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Tres Terrenos Tem Frente Para A Rua A

Tres Terrenos Tem Frente Para A Rua A

O que acontece quando três terrenos vizinhos têm frente para a mesma rua

Isso é mais comum do que parece em loteamentos antigos e subdivisões irregulares. O problema não é a frente em si, mas o que vem depois: drenagem, acesso, matrícula e a burocracia para construir ou vender um desses terrenos quando o vizinho faz algo que atrapalha. Vou direto. Você tem três lotes alinhados, todos com testada na Rua A. Na planta original, isso é tranquilo. Na prática, você começa a ver questões que ninguém avisa antes de comprar. A primeira coisa que eu vejo todo dia é gente comprando o terreno do meio achando que vai ter acesso independente e descobrindo depois que a logradouro não entra ali diretamente. Às vezes o lote do meio só tem passagem por servidão de Passageio sobre o terreno de trás, que não está registrada no cartório. Isso existe muito em bairros que foram loteados nos anos 80 sem conformidade com a lei municipal de zoneamento.

O que a maioria das pessoas não leva em conta é que, quando três terrenos têm frente para a rua, a prefeitura pode tratar aquela quadra como um único bloco para fins de taxa de iluminação, manutenção de calçada e até taxa de coleta de lixo. Isso muda o custo mensal. Eu já vi proprietário levar susto quando chegou a conta de IPTU e percebeu que a tarifa era diferenciada por ser área de concentração comercial, mesmo morando lá. A planta da cidade fala uma coisa, a classificação fiscal fala outra. Outro ponto que os corretores nunca mencionam: a largura da testada na rua A define o potencial construtivo. Se o terreno do meio for mais estreito, ele pode não atingir a taxa de ocupação permitida para um sobrado de dois andares. Você precisa consultar o plano diretor do município, que varia de cidade para cidade. Em São Paulo, por exemplo, a lei de uso e ocupação do solo é bem específica sobre recuos e coeficientes de aproveitamento. Em cidades menores, às vezes o regulamento é nebuloso e você gasta tempo tentando entender o que pode fazer. Aqui vai um caso que eu vi na prática e que é o tipo de problema que não aparece em nenhum manual: o terreno do meio tinha frente para a Rua A, mas o terreno da frente, o que dava acesso, era de uma loja que nunca autorizou passagem. O dono do lote do meio comprou achando que ia construir um fundo de quintal tranquilo. Quando tentou abrir o acesso, a loja bloqueou com cancela e cercado. A única saída foi um acordo judicial que levou dezessete meses e custou mais do que o terreno valia. A lição é simples: antes de qualquer negociação, peça a certidão de matrícula atualizada e verifique se há servidão de passagem ou acesso registrado no registro de imóveis.

Se você está pensando em adquirir um desses lotes, aqui estão os passos que eu sigo pessoalmente. Primeiro, pegue a matrícula do imóvel no cartório. Depois, consulte a planta de zoneamento na prefeitura. Em seguida, faça uma vistoria no local para verificar se o acesso está conforme o documento. Por fim, verifique se há pendências jurídicas, como usucapião não formalizado ou disputas de divisas com o vizinho. Um detalhe técnico que poucos conhecem: em muitos municípios, terrenos com frente para rua podem ser enquadrados como área de proteção ambiental se houver mananciais ou encostas próximas. Isso pode restringir a construção a apenas um pavimento. Vale a pena ligar para o departamento de meio ambiente da cidade antes de tomar qualquer decisão.

Três terrenos têm frente para a rua “A” e para a rua “B”, como na ...
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