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Tipos De Saca Rolha

Tipos De Saca Rolha

O que existe de verdade na prateleira do mercador

A maioria das pessoas acha que saca-rolha é saca-rolha. Você vê isso todo dia em festas onde o vinho tá fechado e ninguém consegue abriro. Tenho aberto garrafas há mais de dez anos, em porões apertados e jantares formais, então vou te explicar os tipos de saca rolha que realmente funcionam e quais são só dinheiro jogado fora. O modelo mais básico é aquele de alavanca simples, chamado de saca-rolha de duas hastes ou maries. Ele tem dois braços metálicos que você pressiona contra a tampa da garrafa enquanto enrosca a hélice. Funciona, mas exige força bruta. Se a rolha estiver ressecada ou rachada, ela parte ao meio e você perde metade dela dentro do vinho. Já perdi três garrafas de reserva assim, gastando mais tempo pescando pedaços de cortiça com um garfo do que bebendo. O saca-rolha Sommelier, também conhecido como bartender ou operador de mão, é o padrão da indústria hoteleira. Tem uma hélice em espiral, uma alavanca única e aquela patinha que serve de apoio na boca da garrafa. O segredo é enfiar a ponta da hélice no centro da rolha, girar até sobrar só um filete, apoiar a patinha e puxar de uma vez só. Isso leva cerca de cinco segundos se você tiver prática. Levanta menos stress e a rolha sai inteira na maioria das vezes. O problema é que ele não funciona bem em garrafas mais altas ou com rolhas muito longas, tipo as de Porto ou algumas Bordeaux mais antigas. Aí a hélice não pega profundidade suficiente.

O saca-rolha de pé ou de alavanca dupla é aquele que você apoia na mesa e gira uma alavanca que sobe devagar. É mais lento, mas muito mais previsível. A hélice entra em velocidade constante e a rolha é extraída sem tração brusca. Eu uso esse modelo quando abro vinte garrafas num evento, porque diminui a fadiga da mão e do pulso em quase setenta por cento. A desvantagem é que ele ocupa espaço e não cabe dentro do bolso do avental do garçom. Também é mais pesado, então exige um suporte estável. Em balcões irregulares ou mesas de madeira lascada, ele escorrega e marca a superfície. Existe também o saca-rolha pneumático, que usa ar comprimido injetado entre a rolha e o vidro. Parece moderno, mas na prática é arriscado. Se a rolha já estiver fragilizada pelo tempo, a pressão pode estourar o vidro. Vi isso acontecer numa adega em São Paulo há uns quatro anos, com uma garrafa de 1998. O operador não percebeu que a rolha estava se desfazendo por dentro e aplicou a válvula como de costume. O gargalo rachou na hora. Esse tipo só vale a pena para garrafas novas, com rolha perfeita e selada bem justas. Para vinhos mais velhos ou de custo mais alto, é melhor evitar. O saca-rolha elétrico é praticamente uma furadeira de bolso. Você coloca na boca da garrafa, aperta o gatilho e a hélice entra sozinha. Extrai em três ou quatro segundos. Muitos críticos dizem que esse tipo danifica a rolha ou deixa partículas de cortiça no vinho. Na verdade, o problema é o usuário. Se você apertar demais ou não centerar a hélice, sim, a rolha trinca. Mas num modelo bem ajustado, como os de marcas como Cuisinart ou Krups, o risco é baixo. Eu já abri mais de cem garrafas com ele e só tive um caso de rolha partida. Aí era vinho de cinqüenta anos com rolha original ressecada. Nesse caso, o elétrico foi a escolha errada. Pra vinhos do dia a dia, ele economiza tempo e esforço, especialmente pra quem tem artrite ou força reduzida na mão.

Tem ainda o saca-rolha AareUP, aquele de dois pinos que você crava nos lados da rolha e puxa. Muito comum em hotéis e restaurantes que querem evitar alavancas complexas. Funciona, mas exige alinhamento perfeito. Se você cravar os pinos tortos, a rolha gira dentro da garrafa e não sai. Já vi garçons perderem dez minutos com isso, forçando e quebrando a hélice. O tempo gasto pode passar de cinco minutos e ainda assim a rolha não sair. Eu recomendo esse tipo só pra uso rápido, quando o vinho já tá servindo e não tem tempo pra manobra. Pra decantação ou ocasiões especiais, não vale o risco. O saca-rolha de pé profissional, tipo o da marca Rosti ou o Wine Aider, é o mais confiável que existe. Ele tem uma hélice longa, geralmente em aço inox, que entra devagar e sai devagar. O mecanismo de extração é por alavanca dupla ou por rosca, dependendo do modelo. A vantagem é que a rolha nunca é arrancada violentamente. Ela é puxada suavemente, mantendo a integridade do gargalo. Eu levei esse modelo pras minhas festas de casamento há seis anos e abri todas as setenta e duas garrafas sem um único problema. Zero rolhas partidas, zero vidros rachados. A desvantagem é o preço. Custa entre três e cinco vezes mais que um saca-rolha comum. E ocupa espaço na gaveta. Se você abre uma garrafa por mês, talvez não valha o investimento. Outro detalhe que muitos ignoram é o comprimento da hélice. Rolhas modernas de vinho têm entre quarenta e cinqüenta milímetros. Rolhas de champanhe e espumantes podem ter sessenta milímetros ou mais. Um saca-rolha com hélice curta, tipo os modelos básicos de supermecado, não enrosca fundo suficiente. Você gira até sentir resistência e para, mas a rolha ainda tá presa por cima. O resultado é que ela sai pela metade e o resto fica lá dentro. Compre sempre hélices de pelo menos cinqüenta milímetros, preferencialmente sessenta. Isso cobre quase todo o mercado atual.

Guia Completo de Saca-Rolhas: Tipos e Como Escolher!
Guia Completo de Saca-Rolhas: Tipos e Como Escolher!

Existe também o saca-rolha de duas fases, que tem uma hélice para entrada e outra para extração. É mais técnico e mais raro. A hélice de entrada entra até certo ponto, e aí você troca pra segunda hélice, que puxa a rolha pra fora. Esse modelo é mais complicado de usar e exige prática. Não recomendo pra iniciantes. Melhor gastar num saca-rolha Sommelier de qualidade, que é mais versátil e menos propenso a erro. Se você quer algo definitivo, compre um saca-rolha com hélice em parafuso Duplo Lobe, também chamado de Duromar. Esse desenho de hélice tem dois lobos entrelaçados que agarram a rolha de forma mais uniforme. Reduz o risco de a rolha girar dentro da garrafa. Marcas como Cuisinart e Ozeri usam esse padrão. Funciona bem tanto pra rolhas novas quanto pra rolhas mais ressecadas. O preço é um pouco mais alto, mas compensa na durabilidade e na taxa de sucesso. Uma última observação sobre manutenção. Limpe a hélice depois do uso. Resíduos de cortiça acumulada oxidam o aço e enferrujam o mecanismo. Use um pano seco e, de vez em quando, umas gotas de óleo mineral. Não use óleo de cozinha, porque ele rança e gruda poeira. Isso prolonga a vida útil do instrumento por pelo menos cinco anos, comparado a dois ou três quando é negligenciado.