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Televisão Dos Anos 2000

Televisão Dos Anos 2000

Televisões dos anos 2000: o que funcionava, o que quebrava e como consertar

Se você ainda tem uma TV de tubo ou um plasma daqueles pesados funcionando em casa, já deve ter notado que elas têm um comportamento bastante específico. A televisão dos anos 2000 não é um dispositivo unitário — ela é um conjunto de módulos que envelhecem de formas diferentes. O problema principal é que a maioria das pessoas tenta diagnosticar falhas olhando para o sintoma errado. A imagem distorcida geralmente não vem do tubo, vem da placa de processamento de sinal. O som cortando não é o alto-falante, é o capacitor da fonte chaveada ressecando. Fui chamado para reparar uma Thomson CRT de 29 polegadas que apresentava uma linha horizontal brilhante no centro da tela. O diagnóstico mais óbvio seria defeito no tubo de raios catódicos, mas nessa linha de equipamento a linha horizontal quase sempre indica falha no circuito defletor vertical da placa principal. Troquei o capacitor eletrolítico de 1000µF 35V na posição C412 e o problema sumiu. A placa original vinha com componentes de baixa qualidade — capacitores da marca Elite Capacitor, que já eram problemáticos quando fabricados. Recomendo substituir porNichicon ou Panasonic de linha industrial se for fazer manutenção preventiva.

Entendendo a televisão dos anos 2000 na prática

A geração de TVs que vamos discutir aqui abrange aproximadamente de 1998 a 2007, quando a transição do CRT para as tecnologias planas ainda estava engatinhando. O mercado brasileiro tinha uma particularidade interessante: as TVs importadas da Coreia e China competiam com os modelos nacionais da Gradiente, Semp e Magnavox. Cada uma com problemas diferentes. As CRTs da época usavam dois tipos principais de tuners: os analógicos tradicionais e os híbridos ready-DTV, que já traziam sintonizador digital integrado mas ainda dependiam de decodificador externo para os canais fechados. Se você está tentando captar sinal analógico hoje em dia em alguma região que ainda não fez o switch-off completo, precisa entender isso. O tuner híbrido tem um bypass que às vezes falha, deixando o sinal analógico mudo mesmo quando a imagem aparece normal. Um insight que pouca gente considera: a tensão de aceleração do tubo CRT não é fixa. Ela varia entre 18kV e 30kV dependendo do modelo e da idade do equipamento. Medir com multímetro comum é impossível — você precisa de um probe de alta tensão de pelo menos 40kV. A maioria dos técnicos amadores queima o multimetro tentando medir isso. O sintoma de tensão de aceleração baixa é uma imagem escassa, quasi preta, que só melhora quando a TV esquenta. Não confunda com defeito no flyback, que é outra coisa.

Quanto aos plasmas Samsung e LG daquela geração, o problema crônico era a degradação dos subpixels. Após cerca de 40 mil horas de uso, os pixels azuis degradavam mais rápido que os vermelhos e verdes, causando dominância alaranjada na imagem. Isso não tem conserto — a única solução é troca do painel, que custa mais que o equipamento usado. Se estiver comprando um plasma usado, peça para rodar um teste de tela branca por 15 minutos antes. Se notar qualquer Manchas escuras ou variação de brilho entre as regiões, deixe na loja. As LCDs de primeira geração, aquelas com backlight de CCFL, tinham um problema interessante. Os inversores de lampada funcionavam com alta frequência — normalmente entre 50kHz e 100kHz. Com o tempo, o transformador do inversor entrava em curto parcial, causando cintilação que piorava com o aquecimento. Já resolvi isso substituindo o transformador T1 da placa inversora em uma Acer eKAR6 por um genérico de 12V com as mesmas especificações de núcleo de ferrite. Funcionou por dois anos até o novo transformador também falhar. A solução definitiva seria trocar toda a barra de CCFL e adaptar um kit de LED, mas aí entra uma modificação que não recomendo para quem não tem experiência com eletrônica de potência. O DVD integrado naquelas TVs era outro ponto fraco. Os mecanismos de transporte da Philips e Sony usados pelos fabricantes de TVs tinham uma taxa de falha de aproximadamente 15% após cinco anos. O problema mais comum era o sensor óptico sujo ou desalinhado, mas o mais frequente era o motor de travessia desgastado. Limpar a lente com álcool isopropílico e ajustar o trimmer de foco na placa do laser resolve cerca de 60% dos casos. Nos outros 40%, o motor precisa ser substituído por um igual de fonte segura, senão o disco escorrega e risca.

O Legado das Séries de TV dos Anos 2000.
O Legado das Séries de TV dos Anos 2000.

Se você está lidando com uma dessas TVs hoje, o mais importante é saber quando vale a pena consertar e quando não vale. Uma CRT bem conservada pode durar décadas e a reprodução de imagem é superior a qualquer LCD barato atual para conteúdo analógico e videogames retrô. Um plasma dos anos 2000 dificilmente compensa o investimento em reparo, a não ser que você tenha acesso a peças de graça. Uma LCD CCFL de boa marca, desde que o painel não tenha pixel travado, ainda é viável para uso básico. O que eu vejo muitos gente errando é tentar usar adaptadores de sinal arbitrariamente. Conectar um Xbox 360 diretamente na entrada composto de uma TV dos anos 2000 vai entregar uma imagem péssima porque o sincronismo de vídeo não é o mesmo. O correto é usar um conversor SCART para RCA com processador de sinal dedicado, ou melhor ainda, um adaptador S-Video que separa luminância de crominância e melhora significativamente a nitidez. A diferença é notável, principalmente em jogos e filmes antigos. Para quem quer manter essas TVs funcionando, estoque três coisas: capacitores eletrolíticos de 1000µF e 2200µF em várias tensões, resistores de potência de 10 a 100 e fusíveis de 5x20mm nos valores mais comuns. A maior parte das falhas que aparecem nos primeiros dez anos de uso está relacionada a esses componentes, não a CI's ou partes mais caras. Substituir os capacitores da fonte de todas as TVs que estão na sua bancada leva uns 20 minutos por unidade e previne talvez 70% das futuras paneis. É trabalho chato, mas funciona.

Diferenças regionais que afetam o funcionamento

No Brasil, a televisão dos anos 2000 conviveu com o sistema de sinal analógico NTSC-M, herança das emissoras que transmitiam em coreano e japonês antes da padronização. Isso significa que TVs importadas sem conversor de banda podiam ter problemas de cor ou estabilidade de imagem se conectadas diretamente à antena brasileira. O ajuste de fase do demodulador de cor precisava ser feito manualmente na maioria dos modelos, usando o trimmer TP-C ou similar na placa principal. Sem esse ajuste, as imagens ficavam lavadas ou com tons esverdeados, independentemente do controle de cor estar configurado. Modelos nacionais como os da Gradiente e Semp tinham ajustes de fábrica específicos para a rede elétrica brasileira, que varia entre 110V e 220V de forma irregular. A fonte chaveada desses aparelhos era projetada para tolerar flutuações de até ±20% na tensão de entrada. Fora dessa faixa, os capacitores da ponte retificadora sofriam mais e envelheciam precocemente. Se sua região tem problemas de tensão, considere usar um stabilizador ou pelo menos um NOBreak com regulação automática. O custo de reposição dos capacitores da fonte em uma TV desses anos é baixo, mas o tempo gasto consertando pode valer mais do que o aparelho. Uma coisa que muita gente não sabe sobre os Plasmas da Samsung e LG é que eles exigiam ventilação ativa obrigatória. O dissipador de calor interno tinha um ventilador de 12V que precisava funcionar constantemente. Se o ventilador parasse ou rodasse devagar, a proteção térmica desligava a TV automaticamente. Já vi vários equipamentos sendo descartados porque a pessoa achava que o problema era na placa principal, quando na verdade era só o ventilador entupido de poeira. Limpar o filtro de ar e lubrificar o eixo do ventilador resolve na maioria dos casos. Se o ventilador estiver estragado, qualquer outro de 12V com o mesmo formato e fluxo de ar suficiente serve — não precisa ser o original.