Tesoura De Madeira Telhado
Montagem prática de tesouras de madeira para cobertura
A tesoura de madeira telhado é um conjunto triangular de peças de madeira conectado por chapas dentadas pressionadas hydraulicamente. O formato em triângulo distribui as cargas verticais para os apoios laterais, que geralmente são as alvenarias ou vigas de apoio. A geometria determina o caimento do telhado e o vão livre que pode ser coberto sem columnas intermediárias. Uma tesoura padrão com 6 metros de vão e 30 graus de inclinação suporta cerca de 75 a 90 kg/m² quando bem executada, dependendo da madeira e das ligações. A primeira coisa que define a qualidade não é a madeira em si, mas como as peças são cortadas e como as chapas são prensadas. Já vi gente repetir que o segredo está na teca ou no eucalipto tratamento, mas o problema real aparece nos cantos das conexões. Se a peça de encosto não assenta totalmente contra a peça de tensão antes da prensagem, a chapa entra torto e a ligação fica descalibrada. Isso gera fissuras por flexão que só aparecem meses depois, quando a carga já está aplicada. Minha solução prática foi criar um gabarito de alumínio com as mesmas medidas para cada tipo de peça, assim todo corte sai idêntico e as peças encaixam sem folga perceptível.
tesoura de madeira telhado: peças e conexões
As tesouras normalmente usam três tipos de peças: a barra de cima (sela ou tesoura propiamente dita), a barra horizontal de baixo (travessa ou barra de tensão) e as barras diagonais internas que formam treliças. Para vãos até 8 metros, madeiras de 5x10 cm ou 5x12 cm são suficientes. Acima disso, sobe para 6x12 cm ou 8x12 cm, e aí já precisa de projeto estrutural assinado. O eucalipto treated (classe 4) é o mais usado no Brasil por custo-benefício. Pinus tratado também funciona, mas exige mais cuidado com umidade — se passar de 19% de teor de umidade no momento da montagem, as chapas perdem aderência com o tempo. As chapas de conexão padrão são as galvanizadas com dentes trapézoidais, fabricadas em aço SAE 1008. A espessura típica varia de 1,2 mm a 2,0 mm. O diâmetro do dente e o passo de fixação seguem normas ABNT NBR 7190. O erro mais comum é usar chapa subdimensionada no nó de apoio. O nó onde a barra de tensão encontra a barra de sela recebe a maior concentração de forças. Recomendo pelo menos 2,0 mm de espessura de chapa nesse ponto, mesmo que o fabricante indique algo menor para o resto da tesoura. O processo de prensagem usa máquinas hidráulicas manuais ou elétricas. A profundidade de penetração do dente deve ser de 60% a 70% da espessura da chapa. Se o dente entrar muito pouco, a conexão escorrega sob carga. Se entrar demais, a madeira fende. A régua de verificação é simples: depois de prensado, o dente deve ficar rebaixado mas sem destacar astilhas ao redor. Se destacar, recuou um pouco e prensou de novo com mais força controlada.
No canto do telhado, onde a tesoura encontra a cumeeira, há um detalhe que quase todo mundo esquece. A barra de tensão da tesoura de ponta deve ter um apoio adequado na parede de fechamento, senão ela tende a se deslocar horizontalmente com o tempo. Use uma sapata de concreto ou uma viga de amarração com pelo menos 15 cm de comprimento de apoio sobre o bloco. Parafusos de 3/8" a 7/16" emparelhados com arruelas grandes ajudam a manter a posição durante a vida útil da estrutura.

dimensões e vão máximo
Para vãos residenciais comuns de 6 a 8 metros, uma tesoura em formato triangular simples com uma barra horizontal inferior atende. espaçamento padrão entre tesouras é de 1,00 m a 1,50 m. Quanto maior o espaçamento, mais grossa precisa ser cada tesoura individualmente. O custo aumenta de forma não-linear porque o dimensionamento das barras exige seções maiores e chapas mais grossas. Um dado que ninguém conta: o caimento ideal não é apenas estética. Para telhas de cerâmica, o mínimo é 30%. Abaixo disso, a água não escoa rápido o suficiente e infiltra pelas sobreposições. Para telha metálica, 10% já é aceitável em climas secos, mas em regiões de chuva forte o ideal é 20% no mínimo. Um caimento excessivo, acima de 45%, aumenta a área de cobertura e o vento pega mais superficie, o que exige ligações mais reforçadas nos nós. Se o vão ultrapassa 10 metros, tesouras simples de madeira lascada começam a ter deflexão excessiva sob carga permanente. Nesse caso, a solução econômica é usar tesoura tipo Warren ou Pratt, com barras diagonais internas que distribuem melhor os esforços. Outra opção é a tesoura com treliça mista, combinando madeira e aço em certas barras de tensão, mas isso complica a execução no canteiro e geralmente só compensa em vãos acima de 14 metros.
fator ambiental e durabilidade
O principal inimigo da tesoura de madeira não é o peso da cobertura, é a umidade acumulada. Mesmo madeira tratada sob pressão sofre se tiver infiltração constante nos nós ou se a ventilação sob o telhado for insuficiente. A ventilação de 5 cm no beiral e 10 cm na cumeeira é o mínimo. Sem isso, a umidade relativa dentro da cavidade do telhado fica acima de 70% e o fungo começa a atacar as conexões por baixo. O tratamento preservative é essencial. O critério prático é verificar o teor de produtos químicos retidos: pelo menos 1,5 kg/m³ para uso externo em classes de risco 3 e 4. madeiras com tratamento inadequado duram em média 5 a 8 anos em telhados, enquanto as bem tratadas chegam a 25 anos sem problemas estruturais. A inspeção visual anual deve focar nos nós de conexão, onde a umidade se acumula e os sinais de ataque fúngico aparecem primeiro. Se você mora em região costeira com salinidade alta, considere usar parafusos e grampos de aço inox nos pontos de fixação, mesmo que as chapas sejam galvanizadas. A galvanização comum começa a corroer visivelmente em 8 a 10 anos nesse ambiente. A diferença de custo é de cerca de 15% a 20% nos acessórios metálicos, mas evita substituição prematura de toda a tesoura.
quando a tesoura de madeira telhado não é a melhor opção
Existem situações onde alternativas fazem mais sentido. Em vãos acima de 14 metros, o aço estructural oferece melhor relação peso-resistência e permite perfis mais esbeltos. Em áreas sísmicas, a madeira tem bom comportamento, mas as ligações precisam ser especialmente reforçadas com nós metálicos adicionais, o que encarece significativamente em comparação com sistemas metálicos pré-fabricados. Para edificações temporárias ou de baixo custo imediato, a tesoura de madeira continua sendo a opção mais acessível, mas deve-se aceitar que a vida útil será menor e a manutenção mais frequente.

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