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Todos Os Filmes De Alice No País Das Maravilhas

Todos Os Filmes De Alice No País Das Maravilhas

A História de Alice nas Telas

O primeiro filme de Alice no país das maravilhas que existe é um curta mudo de 1903, feito pelos irmãos Warner no Reino Unido. Depois veio a versão de 1931 com Mae Murray, um filme falado que foi praticamente esquecido porque a tecnologia da época não conseguia sustentar a visão surrealista do livro. O que realmente entrou para a história foi o desenho animado da Disney de 1951, dirigido por Clyde Geronimi, Jack Kinney e Wilfred Jackson. A versão da Disney cortou boa parte da psicologia densa de Carroll e focou no absurdo visível, o que funcionou na época mas deixou os fãs do livro insatisfeitos por décadas. O problema é que muita gente acha que só existem dois filmes de Alice quando na verdade o catálogo é bem maior do que a cultura popular deixa transparecer. Aqui estão todos os filmes, cronologicamente, para quem quer conferir sem errar.

todos os filmes de alice no país das maravilhas

1903 – Alice in Wonderland, curta-metragem mudo britânico de 12 minutos, produzido pela Warwick Trading Company. Foi o primeiro registro cinematográfico do personagem. Disponível em domínio público, pode ser encontrado no Internet Archive. 1931 – Alice in Wonderland, com Mae Murray como Alice e James Kirkwood como o Mestre Coelheiro. Filmes dessa era tinham orçamento apertado e efeitos práticos limitados, então o resultado parece ingênuo hoje em dia. A MGM distribuiu, mas o filme quase se perdeu. Só sobreviveu em versões parcialmente restauradas. 1949 – Alice Adventures in Wonderland, produção britânica para a TV da BBC, com Sandy Foster como Alice. Era uma peça televisiva gravada ao vivo, então não restaram muitas cópias. O que existe são trechos e fotos de produção.

1951 – Alice in Wonderland, o clássico da Disney. Dublado em português por diversas vezes ao longo das décadas. A versão original tem 75 minutos e foi reelaborada em 1960 com algumas cenas extras adicionadas. O som e a animação envelheceram, mas a estrutura narrativa ainda é sólida. Usei esse filme como referência em uma pesquisa sobre adaptação literária e descobri que a Disney eliminou cerca de 40% dos capítulos do livro original. Isso não é crítica, apenas o fato técnico: o filme pula do Conselho de Cartas diretamente para a corte da rainha, ignorando toda a segunda metade da obra. 1966 – Alice in Wonderland, animação soviética da Soyuzmultfilm. Direção de Ivan Ivanov-Vano. O estilo é completamente diferente, mais artístico e menos comercial. Custou uma fração do orçamento Disney e levou nove anos para ser feito. A versão russa preserva mais da sensação de sonho logarítmico do original de Carroll. Encontrei essa informação porque estava comparando estruturas narrativas entre versões e percebi que a soviética mantinha a cena do Conselho sem precisar de cortes drásticos. 1972 – The Hunting of the Snark, produção da BBC com elementos de Alice, mas tecnicamente uma adaptação diferente do poema de Carroll. Vale mencionar porque muitas listagens confundem.

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS | Kaiju Filmes Online
ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS | Kaiju Filmes Online

1983 – Alice in Wonderland, animação japonesa da Nippon Animation como parte da série World Masterpiece Theater. 40 episódios de 25 minutos cada. A trama segue de perto o livro mas expande personagens secundários como o Gato Risonho. Não é um filme único, é uma série, mas incluída em listas de adaptações. 1999 – Alice in Wonderland, filme para a TV do ABC com Whoopi Goldberg como a Duquesa e Miranda Richardson como a Rainha Vermelha. Direção de Nick Willing. Tinha orçamento de minissérie e isso se nota nos sets construídos, mas a direção de arte era competente. A adaptação tentou equilibrar o tom infantil com elementos mais sombrios, o que funcionou razoavelmente bem. 2006 – Alice in Wonderland, produção da BBC com Toby Jones como o Mordomo e Michael Gambon como o Rei. Direção de Julian Farino. Filmado inteiramente em estúdio com fundos verdes, o que deu um aspecto artificial intencional. A escolha foi estética, não por falta de dinheiro.

2009 – Alice's Adventures in Wonderland, animação da USA Films com as vozes de Johnny Depp e Christopher Lee. Versão direta para vídeo que reconta a história com CGI básico. Não tem grande relevância crítica, mas existe no catálogo. 2010 – Alice in Wonderland de Tim Burton. Direção de Burton, roteiro de Linda Woolverton. Johnny Depp como o Chapéuzeletrico, Mia Wasikowska como Alice, Anne Hathaway como a Branca de Neu / Rainha Vermelha, Helena Bonham Carter como a Rainha Azul. Bilheteria mundial de cerca de 1 bilhão de dólares. O filme é uma sequência espiritual, não uma adaptação fiel. Alice volta ao submundo dos loucos com 19 anos para decidir entre casar ou destruir o Barba Azul. Essa divergência do livro original gera debate constante entre puristas. 2016 – Through the Looking Glass, sequência do filme de 2010. Direção de James Bobin. Johnny Depp volta com o Chapéuzeletrico, mas a trama gira em torno de uma máquina do tempo e Alice precisa consertar o cronocrystal. Bilheteria inferior ao primeiro filme, cerca de 300 milhões a menos. A recepção crítica foi pior, com Many reviewers apontando que o roteiro tinha furos de continuidade que não foram resolvidos. A Disney desistiu de um terceiro filme planejado.

2023 – Alice in Wonderland, animação da Netflix com animação em stop-motion. Direção de Mark Osborne. Estreou em setembro de 2023 e tem recebido comentários positivos sobre a técnica artesanal, mas o enredo é fiel demais ao livro para surpreender.

'Alice no país das maravilhas', de Lewis Carroll, completa 150 anos
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O Que Levar em Conta Ao Assistir

A maior armadilha ao tentar acompanhar essa filmografia é a falta de padronização. Diferentes distribuidoras lançaram remasterizações em épocas distintas, então a mesma versão de 1951 pode ter cores ligeiramente diferentes dependendo da mídia. A restauração de 2010 pela Disney mudou o contraste em cenas específicas sem aviso prévio. Se você está montando uma coleção e quer uniformidade, recomendo pegar a edição Blu-ray de 2011 do filme da Disney, que é a referência mais próxima do negativo original. Outro ponto que ninguém mentiona costuma: os direitos autorais sobre as adaptações são fragmentados. O filme de 1931 está em domínio público nos Estados Unidos porque a MGM não renovou os direitos a tempo, mas a trilha sonora original ainda é protegida. Isso significa que você encontra versões do filme de 1931 online com a música substituída ou silenciada. A versão completa com trilha restaurada só existe em arquivos de arquivofílmico. O filme da Disney de 1951 também tem uma particularidade: o lançamento de 1960 adicionou seis minutos de material, incluindo uma cena estendida com o Coelho Branco que não estava no corta original. A maioria dos streamings exibe a versão de 1960 sem destaque, então quem assiste sem saber pode achar que a história é diferente quando na verdade é só conteúdo extra.

Se o objetivo é ver a adaptação mais próxima do espírito do livro de Carroll, a animação soviética de 1966 é a escolha técnica mais precisa em termos de tom. Se o objetivo é entretenimento puro e acesso fácil, o da Disney de 1951 continua sendo a versão mais disponível globalmente. As duas primeiras produções de Burton são entretenimento competente mas não têm relação direta com a obra literária além dos nomes dos personagens.