Venho Por Meio Deste Informar
Como usar "venho por meio deste informar" corretamente
Essa expressão aparece em praticamente qualquer documento formal escrito em português. Carta aberta, ofício, memorando, e-mail corporativo — em todo lugar você vê esse início padronizado. A questão é que muita gente usa sem entender exatamente quando ela cabe e quando está sobrando. A frase serve como introdução a uma comunicação oficial. Você está dizendo, de forma direta, que vai repassar uma informação. Não tem segredo. O problema é que ela carrega um peso de formalidade que nem sempre combina com o contexto. No meu dia a dia, lido com documentos internos e externos todo santo dia. Já vi gente colocar essa expressão em e-mails para colegas de trabalho com quem fala todo dia. Fica estranho. Soa como se você estivesse escrevendo para o tribunal. O ideal é reservar esse tipo de abertura para comunicações que realmente precisam desse nível de formalidade.
Quando essa expressão funciona e quando não funciona
Funciona bem em: Ofícios e comunicados oficiais — isso é o cenário natural. Quando você precisa informar algo a um órgão público, a uma secretaria, a um departamento jurídico. A hierarquia e a tradição exigem esse tom. E-mails formais para parceiros externos — se você está escrevendo para um cliente novo, um fornecedor importante, ou alguém com quem não tem confiança estabelecida, essa formalidade ajuda a manter o profissionalismo adequado.
Não funciona em: Comunicações internas informais — Slack, Teams, e-mails rápidos entre equipes. Ninguém espera isso. Use apenas para situar o leitor sobre o que vem a seguir. Textos criativos ou persuasivos — se o objetivo é convencer, emocionar ou engajar, essa abertura mata o tom na hora. É seca demais.

Variações práticas que eu recomendo
A expressão original é correta, mas pode ficar pesada. Dependendo do contexto, algumas alternativas soam mais naturais: "Gostaria de informar que..." — menos rígida, mesma função. Ótima para e-mails corporativos do dia a dia. "Informamos que..." — direta e comum em comunicados da empresa. Funciona bem quando a comunicação é em nome de um grupo ou departamento.
"Venho comunicar que..." — alternativa próxima, levemente mais moderna. Ainda formal, mas sem o peso da estrutura completa. "Segue a informação sobre..." — boa para quando você já tem um documento ou arquivo anexado e só quer fazer a introdução.
Um caso específico que eu enfrentei
Há uns dois anos, precisei enviar um ofício para a Receita Federal sobre uma divergência fiscal. Usei "venho por meio deste informar" no início do texto, conforme o padrão que sempre sigo. O atendente da Receita questionou a redundância da expressão, dizendo que "por meio deste" estava sobrando porque o próprio ofício já era o meio. Ele estava tecnicamente certo, mas a forma como disse foi confusa. O workaround que eu achei foi simplesmente reescrever como "Venho, por meio deste ofício, informar..." — especificar o documento resolve a ambiguidade. Desde então, sempre incluo o tipo de documento na frase. Evita esse tipo de questionamento desnecessário em comunicações com órgãos públicos.

Pegadinhas comuns que ninguém conta
Uma das armadilhas mais frequentes é o uso do pronome "este" de forma solta. "Venho por meio deste informar" parece completo, mas gramaticalmente "deste" precisa de um referente claro. Se você não mencionou qual documento é esse "este", a frase fica flutuando. A correção é simples: cite o documento. "Por meio deste ofício", "por meio desta carta", "por meio deste memorando". Outra pegadinha é a confusão com "venho por meio deste declarar". Declarar tem um peso diferente de informar. Você está afirmando algo como verdade, assumindo responsabilidade. Informar é apenas repassar dados. Se for um comunicado simples, declarar pode criar implicações jurídicas desnecessárias.
Limitações que você precisa saber
Essa construção tem um problema real: ela é genérica demais. Quem lê não sabe nada sobre o conteúdo antes de entrar no parágrafo seguinte. Em documentos longos, isso é irritante. O leitor fica esperando. Se o documento for grande, considere começar direto com o assunto. "Referente à divergência fiscal do exercício 2023..." é mais eficiente. A expressão funciona melhor em comunicações curtas onde não há muito que contextualizar antes. Também vale notar que o uso excessivo desse tipo de fórmula em grandes volumes de correspondência pode criar a percepção de burocracia excessiva. Se você envia dez comunicações formais por semana, variar o estilo evita que tudo pareça copiado de um modelo sem reflexão.
Exemplo prático de uso correto
Venha, por meio deste ofício, informar que a empresa XYZ solicitou a retificação da declaração de impostos referente ao trimestre encerrado em março de 2024. A divergência identificada refere-se ao cálculo do ISS retido a maior, conforme planilha em anexo. Solicitamos a análise e a devida reconsideração do débito questionado. Veja que a estrutura é clara: apresentação formal, objeto da comunicação, detalhamento objetivo e pedido específico. Nada de dramatismo. Só o necessário.

Alternativas para diferentes contextos
Se o seu documento é interno e a cultura da empresa é mais direta, substitua por "Informamos que..." ou simplesmente comece com o fato. Em e-mails para clientes que você já conhece, use "Segue a informação sobre..." e vá direto ao ponto. A formalidade tem seu lugar, mas o excesso dificulta a compreensão. Para relatórios técnicos, prefira começar com o tema. "Análise de risco do projeto Alpha" é mais útil do que uma abertura formal que não diz nada. A estrutura do documento faz o trabalho de contextualização sozinho.
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Venho Por Meio Deste Abaixo Assinado | PDF -
NÃO ESCREVA “Venho por meio deste/a...” em e-mail, carta, ofício ...