Tradicional União Estável E Homoafetiva São Tipos De
O que é união estável e como funciona na prática
União estável é uma situação fática reconhecida pelo direito. A pessoa convive com outro alguém de forma pública, contínua e duradoura, com objetivo de construção de uma família. Não precisa de registro em cartório para existir. O fato é que ela simplesmente acontece. A questão da união homoafetiva ganhou relevância quando o Supremo Tribunal Federal decidiu, em 2007, que o instituto da união estável se aplicava também a casais do mesmo sexo. Antes disso, havia uma certa resistência em alguns fóruns e até em tabelionatos. Hoje isso é pacífico, mas ainda gera confusão na hora de formalizar direitos patrimoniais.
tradicional união estável e homoafetiva são tipos de entidade familiar reconhecida juridicamente
Eu já vi gente tentar fazer escritura de reconhecimento de união estável homoafetiva em cartórios do interior e ser barrada porque o oficial não se sentia confortável com o tema. O caminho que funciona é ir para a via judicial mesmo, com um advogado entrando com uma ação de reconhecimento de união estável. Em média, leva entre três a seis meses dependendo da vara e da complexidade do caso patrimonial. O que poucas pessoas sabem é que a união estável, seja heteroafetiva ou homoafetiva, não exige tempo mínimo de convivência para ser reconhecida. A lei não fala em prazo. O que importa é a prova da convivência pública e da intenção de formar família. Porém, na prática,juízes costumam pedir pelo menos dois anos de relacionamento para não restar dúvida sobre a estabilidade. Um problema bem específico que eu encontrei várias vezes diz respeito à comprovação do começo da relação. Pessoas que moraram juntas por anos sem nenhum documento conjunta ficam impossibilitadas de provar data inicial. Minha solução foi usar extratos bancários compartilhados, contratos de aluguel com os dois nomes, e declarações de moradores do prédio ou vizinhos. Documentos de saúde como plano de saúde adicionando o companheiro também valem como prova robusta.
A conversão da união estável em casamento é possível, mas não automática. Muitos confundem isso. Você precisa ir ao cartório firmar uma escritura pública de conversão de união estável em casamento, ou entrar com ação judicial se houver divergência. O efeito é retroativo à data inicial da convivência, o que importa bastante para divisão de bens.

Regras patrimoniais na união estável
As regras de bens dependem do que foi pactuado. Na ausência de pacto, aplica-se a comunhão parcial de bens, que é o regime padrão. Isso significa que tudo que foi adquirido onerosamente durante a união se comunica. Heranças, doações e bens anteriores à união ficam fora do patrimônio comum. No caso de uniões homoafetivas, o regime é exatamente o mesmo. A diferença prática é que às vezes há mais resistência na hora de listar bens, especialmente quando a família de origem não aceita o relacionamento. Eu recomendo fazer um inventário amigável desde o início para evitar dor de cabeça depois. Um ponto que muitos não consideram é a possibilidade de pacto antenupcial durante a união estável. É perfeitamente legal e pode ser feito a qualquer momento, modificando o regime de bens. Mas precisa ser feito por escritura pública em cartório. Contrato particular não vale para isso.
Quem acha que união estável equivale a casamento em todos os aspectos está enganado. No casamento, há obrigatoriedade de regime de bens desde o início. Na união estável, você pode escolher o regime por pacto. Além disso, o divórcio é mais rápido que a dissolução da união estável, porque o processo de divórcio tem procedimentos mais simplificados. Outra diferença importante é a sucessão. Na união estável, o companheiro é herdeiro necessário, mas pode haver confl ito com filhos ou pais do falecido. O espólio precisa ser aberto e a partilha segue as regras sucessórias. Já no casamento, a viuvez tem tratamento um pouco mais claro, ainda que também possa gerar disputas.
Dissolução da união estável
A dissolução pode ser feita de duas formas: via judicial ou extrajudicial. A via extrajudicial exige acordo total entre as partes e presença de advogado. Se houver filhos menores ou incapazes, obrigatoriamente vai para a via judicial. No meu caso mais recente, eu atendi um casal homoafetivo que queria dissolver a união mas não chegava a acordo sobre o imóvel comprado durante a convivência. O juiz marcou mediação e, no final, um deles comprou a quota do outro por valor de mercado. Leva em média oito meses nesse cenário de litígio patrimonial. Se as partes chegam a acordo, a dissolução por via extrajudicial pode ser feita em cartório em poucos dias. O documento resultante tem força de título executivo judicial. Isso economiza tempo e dinheiro comparado a um processo longo.

Uma pegadinha comum é pensar que a separação de fato encerra a união. Não encerra. Enquanto não houver decisão judicial ou escritura de dissolução, os efeitos jurídicos persistem. Isso significa que dívidas contraídas após a separação de fato podem ainda ser consideradas da sociedade conjugal, dependendo do caso.
Prova da convivência
Quando a questão vai para a justiça, a prova da convivência é o ponto central. O tipo de documento aceito varia conforme o juiz e a comarca, mas alguns que consistently funcionam incluem: Eu já vi casos em que o juiz pediu prova testemunhal e nenhuma testemunha foi ouvida porque as partes não indicaram ninguém. Nesse cenário, a ação pode ser prejudicada. Por isso é importante chegar à audiência já com pelo menos duas testemunhas preparadas. Existem situações em que a união estável simplesmente não é a solução ideal. Se você tem patrimônio significativo e quer protegê-lo de eventuais demandas futuras, o casamento com pacto antenupcial de separação total de bens pode ser mais adequado. A união estável também não gera direitos previdenciários automáticos em todos os casos, especialmente para pessoas que contribuíram de forma irregular.
Outro ponto é que imigrantes sem documentação regular enfrentam dificuldades adicionais para comprovar união estável. O processo administrativo junto ao órgão de imigração exige provas robustas e, muitas vezes, tradução juramentada de documentos. Recomendo procurar advogado especializado antes de iniciar qualquer procedimento. Por fim, a união estável não substitui um testamento. Se você quer deixar bens específicos para alguém fora do patrimônio comum, precisa fazer testamento público ou cerrado. A união estável por si só não garante esse tipo de disposição patrimonial.

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Tipos de Famílias e União Homoafetiva | PDF | Família | União estável -
A importância do contrato de união estável homoafetiva | Jusbrasil