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Uma Lagarta Ao Comer As Folhas Do Milho

Uma Lagarta Ao Comer As Folhas Do Milho

Controlando lagartas na lavoura de milho

Se você já viu uma lagarta ao comer as folhas do milho, sabe que o dano aparece rápido. Em dias quentes e úmidos, uma geraçãode Spodoptera frugiperda pode transformar 30% da área foliar em poucas horas. O problema é que muitos produtores esperam demais para agir. O ideal é scouting semanal a partir do V3, com contagem de pelo menos 25 plantas por talhão. Anota-se quantos insetos existem e qual estágio está predominando. Quando a média ultrapassa um inseto por planta nos estágios entre V5 e V6, a intervenção químicas se torna mais viável economicamente. Abaixo disso, a cultura ainda compensa o dano sem custos extras. Acima do V8, entretanto, o prejuízo se torna irreversível sem aplicação.

uma lagarta ao comer as folhas do milho: identificação e ciclo

A principal praga nesse contexto é a lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda. Ela inicia o ataque dentro do cartucho, onde as folhas novas ainda estão enroladas. Por isso, a primeira sinalização costuma ser os pequenos orifícios redondos na borda das folhas desdobradas ou a presença de fezes escuras acumuladas no interior da estrutura. Já a lagarta-rosca, Agrotis ipsilon, age de forma diferente. Ela corta a planta na base do colo, geralmente em mudas jovens, e passa o dia enterrada no solo. A confusão entre essas duas espécies é comum e gera aplicação errada de inseticida, porque uma exige cobertura foliar e a outra exige solo tratado. Um detalhe prático que poucos consideram é a fenologia da planta. Entre o V4 e o V6, a lagarta-do-cartucho ainda come pouco, mas é nesse período que ela se concentra no ponto de crescimento. Um tratamento aplicado no V7 ou V8 pode salvar a folha, mas não recupera o centro de crescimento que já foi atacado dias antes. A janela de proteção é curta. O inseticida precisa estar na planta antes da explosão populacional, que ocorre tipicamente entre a floração e o início do enchimento de grãos. No meu caso, enfrentei um problema específico numa safra no norte do Mato Grosso. O produtor havia feito três aplicações de lambda-cihalotrina com intervalo de sete dias. A população de Spodoptera continuava alta e o dano aumentava. A questão era resistência. O lote de lagartas estava selecionado para piritróides e a molécula simplesmente não fazia efeito. Troquei para um produto com flubendiamida + clofentezina e fiz aplicação via pulverização terrestre com volume de 200 litros por hectare, bocal em leque e pressão de 40 psi. Em 48 horas, a taxa de mortalidade subiu para 93%. O custo do corretivo foi alto, mas o prejuízo de não tratar da forma certa teria sido bem maior.

Métodos de controle disponíveis

O controle químico segue como a principal ferramenta na maioria das regiões corníferas do Brasil. As classes de inseticidas mais usadas incluem os benzilquinazolonas (flubendiamida), os diamidas (cloretraniliprole), os macrocíclicos (emamectina benzoato) e, em situações mais pontuais, os piretroides sintéticos. A escolha depende do perfil de resistência local, do estádio da praga e do estágio fenológico da cultura. O controle biológico também tem espaço consolidado. O baculovírus da Spodoptera frugiperda (SpfrNPV) é registrado no Brasil e funciona bem quando a população já está estabelecida. Ele age por infecção natural, com período de latência de quatro a seis dias após a ingestão do produto. Ou seja, o produtor vê o dano aumentar antes de notar a queda de população. Por isso, ele funciona melhor como parte de um programa integrado, não como solução única. O Trichogramma spp., por outro lado, atua na postura. A liberação em massa de parasitoides reduz o número de ovos que eclodem, mas exige condições climáticas específicas e sincronia com o pico de oviposição. No controle cultural, o manejo da área de pousio entre safras reduz significativamente a pressão de infestação na safra seguinte. A retirada de plantas daninhas hospedeiras, como o capim-amargoso e o buva, diminui o reservatório de ovos e lagartas jovens. A semeadura precoce também ajuda, porque a cultura consegue crescer rápido o suficiente para acompanhar o ataque inicial. Em sistemas de plantio direto bem manejados, essa diferença pode ser de 15 a 20% na população de lagartas no V3.

O Que Faz Com Que As Folhas De Milho Sejam Danificadas Pela Lagarta-do ...
O Que Faz Com Que As Folhas De Milho Sejam Danificadas Pela Lagarta-do ...

Uma limitação importante é o custo do manejo. Para uma área de 50 hectares com população média de duas lagartas por planta no V6, o gasto com inseticida varia entre 40 e 70 reais por hectare, dependendo da molécula escolhida. Isso representa entre 15 e 25% do custo total de produção de milho safrinha na região Centro-Oeste. Se o produtor aplicar duas vezes por safra, o valor sobe para perto de 40%. Esse número varia conforme a região e o preço dos insumos, mas dá uma ideia clara de onde o dinheiro entra no budget de manejo.

Como fazer a aplicação corretamente

O volume de calda é o fator que mais influencia a eficiência do inseticida contra lagartas que se abrigam no cartucho. Recomenda-se usar entre 150 e 200 litros de água por hectare, com bocal em leque 110.05 ou 110.06, pressão entre 35 e 45 psi e velocidade do tractor entre 8 e 10 km/h. O importante é garantir que a calda penetre até o interior da estrutura foliar, onde a lagarta se alimenta nos primeiros estádios. Se o volume for baixo, abaixo de 120 litros por hectare, a cobertura do ponto de crescimento fica comprometida. A água escorre pelas folhas externas sem atingir a região crítica. Já volumes acima de 250 litros por hectare podem causar fitotoxicidade em algumas variedades e não trazem benefício proporcional no controle. A época de aplicação também importa. Pulverizar no final da tarde ou início da noite aumenta a eficácia, porque as lagartas saem do abrigo para se alimentar nesse período. Durante o dia, elas permanecem protegidas dentro do cartucho ou do colo da planta, e o inseticida atinge apenas a superfície externa.

Erros comuns que todo produtor deveria evitar

O primeiro erro é esperar o dano visual para agir. O dano visível nas folhas desdobradas é o sinal final. A praga já estava ativa há vários dias no ponto de crescimento. O scouting preventivo evita esse atraso. O segundo erro é aplicar na dose correta, mas com equipamento descalibrado. Bicos gastos ou pressão inadequada alteram o padrão de distribuição e criam falhas de cobertura que as lagartas exploram. O terceiro erro é a rotação incorreta de princípios ativos. Alternar classes com o mesmo modo de ação não quebra o ciclo de resistência. É necessário trocar a classe química, não apenas a marca do produto. O quarto erro é ignorar as condições meteorológicas. Chuva dentro de seis horas após a aplicação lava grande parte do inseticida da superfície foliar. A adesão do produto melhora com o uso de adjuvantes oleosos, mas não substitui a previsão do tempo. Por fim, o quinto erro é a falta de registro de aplicação. Sem anotar data, produto, dose, volume de calda e condições climáticas, fica impossível analisar a resposta do tratamento e ajustar a estratégia para a próxima safra. Anotações simples, feitas em caderno ou planilha, economizam tempo e dinheiro na tomada de decisão.

Lagarta a Comer Folhas De Milho Imagem de Stock - Imagem de gramado ...
Lagarta a Comer Folhas De Milho Imagem de Stock - Imagem de gramado ...

Alternativas quando o controle químico falha

Quando a resistência já está instalada e os inseticidas convencionais perdem eficiência, as opções restantes incluem o uso de fermentos biológicos, como Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae, que infectam a lagarta por contato direto. Eles funcionam melhor em condições de alta umidade relativa, acima de 70%, e precisam de aplicação em horários com menor incidência solar. O período de proteção é de 10 a 14 dias, o que exige aplicações mais frequentes do que com inseticidas químicos de longa duração residual. A outra alternativa é o manejo cultural agressivo da área de transição. Remover capins hospedeiros ao redor dos talhões reduz a pressão de infestação em até 30% na primeira geração subsequente. É uma medida que exige dedicação constante, mas que tem custo muito baixo em comparação com aplicações adicionais de inseticida. O monitoramento contínuo é a ferramenta mais subestimada nessa equação. Um bom sistema de armadilhas com feromônio sexua permite detectar o pico de voo de mariposas com três a cinco dias de antecedência. Esse alerta antecipado é o que diferencia um produtor que reage do tempo certo de um que corre atrás do prejuízo.