Tipos De Drenos Enfermagem
Tipos de dreno que você realmente encontra na UTI e no plantão noturno
A maioria dos textos sobre tipos de drenos enfermagem lista os modelos como se fosse cardápio de restaurante. Nada disso. A vida real é outra coisa. Vou explicar o que existe, mas com os problemas que acontecem de verdade e que ninguém fala nos manuais. O dreno mais simples que você vai ver é o Penrose. É basicamente uma fita de borracha ou silicone que entra na cavidade e sai pela pele. Não tem sistema fechado. Drena por gravidade e por capilaridade. Parece ingênuo, mas funciona bem para drenagens superficiais, pós-operatórios de pequena porte, abscessos que já foram drenados cirurgicamente. O problema real com Penrose é que ele seca na pele, gruda, e a curativo ao redor inflama rápido. Minha solução prática: trocar a gasa ao redor a cada 4 horas nos primeiros dias, usar pomada de barreira tipo óxido de zinco na pele exposta, e nunca apertar o dreno contra a pele com fita adesiva forte. Prefira malha de poliéster ou atadura crepom. A pele do paciente aguenta.
Tipos de drenos enfermagem: classificação por sistema de drenagem
Os drenos fechados com sucção são onde a maioria dos erros acontece. Hemovac e Jackson-Pratt são os dois mais comuns no pós-operatório abdominal e mamário. Ambos funcionam por pressão negativa, mas têm diferencias importantes que vão te dar trabalho se você não souber. O Hemovac é um reservatório grande, geralmente de 400 a 800 ml, com tampa que se abre para esvaziamento. A sucção é criada compressando o balão antes de fechar. O problema é que o balão perde pressão com o tempo. Em média, a pressão negativa que começa em torno de 300 mmHg cai pela metade em 6 a 8 horas sem manutenção. Por isso, quando o Hemovac tá morninho e estufado, não adianta só esvaziar. Precisa compressar de novo com força, senão a drenagem para e o sangue fica estagnado. Já vi paciente com hematoma post cirurgico porque o dreno estava "no lugar certo" mas sem sucção efetiva. O registro mostra saída de 20 ml, mas era tudo relicuado, não fluxo novo. O Jackson-Pratt funciona de forma semelhante mas com reservatório menor, tipo 100 a 400 ml, e com uma válvula anti-retorno na ponta. O diferencial prático: o JP mantém sucção por mais tempo porque o mecanismo de compressão é mais eficiente e o volume menor permite re-compressar com mais frequência sem dificuldade. Porém, a válvula anti-retorno entope com facilidade se o drenado for espesso. Sangue coagulado, secreção viscosa, lipossuco — tudo isso bloqueia a válvula. Quando isso acontece, o dreno parece funcionando mas na verdade tá obstruído. A dica que aprendi na marra: despressurizar o reservatório, desconectar a ponte de succao e fazer aspiração suave com siringa de 10 ml e cateter soft canalhado 18. Se sair algo, o dreno tá patente. Se não sair nada, provavelmente há trombo na ponta. Nesse caso, não force. Chame o cirurgião. Tentar desobstruir com pressão pode causar trauma tecidual ou perfurar a parede do dreno.
Dreno em T, ou T-tube, é outro mundo. Esse é colocado na via biliar pós-colecistectomia. A parte vertical do T fica dentro do colédoco e as extremidades saem pela pele. A drenagem é biliária pura. O cuidado aqui é diferente porque bile irrita a pele violentamente. Já vi dermatite de contato severa em 48 horas sem proteção adequada. A solução prática que funciona: cobrir a pele ao redor com filme adesivo transparente tipo Tegaderm antes de fixar o dreno, aplicar pasta de barreira tipo Cavilon, e trocar o curativo a cada 24 horas no mínimo. Bile tem pH alto e digere a epiderme literalmente. Se o dreno cair, não recoloca. Isso é regra. O trato biliar ainda não formou fístula epitelizada. Leva o paciente de volta ao hospital. Dreno torácico merece um parágrafo separado porque é o que mais gera urgência no plantão. O tamanho do calibre define muito o uso. Drenos de 20 a 24 French para pneumotórax, 28 a 36 para hemotórax ou derrame. O sistema de sucção deve sempre ter câmara de coleta, câmara de sucção e câmara de selo d'água. Se o selo d'água para de bolhear, pode ser dreno obstruído, pneumotórax resolvido, ou o paciente está com o pulmão totalmente expandido. Mas também pode ser que o dreno migrou e a ponta saiu da cavidade pleural. É preciso radiografia para confirmar. Nunca assume que bolha parou = paciente bom. Um detalhe que poucos mencionam: o dreno torácico pode criar pneumotórax de tensão se a câmara de sucção falhar e o sistema permitir entrada de ar. Isso acontece quando a conexão entre o dreno e a câmara afrouxa. Verifica isso todo horário. Se estiver frouxo, troca a conexão com luva estéril e cobre a extremidade exposta com gaze esterilizada úmida até reorganizar o sistema. Tempo de resposta importa. Pneumotórax tensional evolui para choque obstructivo em minutos.

Drenos de mediastino são similares aos torácicos mas de calibre menor, geralmente 16 a 20 French, e posicionados no mediastino pós-cirurgia cardíaca. A particularidade aqui é que o sangue do mediastino tende a coagular mais rápido porque o espaço é fechado e a circulação é mais lenta. Por isso esses drenos frequentemente requerem "ordenha" manual periodicamente. A técnica correta é compressão suave do tubo com dedos indicadores e polegar, deslizando de proximal para distal, sem puxar o dreno. Faz a cada 15 a 30 minutos nos primeiros 2 horas pós-op, depois a cada hora enquanto o débito for maior que 100 ml/h. Se o débito cair bruscamente de 150 ml/h para 10 ml/h de repente, e o dreno parecer cheio de sangue estagnado, faz a ordenha. Se o débito continuar baixo e o paciente apresentar sinais de tamponamento — pressao arterial caindo, pulsos fracos, distensão jugular — não espera. O dreno pode estar posicionado mal ou o sangramento é interno não drenável. Chama a emergência cirúrgica imediatamente. Existem ainda drenos vasculares específicos, como o dreno de aorta usado em cirurgias de aneurisma, mas esses são gerenciados diretamente pela equipe cirúrgica e não entram na rotina padrão de enfermagem. Não vou entrar nesse mérito porque foge do escopo prático. O que falta nos livros é a questão do registro. Muitos profissionais registram o volume mas não registram a característica do drenado. Sangue fresco, sangue antigo, sanguinolento, seroso, serossanguinolento, purulento — isso muda completamente a conduta. Dois ml de sangue vermelho vivo são mais preocupantes que 200 ml de soro amarelado. Registra tudo. Cor, volume, consistência, odor. Se tiver dúvida sobre odor, não tenta disfarçar. Anota "odora fétido" e notifica. Infecção de sítio cirúrgico não espera.
Outro ponto prático: a posição do dreno sempre abaixo do nível do corpo. Parece óbvio mas já vi dreno de JP sendo segurado acima do nível do peito do paciente durante transferência. O conteúdo refluxa. Pode causar infecção retrograda. Mantém o dreno sempre pendurado no suporte, nunca na mão, nunca em cima da cama do paciente quando ele está deitado.
Problemas que você enfrenta na prática e como resolver
Ao longo dos anos, os cenários mais problemáticos que encontrei com tipos de drenos enfermagem giram em torno de três situações recorrentes: obstrução, desplacamento e infecção do sítio de inserção. Obstrução é a mais frequente. O dreno para de drenar mas o paciente continua perdendo internamente. O sinal mais comum é que o reservatório não diminui de volume durante a troca, ou o tecido ao redor do dreno_starts_ a inchar. A primeira ação é verificar se o dreno não está dobrado ou comprimido pelo corpo do paciente. Depois, verifica-se se há coágulos no tubo. No JP e Hemovac, a ordenha manual resolve na maioria dos casos. No Penrose, a obstrução é por secagem do material na saída. Remover com pinça e soro fisiológico resolve. Se nada disso funcionar, o dreno precisa ser trocado ou removido pelo cirurgião. Não insista. Desplacamento pode ser parcial ou total. Parcial significa que a ponta saiu do local pretendido mas ainda está na pele. Total significa que o dreno saiu completamente. No parcial, marca-se a profundidade de inserção no momento do deslocamento e compara com a marca original. Se mudou mais de 2 cm, notifica-se a equipe cirúrgica. No total, cobre-se o local com gaze esterilizada e mantém-se o paciente em observação. Se o dreno era torácico, coloca-se gaze occlusiva (com vaselina ou similar) em três dos lados, deixando o quarto lado solto como válvula de escape para pneumotórax. Isso evita que ar entre mas permite saída.

Infecção do sítio de inserção se manifesta por eritema, calor, dor, secreção purulenta e febre. O manejo inclui troca de curativo com técnica asséptica, coleta de cultura da secreção, e avaliação médica para possível antibioticoterapia. Se houver abscesso formado ao redor do dreno, pode ser necessário drenagem complementar. O dreno infectado nem sempre precisa ser removido — às vezes basta trocar o curativo e tratar localmente. Mas se a infecção não melhorar em 48 horas com tratamento adequado, a remoção do dreno é indicativa. Tem um caso que não saco até hoje: paciente com dreno de Penrose após drenagem de abscesso subfrenático. O dreno estava saindo apenas 10 ml por dia, parecia tudo resolvido. Retiramos conforme protocolo. Três dias depois, paciente voltou com febre e dor abdominal. Novo abscesso formado no mesmo local. A lição foi que Penrose drena superficialmente. Se o abscesso tem comunicação com espaço profundo, o dreno superficial não esvazia o fundo. Precisa de imagem (ultrassom ou TC) para mapear a cavidade antes de escolher o tipo de dreno. Tipologia errada de dreno é tão perigosa quanto dreno demais. Isso é algo que a prática ensina, não a teoria. O importante é entender que tipos de drenos enfermagem não são apenas categorias em livro didático. Cada um tem seu ponto de falha específico, seu momento de risco, e sua técnica de manejo que difere do vizinho. O Penrose exige cuidado de pele. O Hemovac exige recompressão frequente. O JP exige atenção à válvula anti-retorno. O T-tube exige proteção contra bile. O torácico exige monitorização do selo d'água. O mediastinal exige ordenha e vigilância de tamponamento. Dominar os tipos de drenos enfermagem não é decorar nomes. É saber onde cada um vai falhar e o que fazer antes que falhe.
Galeria
-
Tipos De Drenos E Cuidados De Enfermagem Veja Quais So E Para O Que -
Drenos e os cuidados de Enfermagem | Cuidados de enfermagem, Enfermagem ... -
Drenos | Enfermagem concurso, Curso tecnico de enfermagem, Aulas de ...