Valor Semantico Da Preposição
Como identificar o valor semântico das preposições em textos
A preposição, por si só, não carrega um único significado fixo. O que acontece na prática é que o valor semântico da preposição é determinado pelo contexto em que ela aparece — pelo termo regido e pelo termo regente. Isso significa que analisar uma preposição isolada é um exercício quase inútil. O trabalho real começa quando você olha para a construção completa. Antes de definir as preposições mais comuns, preciso explicar como faço essa análise no dia a dia, porque o método é o que separa quem apenas decora listas de quem realmente entende o que está lendo.
Valor semântico da preposição na prática
O primeiro passo é sempre identificar a regência. Qual termo rege qual? Quem depende de quem? A preposição é o elo entre esses dois termos, e o sentido que ela transporta é dado pela relação lógica entre eles. Vou dar um exemplo simples e depois um mais complicado. Em "Voy a Lisboa", a preposição "a" indica direção, ou seja, um deslocamento do ponto de partida até o destino. Já em "Converso com o colega", "com" indica companhia ou sociedade. A mesma estrutura sintática — verbo + preposição + termo — mas relações completamente diferentes. O problema é que as mesmas preposições aparecem em contextos muito diversos. "De" é talvez a mais traiçoeira das preposições em português e em espanhol. Ela pode indicar posse ("o livro de Maria"), matéria ("mesa de madeira"), origem ("sou de São Paulo"), tempo ("cheguei de manhã"), causa ("morri de frio"), entre dezenas de outras possibilidades. Tentar memorizar todas as finalidades é perder tempo. O que funciona é verificar qual é o tipo de ligação que faz sentido no contexto.
Eu tive um caso específico recentemente com análise sintática de um texto jornalístico em espanhol. A construção era "pagar por un servicio". À primeira vista, "por" poderia ser confundida com indicação de troca ou permuta. Mas o contexto mostrava que se tratava de remuneração por um serviço prestado, e o "por" aqui carrega valor causal — motivo pelo qual se paga. Se eu tivesse marcado como valor de troca, a análise inteira saía errada. A solução foi voltar ao verbo e perguntar: o que "pagar" exige de si mesmo? "Pagar" pode reger "por" quando se trata de remuneração, e nessa regência o valor é de causa ou motivo, não de troca. Testei isso substituindo por sinônimos contextuais: "em razão de um serviço" funcionava, "em troca de um serviço" soava estranho. O teste substitutivo é uma das técnicas mais úteis que eu conheço. Outro ponto que muita gente não leva em conta: as preposições contraídas criam ambiguidades frequentes. "Do" pode ser "de + o" ou "da + o" dependendo do gênero do substantivo, mas o que é mais importante é que o valor semântico muda conforme a contração. "Falo do assunto" tem valor de tema. "Saio do escritório" tem valor de afastamento. A contração em si não determina o valor, mas ela força você a olhar o substantivo que vem depois para descobrir qual relação está sendo expressa. As preposições essenciais em português são: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás. As acidentais — que funcionam como preposições apesar de serem originalmente outras classes — incluem "após", "conforme", "durante", "exceto", "salvo", "via". Na prática analítica, o tratamento é o mesmo: ver a relação entre os termos ligados.
O principal pitfall que vejo os estudantes cometerem é confundir valor semântico com classificação morfológica. Saber que "por" é uma preposição não diz nada sobre o que ela está fazendo numa frase específica. Um aluno pode identificar corretamente que "Em virtude do atraso, a reunião foi cancelada" contém uma preposição, mas errar ao classificar o valor como de lugar quando se trata claramente de causa. O erro é sistemático quando alguém tenta aplicar regras mecânicas sem verificar a relação semântica real entre os termos. Também é importante reconhecer que esse tipo de análise tem limitações sérias. Em textos literários e em construções poéticas, o valor semântico das preposições pode ser deliberadamente ambíguo ou subvertido. "Amor de costas" não indica localização física, mas uma condição emocional. Nesses casos, a análise gramatical tradicional não chega a lugar nenhum e você precisa recorrer à interpretação contextual e estilística. Para textos acadêmicos e técnicos, o método funciona bem. Para literatura contemporânea e poesia, ele é insuficiente. Se você está começando agora e quer praticar, o caminho mais direto é pegar trechos de jornais ou artigos técnicos — textos com regência verbal clara — e fazer a seguinte lista: identifique o verbo principal, encontre a preposição que o acompanha, pergunte qual relação lógica ela estabelece com o termo seguinte. Anote três exemplos por dia durante duas semanas e você vai notar um padrão. A maioria das preposições em textos formais cai em cerca de seis valores semânticos principais: direção, lugar, tempo, causa, companhia e posse. O resto é variação.
Para consulta rápida, grammaticas como a do Celso Cunha e a do Napoleão Miguez mantêm tabelas úteis, mas elas são pontos de partida, não respostas finais. A preposição nunca carrega seu significado sozinha. Ela sempre empresta o sentido do contexto em que aparece.
Galeria
-
PREPOSIÇÃO | Portugues para concurso, Aula de português, Mapa mental -
Preposição E Conjunção Exemplos - FDPLEARN -
PPT - Os conectivos: preposição, conjunção,interjeição PowerPoint ... -
Exemplo De Preposicao