Tema Redação 2015 Enem
Entendendo a proposta de redação do ENEM 2015
O tema da redação do ENEM em 2015 foi "A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira". A prova discursiva exigia que o candidato construísse um texto dissertativo-argumentativo em prosa, com no mínimo 7 e no máximo 30 linhas, desenvolvendo um projeto de texto sobre o tema proposto. O INEP, órgão responsável pela aplicação, disponibilizou textos motivadores — poemas, charges, dados estatísticos e trechos de leis — para subsidiar a argumentação. A estrutura padrão do ENEM sempre pede uma tese clara, argumentos bem articulados e uma proposta de intervenção detalhada na conclusão. O tema de 2015 seguia esse padrão. O que diferencia esse ano de outros é a carga emocional e a facilidade com que candidatos podiam cair no lugares-comuns, usando frases feitas sem substância factual.
tema redação 2015 enem: o que os corretores realmente avaliaram
Quando li provas corrigidas nos anos seguintes, percebi que a competência 1 — demonstrar domínio da norma culta — costuma ser o primeiro filtro. Candidatos que erravam crase, concordância ou pontuação tinham notas muito abaixo da média, independentemente da qualidade do argumento. Não adianta ter uma tese brilhante se o texto mostra desleixo ortográfico. Já na competência 5, que avalia a proposta de intervenção, os erros mais frequentes eram genéricos demais. Frases como "o governo deve combater a violência" apareciam repetidamente. O ENEM exige que a proposta aponte agente, ação, meio ou instrumento e efeito, de forma específica. Uma proposta que funciona é algo como "o Ministério da Educação, em parceria com as secretarias estaduais de saúde, implementar palestras obrigatórias em escolas públicas sobre cultura do consentimento, com acompanhamento semestral dos resultados por meio de indicadores de reincidência". Isso é concreto. Há um detalhe que pouca gente considera: a coesão textual. Na competência 2, conectivos mal empregados custam pontos. Usei uma tática simples quando estava estudando para prova — escrevia cada parágrafo com um conectivo diferente no início, alternando entre "entretanto", "ademais", "conquanto", "porquanto". Isso forçava o cérebro a não repetir os mesmos mecanismos de ligação. Funcionou.
Como estruturar o texto na prática
A introdução precisa apresentar o tema e a tese. Não há espaço para rodeios. Um parágrafo de 4 a 6 linhas basta. Na minha experiência corrigindo simulados, a maioria dos candidatos escrevia introduções com 2 ou 3 linhas — muito pouco para desenvolver a ideia central sem soar superficial. Os desenvolvimento são onde a prova se decide. Cada parágrafo de desenvolvimento deve ter uma ideia-piloto clara no início, seguida de exemplos, dados ou citações que sustentem essa ideia. Para o tema de violência contra a mulher, dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública eram excelentes — mostravam que o Brasil teve 4.966 homicídios de mulheres em 2013, um aumento de 51,4% em uma década. Números assim dão peso ao argumento e evitam que o texto vire mera opinião. O problema que mais vejo é a falta de repertório sociocultural. Candidatos repetem a mesma charge ou o mesmo trecho bíblico em todas as redações. O ENEM valoriza conhecimento que vá além do senso comum. Citar o artigo 7º da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) já diferencia o texto de 80% dos candidatos. Não precisa ser profundo, mas precisa mostrar que o escritor pesquisou antes de escrever.

Erros comuns que derrubam a nota
Um erro frequente foi a propostade intervenção genérica. Muitos candidatos escreviam soluções que não mencionavam o agente responsável — quem executa? Qual ministério, qual prefeitura, qual órgão? Sem isso, a proposta não passa da competência 5. Outro erro crônico foi o enfraquecimento da tese ao longo do texto. Começava forte, mas nos parágrafos finais a argumentação perdia o foco. Li redações em que o candidato discutiu violência doméstica, migrou para feminicídio, depois falou de desigualdade salarial e terminou sem voltar ao tema central. Isso fere a competência 3 — compreensão e aproveitamento dos textos motivadores. O tema era específico: a persistência da violência contra a mulher. Sair do assunto custa pontos. Também é comum ver propostas que violam direitos constitucionais ou que são irrealistas. "Prender todos os homens suspeitos de violência" não é uma proposta viável nem juridicamente fundamentada. O corretor precisa ver coerência com a legislação brasileira vigente.
Recursos práticos para treinar
O site do INEP mantém no ar o banco de temas anteriores com os textos motivadores completos. Para 2015, há poema de Carolina Maria de Jesus, charge do Carlos Latuff, dados do Ministério da Justiça e artigo da Constituição Federal de 1988. Recomendo estudar todos eles antes de tentar escrever. Não adianta só ler o tema — o material de apoio é parte da prova e pode ser usado como base argumentativa. Para praticar, escreva cronometrando. O tempo ideal é de 50 minutos a 1 hora. Mais do que isso e você treina para escrever devagar, o que não é realista no dia da prova. Menos do que 40 minutos e você perde a oportunidade de revisar. Depois de escrever, peça para alguém corrigir ou compare com as notas oficiais divulgadas pelo INEP. As edições de 2015 e seguintes trouxeram amostras de redações Nota 1000, que servem como referência concreta do que é esperado. Lembre-se: uma nota máxima não significa escrita perfeita, mas sim cumprimento integral das cinco competências avaliadas.
detalhes técnicos que fazem diferença
Um detalhe que quase ninguém menciona: a legibilidade da letra. Sim, a redação do ENEM pode ser manuscrita. Candidatos com caligrafia ilegível já tiveram textos revertidos ou perdidos. Se a mão fecha, pratique a escrita com letras mais abertas e espaçadas durante os treinos. Isso não afeta o conteúdo, mas evita problemas logísticos desnecessários. Também vale notar que o tema de 2015 apareceu em contextos posteriores como referência. O INEP costuma retomar questões sociais semelhantes em anos diferentes. Estudar como outros candidatos abordaram o mesmo tema nos anos seguintes — 2016, por exemplo, trouxe "Campanhas de comercialização debebidas alcoólicas na internet" — ajuda a perceber padrões recorrentes na formulação das propostas de intervenção. A violência contra a mulher continua sendo um tema recorrente. O que mudou entre 2015 e agora foi a profundidade com que os corretores exigem soluções específicas. Em 2015, propostas mais superficiais ainda alcançavam notas altas por causa do número reduzido de participantes. Nos anos seguintes, a competição aumentou e o padrão de exigência subiu junto. Quem treina com base no tema de 2015 precisa adaptar esse padrão mais elevado.

Galeria
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Tema da redação do ENEM 2015 é elogiado nas redes sociais - Blog do Raoni -
Tema Redação Do Enem 2015 - RETOEDU -
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