Telhado De Aço Galvanizado
Como lidar com telhado de aço galvanizado na prática
Muita gente fala bem desse material sem nunca ter instalado um. A questão é que aço galvanizado tem particularidades que aparecem só quando você vai pregar a placa no lugar. O revestimento de zinco protege, sim, mas ele não é mágica. Se você tratar com descuido, vê ferrugem em dois anos e ainda não consegue explicar direito onde erraram. O processo de galvanização por imersão a quente aplica uma camada de zinco que reage metalurgicamente com o aço. Isso forma ligas de Zn-Fe na superfície. A espessura média fica entre 275g/m² e 400g/m² de zinco, dependendo da norma que você seguir. Normas mais rigorosas exigem mais zinco, claro. O problema é que fabricantes vendem telhas com especificação genérica e a proteção varia muito de lote para lote.
O que você realmente precisa saber sobre telhado de aço galvanizado
Vou começar pelo erro mais comum que eu vejo em obra. As pessoas acham que podem furar o telhado onde quiser, usar parafuso simples e pronto. Acontece que cada furo quebra a continuidade do zinco. O furo exposto começa a oxidar pelo lado de dentro pra fora, e a ferrugem sobe pela rosca do parafuso. Eu já vi telhado galvanizado estragado de baixo pra cima por causa disso. A solução correta envolve buchas vedatórias com anel de EPDM. O parafuso autoaterrilhante precisa ter cabeça rebaixada e o anel tem que estar novo, limpo e sem ressecamento. Antes de comprar o kit de fixação, verifique se o anel tem dureza Shore 60 ou mais. Anéis baratos ficam duros no sol e não sellam direito depois de seis meses. Outra coisa que ninguém ensina: o_telhado de aço galvanizado expande e contrai. A dilatação térmica é de aproximadamente 12 micrômetros por metro para cada grau Celsius de variação. Num telhado de dez metros, isso significa cento e vinte micrômetros de movimento por grau. Em São Paulo, a diferença entre noite fria e dia quente pode passar de quinze graus. O telhado se move bastante durante o ano. Se você aparafusar firme demais ou não respeitar os folgas nos furos, a chapa acaba empenando ou o furoalonga.
Os furos de fixação precisam ter diâmetro cinco por cento maior que o diâmetro do parafuso. Esse folgo é essencial. Sem ele, a chapa trava e a tensão térmica provoca deformação permanente ou afrouxa as fixações com o tempo. Eu uso broca oito milímetros pra parafuso cinco milímetros na maior parte das situações. O resultado é fixação que aguenta vento forte sem trincar a placa. Sobre a sobreposição das chapas, a recomendação geral é de pelo menos uma onda completa entre chapas adjacentes. No caso de telhas perfiladas, você cruza duas ondulacoes completas na emenda longitudinal. A emenda transversal depende do declive. Abaixo de trinta graus, use selante polissulfídico na sobreposição e prenda com parafuso a cada trinta centímetros. Abaixo de vinte graus, o risco de infiltração por capilaridade é real. Nesse caso, prefira tela impermeabilizante ou manta betuminosa sob a emenda. Tem um detalhe que poucos mencionam sobre o acabamento. O aço galvanizado não aceita tinta comum diretamente. A superfície de zinco precisa de conversão química antes de qualquer pintura. Eu uso fosfatizante à base de zinco ou primer epóxi à base de silicato de zinco. Depois de tratado, qualquer tinta acrílica ou poliuretânica adere normalmente. Sem esse passo, a tinta descasca em placas dentro de um ano no externo.

Vale mencionar também a questão dos recortes. Cada corte expõe o núcleo de aço. O zinco queima no corte de serra circular e deja uma borda nua que oxida rápido. Eu passo verniz de zinco líquido em spray em todos os recortes imediatamente após o corte. Demora uns segundos por peça e evita corrosão prematura nas extremidades. O produto custa cerca de cinco reais por litro e rende bastante. O grande defeito que esse material tem é a corrosão galvânica. Se o aço galvanizado encostar em alumínio ou cobre, a reação eletroquímica acelera a degradação do zinco. Eu já vi calhas de alumínio coladas em telha galvanizada sem isolamento e o zinco desapareceu em três anos na região de contato. Sempre use separadores de borracha ou fita butílica entre metais diferentes. Também não adianta instalar em dias extremamente quentes com a chapa sob sol direto e depois apertar tudo como se estivesse à temperatura ambiente. A chapa dilatada ocupa mais espaço. Quando esfria, ela encolhe e a fixação fica folgada. O ideal é instalar no final da tarde ou muito cedo, quando a temperatura estiver estável. O telhado já nasce com tensões erradas nesse cenário e isso gera ruído de batida nas noites de frio.
Se você mora em região litorânea, considere um telhado com galvanização adicional, tipo G90 ou G115, ou invista em telha galvanizada com pintura termolacrada. O zinco padrão aguenta, mas a velocidade de corrosão por cloretos é significativamente maior. Em Santa Catarina, por exemplo, a manutenção preventiva anualmente é recomendada, senão a vida útil cai de quinze anos para oito ou nove. Eu costumo revisar os parafusos após o primeiro ciclo de quatro estações. Aperto de novo, troco anéis que estão ressecados e reaplico zinco líquido nos cortes que aparecem. Isso leva uns trinta minutos num telhado residencial médio e evita chamados de garantia no segundo ano.
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