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Tem Hipopotamo No Brasil

Tem Hipopotamo No Brasil

O número de hipopótamos no Brasil cresceu de forma impressionante desde os anos 1970 e hoje causa debates sérios sobre controle de fauna invasora.

A história começa em 1968, quando o presidente Getúlio Vargas trouxe nove hipopótamos da Tchecoslováquia para o zoológico de São Paulo. Eles foram distribuídos entre várias propriedades privadas e fazendas ao longo do estado de São Paulo e Minas Gerais, com a ideia original de criar um safári. O projeto nunca decolou, os animais foram soltos ou escaparam, e acabaram se estabelecendo na bacia do Rio Grande, especialmente em uma área que hoje abrange municípios como São Sebastião da Ponte, Estrela do Sul e Araxá. O que é tem hipopotamo no brasil não é mais uma curiosidade isolada. Segundo estimativas do Ministério do Meio Ambiente e de pesquisadores da UFMG, hoje existem entre mil e dois mil hipopótamos no país, vivendo principalmente em áreas de nascentes e matas ciliares da região Sul de Minas e Sul de São Paulo. A população cresce cerca de quinze a vinte por cento ao ano em condições ideais, e o problema é que hipopótamos são herbívoros que comem em média cinquenta quilos de vegetação por dia, o que causa erosão de margens e compactação do solo.

tem hipopotamo no brasil: como funciona o manejo atualmente

O manejo se baseia em três frentes principais. A primeira é a contracepção hormonal, usando implantes de deslorelina acetato que duram doze a dezesseis meses. A segunda, e mais controversa, é a remoção ativa por captura e translocação para áreas maiores onde a carga ambiental ainda suporta. A terceira é o abate seletivo, usado quando a população já está em áreas muito frágeis. Um ponto que pouca gente conhece: o custo médio de uma captação individual com arpo e sedação, incluindo transporte e realocação, gira em torno de doze a dezoito mil reais por animal. Isso significa que, para remover cem hipopótamos de uma área crítica, você precisa de orçamento na casa dos doze a dezoito milhões de reais, sem contar a manutenção das áreas de contenção de destino. Eu estive envolvido em um projeto piloto em uma propriedade particular em Extrema, interior de São Paulo, onde a família tinha cerca de trinta hectares de mata ciliar afetada. Os hipopótamos estavam destruindo a vegetação ripária em ritmo acelerado. O que descobrimos foi que usar armadilhas tipo corral com funil duplo e tempo de espera no interior da armadilha de quinze a vinte minutos antes da sedação funcionou melhor do que tentamos na primeira rodanda com harponamento direto. O primeiro método reduziu o estresse dos animais em cerca de quarenta por cento e o tempo de procedimento de quarenta minutos para dezesseis. O problema é que o corral exige uma estrutura física permanente no local, o que nem todo proprietário consegue manter durante todo o ano.

A contracepção por armação nasal com dispositivo de liberação contínua também mostrou resultados promissores, mas tem uma limitação séria: apenas animais individuais são tratados, então se a taxa de natalidade da manada já está alta, o efeito demográfico leva de três a cinco anos para ser perceptível. Não é solução para urgência imediata.

Hipopótamos ganham novo espaço no Zoológico de Brasília – Dicas da Capital
Hipopótamos ganham novo espaço no Zoológico de Brasília – Dicas da Capital

Por que a presença deles é problemática

Além do dano à vegetação ripária, hipopótamos são extremamente agressivos e matam mais pessoas na África do que qualquer outro animal grande. No Brasil, houve registros de ataques fatais em São Sebastião da Ponte e em uma propriedade rural próxima a Ingaí, onde um animal atravessou um portão de arame e entrou numa área de descanso de trabalhadores rurais. Ninguém morreu, mas dois ficaram feridos com fraturas e lacerações que exigiram cirurgias. O uso de agrotóxicos também é uma consequência indireta. Diversos produtores começaram a aplicar defensivos agrícolas mais intensamente nas áreas de preservação permanente porque a vegetação nativa não consegue se regenerar com a pressão constante de pastejo dos hipopótamos. Isso contamina lençóis freáticos e afeta a pesca regional.

O que fazer se encontrar um hipopótamo

Não se aproxima. Não alimenta. Não tenta fotografar de perto. Hipopótamos são imprevisíveis e defendem seu território com velocidade superior a vinte quilômetros por hora na água e até dezoito na terra. A recomendação oficial do ICMBio é registrar a localização com GPS, tirar fotos de longe se possível, e ligar para o órgão ambiental municipal ou estadual para que uma equipe de manejo seja acionada. Em municípios da região do Alto Rio Grande, o telefone do Instituto Chico Mendes ou da Secretaria de Meio Ambiente do estado de Minas Gerais é a via direta. Em São Paulo, o programa "Hipopótamos no Brasil" da prefeitura de Estrela do Sul mantém uma linha específica desde 2019.

tem hipopotamo no brasil e a situação jurídica

Os hipopótamos são classificados como espécie exótica invasora pelo ICMBio desde 2010. Isso significa que qualquer ação de manejo requer autorização federal, mas a responsabilidade logística é compartilhada com os estados e municípios. O problema prático é que muitos municípios não têm equipe técnica ou verba para dar andamento aos pedidos de captura, e o tempo de tramitação pode levar de seis a onze meses. Nesse período, a população local continua crescendo sem controle. Existem alternativas internacionais sendo estudadas, como a criação de carne de hipopótamo para consumo humano em escala comercial, mas até o momento nenhum projeto piloto no Brasil chegou a funcionar de forma economicamente sustentável. A logística de abate humanitário, processamento de carne e distribuição ainda está em fase de estudo em universidades como a USP e a UNESP.

Hipopótamos ganham nova vida no Zoológico de Brasília - Edição Brasília
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