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Todos Os Whisky Johnnie Walker

Todos Os Whisky Johnnie Walker

Todos os whiskys Johnnie Walker que valem a pena

Johnnie Walker produz uma linha enorme de blends escoceses e tem crescido tanto nos últimos anos que muita gente fica perdida na hora de escolher. Vou listar aqui todos os principais, do mais básico ao mais caro, com o que você realmente precisa saber sobre cada um. O Red Label é o ingresso. Blend de entrada, 40% ABV, 4 anos mínimos. Sabor direto, defumado suave, com toque de grama cortada e frutas verdes. Usa bastante Glenroyal e Glenoble nas composições, que são distilarias desativadas. É o que aparece em qualquer bar porque é barato e funciona bem em drinks. Se for beber puro, não recomendo. Serve para mixed drinks, principalmente colares e rum and coke. O Black Label é o carro-chefe, 12 anos de envelhecimento. Tem cerca de 30 maltes diferentes no blend, incluindo Caol Ila, Clynelish e Lagavulin. O sabor é mais redondo, com mel, maçã, defumação moderada e um final longo. Abaixo de 200 reais no Brasil, é o melhor custo-benefício da linha. Já vi gente reclamando que é "genérico demais". O problema é que quem prova só o Red Label acha que o Black é igual. São mundos diferentes.

O Green Label foi lançado em 2018 e é diferente porque não tem idade declarada. É um blend de maltes puros, sem grains. Significa que todas as distilarias usadas produzem apenas single malts, mas ainda é um blend. Tem estilo mais amadeirado, com notas de aveia, mel e um toque de feno. Não passa por chill filtration e não tem corante adicionado. Se você está no grupo que só bebe single malt, esse vai te dar uma porta de entrada menos dolorosa porque o sabor é mais suave que muitos Islay puros. O Gold Label Reserve tem 18 anos e usa reservistas muito mais antigas. É mais suave, com mel mais pronunciado, frutas secas e um final muito limpo. O problema que eu encontrei na prática: existem versões muito diferentes dependendo do mercado. A versão que vende no Brasil às vezes é mais leve que a europeia. Compre sempre na versão importada oficial e verifique o lote. Ja tive experiências ruins com amostras de balcão que estavam oxidadas por ficar expostas à luz há meses. O Gold Label Rare é outra coisa. É um blend de reservistas premium sem idade declarada, feito apenas em bons anos. Pode custar acima de 1.500 reais. O sabor é extremamente refinado, com passas, nozes, chocolate amargo e um defumado quase imperceptível. Quase todo mundo que prova diz que é bom. A questão é se vale o preço. Eu diria que sim se você está em um evento especial, mas no dia a dia eu prefiro investir em um single malt isolado pelo mesmo valor.

O Platinum Label é essencialmente um relaunch do Gold Label com embalagem diferente. A bebida é muito parecida, talvez ligeiramente mais suave. Não recomendo pagar mais por causa da lata bonita. O Blue Label é o topo de linha. Usa reservistas com idades médias altíssimas, muitas acima de 25 anos. O sabor é complexo: mel de acácia, figo, noz-moscada, defumado sutil e um final que dura minutos. Custa acima de 2.000 reais. A crítica honesta: a diferença entre o Blue e um bom Single Malt da mesma faixa de preço muitas vezes não é tão grande assim. O Blue Label ganha pelo nome e pela consistência, não necessariamente por ser objetivamente melhor em degustação cega. Tem ainda expressões limitadas e edições especiais como o Johnnie Walker The Unique, o King George V, e colaborações com artistas ou marcenarias. Essas versões mudam a cada ano e aparecem em leilões. Eu já comprei um King George V usado e estava oxidado. Sempre verifique o nível do líquido e a data de compra antes de gastar dinheiro nessas edições.

Whisky Johnnie Walker Red Label, Black Label, Gold Label, Blue Label
Whisky Johnnie Walker Red Label, Black Label, Gold Label, Blue Label

Como escolher sem errar

A regra mais importante: nunca compre pela garrafa. Compre pela distilaria que está dentro dela. O Black Label tem Clynelish e Caol Ila. Se você gosta dessas distilarias, vai gostar do Black. Se prefere distilarias frutadas como Glenmorangie ou Auchentoshan, o Green Label pode ser mais interessante porque traz mais maltes highland. Outro ponto que todo mundo ignora: a temperatura de serviço. Johnnie Walker Black Label funciona melhor entre 16 e 18 graus. Servido gelado demais, os aromas simplesmente desaparecem. Servido muito quente, o álcool domina e tudo fica desagradável. Isso explica muita reclamação de gente que diz "não gosto de whisky" e na verdade só está bebendo errado. Se o seu objetivo é beber puro e gosta de sabores intensos, considere pular o Black e ir direto para o Green Label ou até um single malt de Speyside. Se quer algo versátil para mixologia, o Red Label continua sendo imbatível pelo preço.

A linha inteira é consistente porque a Diageo mantém o mesmo blender ao longo dos anos. O Willie MacEwan foi o cara por décadas e isso garantiu padronização. O problema dessa consistência é que fica difícil sentir evolução ou personalidade forte em cada lote. Você sempre vai tomar o mesmo gosto, o que é bom para marca mas ruim para quem busca novidade. Para onde você quer ir a partir daqui depende do seu orçamento. Comece pelo Black Label se nunca bebeu. Se já bebe e quer algo mais interessante sem gastar muito, vá de Green Label. Se tem dinheiro sobrando e quer presente ou ocasião especial, Blue Label não vai decepcionar, mas também não espere a experiência da sua vida. Existem single malts nessa faixa que podem surpreender mais.