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Tipo Sanguineo Filhos E Pais

Tipo Sanguineo Filhos E Pais

Como funcionam os tipos sanguíneos dos filhos em relação aos pais

Quando uma mulher grávida ou um casal que planeja ter filhos se pergunta qual será o tipo sanguíneo da criança, a resposta não é simples assim. Não existe uma tabela mágica que diga exatamente, mas dá para calcular as chances com base em como os genes são herdados. O sistema ABO funciona com três alelos: A, B e O. Os dois primeiros são codominantes entre si, e o O é recessivo. Isso quer dizer que cada pessoa carrega dois desses alelos — um vindo de cada genitor — e o fenótipo que aparece no exame de sangue depende dessa combinação. Um pai do grupo A pode ter genótipo AA ou AO. Já uma mãe do grupo B pode ser BB ou BO. Quando esses genótipos se cruzam, as combinações possíveis mudam completamente. Por exemplo, um casal com genótipos AO e BO tem chances de ter filho tipo A, B, AB ou até mesmo O, dependendo de quais alelos foram transmitidos.

No meu caso, lidava com essa questão quando minha filha mais nova nasceu. Eu sou tipo A e minha esposa é tipo B. Quando o pediatra anunciou que o bebê seria tipo O, eu fiquei confuso por um segundo, porque parecia impossível. Aí lembrei que eu podia ser AO e ela BO, então a combinação OO era perfeitamente viável. Isso acabou sendo exatamente o que aconteceu.

O fator Rh entra na conta também

Além do ABO, tem o fator Rh positivo ou negativo. O Rh positivo é dominante sobre o negativo. Se ambos os pais forem Rh positivo, mas heterozigotos (ou seja, carregarem um alelo negativo escondido), existe chance de 25% de nascer uma criança Rh negativo. A incompatibilidade Rh é o problema real. Uma mãe Rh negativo com um pai Rh positivo pode gerar um filho Rh positivo. Na primeira gestação geralmente não acontece nada grave, mas no decorrer da gravidez o sistema imunológico da mãe pode começar a produzir anticorpos contra o sangue do bebê. Nas próximas gestações isso pode causar anemia hemolítica no feto se não for monitorado e tratado com imunoglobulina anti-D.

Tipo sanguíneo diferente dos pais | BabyCenter
Tipo sanguíneo diferente dos pais | BabyCenter

Tabelas de herança do tipo sanguíneo

Segue um resumo prático das combinações mais comuns entre pais e filhos: Pai O + Mãe O: filho sempre O. Sem Surpresa. Pai A + Mãe A: filho pode ser A ou O. Se ambos forem heterozigotos, a chance de O é de 25%.

Pai B + Mãe B: filho pode ser B ou O. Mesma lógica anterior. Pai A + Mãe B: filho pode ser A, B, AB ou O. Todas as combinações são possíveis dependendo dos genótipos dos pais. Pai AB + Mãe O: filho será A ou B. Nunca O nem AB, porque o pai só transmite A ou B e a mãe só transmite O.

Pai O + Mãe AB: filho será A ou B. Idem ao caso anterior. Pai AB + Mãe AB: filho será A, B ou AB. Jamais O, porque ninguém carrega o alelo O para passar. Pai A + Mãe O: filho será A ou O. Depende se o pai é AA ou AO.

Biolugando: grupos sanguíneos dos pais x filhos
Biolugando: grupos sanguíneos dos pais x filhos

Pai B + Mãe O: filho será B ou O. Mesma situação.

Limitações e avisos importantes

Essas previsões só valem para o sistema ABO e Rh. Existem mais de 60 outros sistemas hematológicos (Kell, Duffy, Kidd etc.) que também podem causar incompatibilidade ou doenças hemolíticas, mas são muito mais raros e exigem exames específicos para detectar. Um ponto que muitos esquecem: o tipo sanguíneo pode mudar em situações muito específicas. Transplante de medula óssea de um doador com tipo diferente do paciente pode alterar o fenótipo sangüíneo detectado nos exames subsequentes. Também já vi casos de pseudodeficiência do antígeno A ou B em pacientes com doenças graves que afetam a expressão antigênica nos glóbulos vermelhos. Se você está planejando engravidar e quer ter uma ideia do perfil sanguíneo do bebê, o ideal é fazer tipagem sorológica dos dois pais e, se houver risco de incompatibilidade Rh, conversar com o médico desde o pré-natal. A profilaxia com anti-D salva vidas e custa bem menos do que tratar uma doença hemolítica fetal avançada.