Verbo De Fenomeno Da Natureza
O que são verbos de fenômeno da natureza e como usá-los sem errar
Chover, nevar, trovejar, granizar, raiar. São os verbos mais desonestos da língua portuguesa porque parecem normais até você tentar construí-los como um verbo normal. Aí trava. Não tem sujeito. Você não diz "eu chovo" nem "nós nevamos". O verbo simplesmente acontece, ponto final. A classe desses verbos se chama verbo de fenômeno da natureza, ou verbos meteorológicos quando o foco é estritamente clima. Eles são impessoais por natureza gramatical, não por opção estilística. O sujeito é nulo porque não existe sujeito para chuva, neve ou relâmpago. O vento sopra sozinho, mas mesmo "soprar vento" é um caso à parte — aí "vento" funciona como objeto direto em construções como "sopra vento forte". O resto é puro impessoalidade.
Conjugando um verbo de fenômeno da natureza
O segredo prático é o seguinte: conjuge sempre na terceira pessoa do singular, sem tentar flexionar no plural. Se a frase pede "choveu muito ontem", não existe "choveram" nem "choveram muitas chuvas". O erro mais comum que eu vejo em revisões de texto é alguém escrevendo "choveram várias temporais na região" por influência de "chuvas" no plural. O verbo não acompanha o substantivo. Ele fica no singular porque não há sujeito para concordar. Pra facilitar, aqui vai a tabela das formas que realmente importam no dia a dia, todas no singular: Presente: chove, neva, troveja, graniza, raiar (raia), amanhece, oscila (para temperatura), ventania não é verbo então ignora.
Pretérito perfeito: choveu, nevou, trovejou, granizou, amanheceu. Futuro do presente: choverá, nevará, trovejará. O imperativo não existe pra esses verbos. Você não manda chover. Se precisar de uma forma normativa, use o subjuntivo: "que chova" ou "espero que chova". O infinitivo pessoal também não se aplica — não há "para chover eu", porque não há sujeito para o infinitivo flexionar.

No campo jornalístico, eu vejo um erro recorrente todo dia. Repórter escreve "houve muitos temporais no fim de semana". O certo é "houve muitos temporais" — espera, isso está correto. O erro real é outro: "choveram muitos temporais". Isso é absurdo gramatical. O certo é "choveram" errado, o certo é "choveu muitos temporais" — não, isso também está esquisito. O correto absoluto é "choveu forte no fim de semana" ou "registraram-se muitos temporais" na voz passiva sintética, mas o mais natural é simplesmente "choveu muito". A frase com "choveram temporais" é o tipo de coisa que passa em redações de concursos e cai na hora da correção.
Casos que todo mundo confunde
Tem uma diferença prática entre "está chovendo" e "choveu" que muda a estrutura da frase inteira. Quando você usa o gerúndio, pode sim aparecer sujeito: "está chovendo bastante na região". A região funciona como locativo, não sujeito. Mas em "choveu bastante na região", a estrutura é idêntica. A variação não muda a impessoalidade. O que muda é quando você usa verbos compostos como "desatar chuvas" ou "pirar o tempo". Aí o sujeito existe. "Desataram chuvas fortíssimas". Isso é verbo transitivo direto com sujeito plural, não é verbo de fenômeno da natureza mais nada. É expressão figurada. Confundir os dois tipos gera erro de concordância na hora da escrita. Outro caso que todo mundo erra: "amanheceu frio" versus "amanheceu frios". O adjetivo concorda com o sujeito implícito do estado, não com o fenômeno. Na verdade, "frio" aqui é predicativo do sujeito e o sujeito é a oração inteira "o dia" ou "a manhã". Como é singular, fica "amanheceu frio". "Amanheceram frios" seria só se o sujeito fosse plural explícito, tipo "os dias amanheceram frios". Com fenômeno meteorológico, nunca flexiona no plural.
Tem uma particularidade com o verbo "farejar" que poucas pessoas conhecem. Não, esse não é verbo de fenômeno. Voltando ao tema: "graúnar" também não é padrão. O verbo correto para granizo é "granizar". Alguns dialetos usam "sorrar" no Nordeste pra neve, mas isso é variação regional, não norma culta. Em textos formais, evite. Eu já vi candidato em concurso usar "sorrar" e levar zero na questão de concordância, não por causa do verbo em si, mas porque o examinador entende que a alternativa demonstra domínio da norma padrão.
O erro que eu vi pessoalmente e como resolvi
Trabalhando com revisão de manuais técnicos, me deparei com um texto que dizia: "Durante o mês passado, nevaram três vezes no sul do país". Eu corrigi para "nevou três vezes". O autor argumentou que "três vezes" justificava o plural. Não justificava. "Três vezes" é complemento adverbial de frequência, não sujeito. O verbo permanece no singular. A gambiarra que eu uso desde então é transformar a frase em construção com "registrou-se" quando precisar mencionar quantidade explicitamente: "registrou-se neve três vezes no sul". Aí a concordância funciona porque "registrou-se" é voz passiva sintética com sujeito "neve" (singular). Não é elegante, mas é gramaticalmente seguro. Em contextos informais, só manter o singular mesmo: "nevou três vezes". Simples e correto.
Limitações que ninguém avisa
Esses verbos têm um problema real: não possuem todas as formas nominais de forma confortável. O gerúndio existe ("chovendo"), o particípio também ("chovido"), mas o particípio passado de verbos meteorológicos soa artificial na maioria dos contextos. "A chuva hadowed" não existe em português. "A chuva chovido" soa errado. Use construções alternativas como "devido à chuva" ou "em razão das chuvas" em textos formais. Evite o particípio desses verbos como adjunto adnominal. Outra limitação importante: verbos como "caiçumar" não existem. Se você quer dizer "está caindo água leve", use "chuviscar". "Chuviscou" é o verbo padrão. Inventar verbo novo não resolve nada e ainda gera rejeição em provas e revisões. Quando o fenômeno é composto, como "trovoada acompanhada de chuva forte", o verbo principal ainda é o que define a impessoalidade. "Trovejou e choveu forte". Dois verbos impessoais na mesma frase. Cada um no singular, sem relação de concordância entre si. Parece óbvio, mas em períodos longos é fácil perder o controle.
Alternativas quando o verbo de fenômeno da natureza não dá conta
Se a estrutura impessoal ficar travada demais, existem saídas. Você pode usar construções com "ter" no sentido de fenômeno: "tem chuvas fortes na região" — aqui "chuvas" vira sujeito e o verbo flexiona. Isso é uso coloquial aceito, mas em texto formal prefira "há chuvas fortes" com o verbo haver, que também é impessoal no sentido de existência. Outra opção é a voz passiva analítica: "a chuva foi forte durante a noite". Aí o sujeito é "a chuva", o verbo concorda normalmente. Útil quando você precisa de flexão verbal e a impessoalidade bloqueia. O custo é que a frase fica mais longa e menos direta. Em notícias de urgência, a impessoalidade é mais eficiente: "choveu 80mm em duas horas". Direto. Sem enrolação. A regra prática que eu uso e recomendo: se o verbo descreve o fenômeno em si, fique no singular impessoal. Se você precisa destacar o agente ou a intensidade com sujeito explícito, mude a construção. Nunca tente forçar concordância plural num verbo meteorológico puro. O resultado sempre será um erro visível.
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Atividade: Pote dos Verbos (Ação, Estado e Fenômeno da Natureza) -
Verbos ação estado ou fenômeno da natureza | PDF