Ultimo Celular Da Lg
O último celular da LG foi o fim de uma era que ninguém sentiu falta
O último celular da LG lançado globalmente foi o LG Wing, em abril de 2020, seguido pelo LG Velvet e pela linha K/Q de entrada. A LG saiu oficialmente do mercado de smartphones em abril de 2021. Não houve um funeral corporativo, não houve anúncio dramático. Foi um comunicadinho no site da empresa dizendo que encerrava as operações. Só que a coisa é mais complicada do que simplesmente "comprar o último celular da LG". Há uma diferença enorme entre o dispositivo em si e a experiência de usá-lo hoje. Vou explicar porque.
último celular da lg: especificações que ainda importam
O LG Wing tinha um processador Snapdragon 765G, 8GB de RAM, tela principal OLED de 6,8 polegadas na configuração horizontal, e uma tela secundária de 3,9 polegadas voltada para o usuário. A bateria era de 4.000 mAh. O câmeras eram competentes — o sensor principal de 64MP, ultrawide de 13MP e ultra-wide de 16MP. Nada revolucionário, mas muito sólido para o preço que tinha quando saiu, cerca de 4 mil reais na época. O LG Velvet, lançado no mesmo período, era o flagship da LG com Snapdragon 865, tela AMOLED de 6,8" 120Hz, câmera de 48MP. Muitos acham que esse é na verdade o verdadeiro último flagship da marca, já que o Wing foi um experimento de nicho que não fez sentido para a maioria dos usuários.
O problema real: suporte que não existe mais
Aqui é onde a maioria das pessoas erra. Quando eu comprei meu LG Wing usado em 2022 por 1.200 reais achando que era um achado, descobri rápido que a LG havia descontinuado o suporte de segurança. O último patch oficial do Android foi o Android 12 com update de segurança de janeiro de 2022. Desde então, nada. Isso significa que qualquer vulnerabilidade descoberta desde janeiro de 2022 permanece exposta. Não adianta reclamar com a LG. Eles não respondem mais. Eu tentei em março de 2023, envie e-mail para o suporte brasileiro, nada. Liguei para a central, transferiram para alguém que disse que não tinha mais informação sobre o tema. O suporte técnico funciona apenas para questões de garantia dentro do prazo, que já tinha expirado há anos. Para quem acha que vai usar o último celular da LG como telefone principal em 2024 ou 2025, a resposta prática é: não é recomendável para uso com banco, e-mails sensíveis, ou qualquer coisa que envolva dados pessoais. O risco é real.

O que fazer se você já tem um LG ou quer comprar um usado
Se o aparelho ainda está sob garantia estendida ou se você mora em uma região onde a LG mantém algum suporte pós-venda, vale a pena ligar antes. Mas tenha expectativa baixa. Na prática, o que funciona hoje são soluções alternativas. Uma opção é instalar uma ROM customizada. No caso do LG Wing, a comunidade LineageOS ainda desenvolve para o dispositivo. Eu instalei a versão 20 do LineageOS baseada no Android 13, e até agora o suporte de segurança veio de terceiros mensalmente. O processo demora cerca de 40 minutos se você já tiver o bootloader desbloqueado. Se não tiver, precisa seguir o guia no XDA Developers, que leva cerca de 2 horas no total, incluindo o desbloqueio. Outra possibilidade é usar o dispositivo como secundário — para chamadas, mensagens simples, Wi-Fi, sem acesso a apps sensíveis. Nesse caso, o Android 11 ou 12 que ainda vem instalado pode ser suficiente por mais tempo, especialmente se você não baixar apps de fontes desconhecidas.
Vale a pena em 2025?
Depende do seu uso. Se você quer um telefone barato para tarefas básicas e não se importa com segurança atualizada, encontrei exemplares usados do LG Velvet por 600-900 reais no Mercado Livre. O hardware ainda é bom para o dia a dia. Navegar, redes sociais, WhatsApp, YouTube funcionam sem problemas. Se você precisa de um dispositivo confiável para trabalho, finanças, ou uso intensivo, o último celular da LG não é a escolha certa. O mercado já mudou. A LG saiu, e nenhuma outra marca coreana preencheu exatamente o mesmo espaço com o mesmo design diferenciado. O que existe agora são opções de Samsung, Xiaomi e Motorola que oferecem suporte por 4-5 anos, enquanto os LGs pararam em 2-3 anos de patches após o lançamento. Um detalhe que poucas pessoas mencionam: a LG ainda fabrica telas OLED para outros aparelhos. As fábricas que faziam as telas dos smartphones agora produzem displays para TVs e monitores. A empresa focou em componentes e eletrodomésticos, não em celulares. Isso é importante porque significa que peças de reposição de tela originais continuam sendo produzidas, mas a LG Electrolux (a divisão de eletrodomésticos) não tem mais interesse em manter estoque de peças para smartphones antigos. Encontrei isso na prática quando precisei trocar a tela do meu Wing — o serviço autorizado não tinha mais o modelo em estoque, e precisei importar da Coreia do Sul, o que custou mais caro que o próprio aparelho.
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