue uma folha de papel com amostras de cabelo de clientes que já foram atendidos, anote o código do produto, o oxidante usado, o tempo, e o resultado final. Agrupe por nível. Você vai perceber padrões que a tabela oficial não mostra. Por exemplo: o 7.3 dessa marca específica tende a ficar 0,5 tom mais escuro em cabelos muito porosos. Anotar isso economiza ajustes no meio do serviço. Tabela de tons de cabelo é ferramenta, não dogma. O cabelo manda. A tabela obedece. Use com critério.