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Verbos Terminados Em Ar Er Ir

Verbos Terminados Em Ar Er Ir

Como conjugar verbos em -ar, -er e -ir em português

Os verbos em português se dividem basicamente em três grupos conforme a terminação do infinitivo: -ar, -er e -ir. Isso parece simples, mas a prática mostra que há bastante coisa pra considerar além do que a gramática normativa ensina nas primeiras páginas dos livros. No presente do indicativo, a terminação do infinitivo define qual paradigma de conjugação você vai usar. Verbos em -ar seguem o padrão de "falar": eu falo, tu falas, ele fala, nós falamos, vós falais, eles falam. Verbos em -er seguem o padrão de "comer": eu como, tu comes, ele come, nós comemos, vós comeis, eles comem. Verbos em -ir seguem o padrão de "partir": eu parti, tu partis, ele parte, nós partimos, vós partis, eles partem. Acho que vale começar explicando o método antes de entrar em definições mais detalhadas. Quando você recebe um verbo novo, o primeiro passo é identificar a desinência do infinitivo. O segundo passo é remover essa desinência para isolar o radical. O terceiro passo é aplicar as desinências pessoais ao radical. Isso funciona na maior parte dos casos regulares. A maioria dos verbos que você encontra no dia a dia se encaixa nesse esquema sem surpresas.

O problema real começa quando você passa pro pretérito perfeito ou pro subjuntivo. É aí que a coisa se desenhando. Peguei uma vez um texto técnico em que eu precisava conjugar "referendar" no pretérito perfeito. Como todo verbo em -ar, parecia simples: eu referendei, tu referendaste, ele referendeu... só que o "e" tônico fica estranho pra muita gente. Li uma versão no qual alguém escreveu "referandou" em vez de "referendeu". A tentação de ajustar o radical é maior do que aparenta, especialmente com verbos menos comuns. Uma saída prática que eu usei foi consultar o dicionário em vez de confiar na cabeça. Palavras como "flagelar", "refervir" ou "perdurar" têm formas que não obedece à intuição. Em vez de tentar deduzir, eu simplesmente buscava a flexão no Houaiss ou no Michaelis. Esse processo costuma levar de dois a cinco minutos por verbo, dependendo da ferramenta. É muito mais rápido do que revisar um texto inteiro com erros de conjugação depois.

As nuances que os manuais ignoram

Verbos em -ir compartilham características com verbos em -er no presente do subjuntivo e no imperativo afirmativo. "Partir" tem no subjuntivo "que eu parta", "que tu parts", "que ele parta", "que nós partamos", "que vós partais", "que eles partam". Note que as formas da primeira e terceira pessoa do singular são idênticas: "parta". Isso acontece porque verbos em -ir, diferentemente do que muitos mostram de forma simplificada, entram numa categoria de conjugação híbrida. Eles mantêm o paradigma de -er no presente do subjuntivo, mas mantêm o paradigma de -ir no pretérito perfeito e no particípio regular. Um erro comum que eu vejo com frequência é tratar todos os verbos em -ir como se fossem idênticos a verbos em -er. No pretérito perfeito, "comer" é "eu comi", "tu comeste", "ele comeu". "Partir" é "eu parti", "tu partiste", "ele partiu". A diferença é sutil mas consistente. Se você aplica o paradigma de -er a verbos em -ir no pretérito perfeito, o resultado fica errado. Eu já vi relatórios jurídicos com "o réu cometeu" escrito como "o réu partiu" em contextos onde o verbo correto era outro, simplesmente por confusão entre os paradigmas. Outro ponto que pouca gente menciona: verbos em -er têm uma variação importante entre a conjugação normativa e o uso coloquial. "Eu leio" vs "eu leo" são ambas aceitáveis, mas pertencem a registros diferentes. O mesmo vale para "tu lês" / "tu leis". Na escrita formal, a forma normativa prevalece. Na fala, a variante truncada é mais frequente. Não existe uma regra rígida que proíba uma ou outra, mas o contexto exige cuidado.

VERBOS TERMINADOS EM AR, ER, IR by Annalie Arguello on Prezi
VERBOS TERMINADOS EM AR, ER, IR by Annalie Arguello on Prezi

Conjugação no pretérito perfeito: onde a maioria erra

No pretérito perfeito do indicativo, a desinência do infinitivo importa menos do que você imagina. Os verbos em -ar usam "-ei", "-aste", "-ou", "-amos", "-astes", "-aram". Os verbos em -er e -ir usam "-i", "-este", "-eu", "-emos", "-estes", "-eram" (ou "- iram" na variante com -iram para verbos em -ir). A confusão acontece quando alguém aplica o padrão de -ar a verbos em -er ou -ir, ou vice-versa. Veja este exemplo prático: "ele comprou" (comprar, verbo em -ar) versus "ele partiu" (partir, verbo em -ir). Ambos no pretérito perfeito. Se você trocar o paradigma, "ele comprou" vira "ele comprei", o que é gramaticalmente incorreto e soa errado para qualquer falante nativo. A diferença entre "comprou" e "partiu" no pretérito perfeito resume-se à classe verbal. Verbos em -ar têm a desinência "-ou". Verbos em -er e -ir têm "-eu" e "-iu" respectivamente. Não há exceção relevante aqui. Uma limitação importante que eu preciso mencionar: esse esquema funciona bem para verbos regulares. Verbos irregulares como "ter", "vir", "pôr", "saber", "querer" e muitos outros fogem completamente desse padrão. Não adianta tentar aplicar a regra dos infinitivos a eles. Nesses casos, o aprendizado é mais memorização do que dedução. Eu pessoalmente prefiro usar tabelas de conjugação para verbos irregulares do que tentar generalizar. Perda de tempo tentar adaptar a regra de -ar/-er/-ir a formas irregulares.

Quando a regra não funciona

Há verbos em -ar, -er e -ir que são irregulares nas três classes. "Azarar" parece regular mas tem variantes como "azarou" (pretérito) e "azarado" (particípio), que são normais. Mas verbos como "dizer" e "trazer" pertencem ao grupo em -er e têm conjugações completamente diferentes. "Dizer" no presente do indicativo é "eu digo, tu dizes, ele diz, nós dizemos, vós dizeis, eles dizem". Nada a ver com o paradigma de "comer". Outro exemplo menos óbvio: verbos como "arguir" e "redarguir" são em -ir mas apresentam particularidades na conjugação. A forma "eu arguo" não segue nenhum padrão previsível a partir do infinitivo. Nesses casos, a melhor abordagem é consultar uma conjugador confiável. Ferramentas como o Conjug.br ou a Gramática do Português da Academia Brasileira de Letras oferecem tabelas completas. O tempo gasto consultando é menor do que o tempo gasto corrigindo erros depois.

Resumo prático

Identificar a terminação do infinitivo é o primeiro passo. Remover a desinência para obter o radical é o segundo. Aplicar as desinências corretas conforme o tempo verbal e a pessoa é o terceiro. Para verbos regulares, isso resolve a maioria das situações. Para irregulares, consulte uma tabela ou dicionário especializado. Verbos em -ar seguem um paradigma. Verbos em -er seguem outro. Verbos em -ir compartilham características com verbos em -er em alguns tempos verbais, mas mantêm seu próprio padrão em outros. A confusão entre esses paradigmas é o erro mais frequente que eu vejo em produções escritas, especialmente em textos formais. Se você está aprendendo português ou revisando conjugações para trabalho, foque nos três tempos verbais mais usados: presente do indicativo, pretérito perfeito e futuro do presente. Domine esses e terá coberto a grande maioria das necessidades do dia a dia. Os tempos subjuntivos e os tempos compostos merecem atenção separada, mas já sei que existem materiais dedicados a eles. O importante é não tratar todos os verbos em -ir como se fossem idênticos aos verbos em -er. Essa distinção evita a maior parte dos erros.

Conjugação de Verbos Terminados em Ar, Er, Ir. Tempos Verbais ...
Conjugação de Verbos Terminados em Ar, Er, Ir. Tempos Verbais ...