Tipos De Corte De Franja
O que realmente existe por trás dos cortes de franja
A maioria dos salões não sabe explicar a diferença entre os tipos de corte de franja para além do nome popular que cada barbeiro ou cabeleireiro inventou. Franja reta, francesa, em camadas, lado a lado, degradê — esses são os nomes que aparecem nos catálogos, mas na prática o corte em si é muito mais simples e muito mais chato do que imaginam. Aqui estão os que eu vejo acontecer de verdade, sem romantização: Franja reta. O corte mais comum e também o mais traçoeiro. A tesoura vai horizontal, alinhada com a sobrancelha. Parece fácil, mas se o cabelo tiver qualquer ondulação natural ou volume na raíz, o resultado fica desigual em uma semana. O cliente volta reclamando que o corte ficou ruim quando na verdade era o cabelo que estava fugindo do padrão.
Franja francesa. Cortada levemente acima da linha da sobrancelha, geralmente com as pontas levemente desfocadas. É o tipo que mais pede manutenção. Todo mês o cliente precisa vir ajustar porque ela cresce de forma irregular. Eu já vi gente aguentar dois meses sem retoque e terminar com uma franja que parecia um capacho. Franja em camadas. Aqui você trabalha com ângulos diferentes, cortando em camadas progressivas. O problema é que exige técnica de seção. Se o profissional não separar bem os fios e cortar sem controlar a tensão, o resultado fica desado do lado esquerdo para o direito. Eu levei seis meses aprendendo a fazer isso direito. Na primeira vez que fiz para um cliente com cabelo cacheado, o resultado ficou terrível porque não considerei a contração natural do fio ao secar. Franja lateral. Desviada para um dos lados, muito usada em cortes mais longos. O desafio aqui é o peso. Se o cabelo for grosso demais, a franja lateral cai num volume que parece desleixado. Se for fino demais, desaparece. A solução que eu encontrei foi fazer um leve texturização na raiz com a tesoura aberta, o que dá sustentação sem pesar.
Franja degradê. Começa mais curta em cima e vai ficando mais longa conforme desce. Parece complexo, mas na prática é só um corte em V invertido. O erro mais comum é começar muito curto e o cliente Chorar na hora porque não consegue passar de uma semana com água no cabelo sem parecer careca na testa. Franja com textura. Não é um tipo de corte em si, mas sim uma técnica aplicada sobre qualquer um dos tipos acima. A tesoura entra em ângulo, cortando parte dos fios no meio do comprimento, não na ponta. Isso quebra a linha reta e dá movimento. Cabelo liso demais se beneficia muito disso. Cabelo já volumoso e ondulado pode ficar pior se aplicado sem critério. Existe ainda a franja raspada, que é mais tendência de rua do que técnica consagrada. Basicamente se usa máquina com guardinha baixa e se segue o crescimento natural. Funciona bem para quem já tem o cabelo curto no topo e quer integrar a franja ao resto do corte sem linhas duras.

O que ninguém te conta é que o tipo de corte de franja ideal depende quase inteiramente do formato do rosto e do tipo de crescimento do cabelo. Um corte que ficou perfeito em mim pode não funcionar para outra pessoa porque a direção do topo do cabelo é diferente. Já atendi cliente que veio de três salões diferentes porque a franja reta nunca ficava no lugar. O problema não era o corte, era a direção do crescimento. Resolvi fazendo uma franja francesa com texturização e mudando a linha de parte para o lado oposto do crescimento natural. Se você está pensando em fazer um desses cortes, leve foto do próprio cabelo em condições parecidas com as do dia do corte. Cabelo lavado e seco mostra o volume real. Cabelo seco e sem produto mostra a textura de verdade. Levar foto de modelo com cabelo diferente do seu é o jeito mais rápido de terminar insatisfeito.
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