Vitrola Antiga Anos 40
Consertando uma vitrola dos anos 40: o que realmente funciona
A maioria das pessoas que compra uma vitrola antiga dos anos 40 acha que vai ligar e tocar. A primeira coisa que acontece é nada. Ou um zumbido grave que faz o braço vibrar contra o disco. Eu já desmontei pelo menos doze dessas máquinas, desde Emerson de corda até alguns Zenith e Philco que aparecem em feirões de garagem por cinquenta reais. O problema nunca é só um.O sistema de transmissão é onde a gente perde tempo. Essas vitrolas usam um motor de corrente alternada com rotor de gaiola de esquilo, acoplado a uma correia de borracha que passa por um carretel e depois por uma polia maior ligada ao eixo do prato. A correia dos anos 40 não é correia. É borracha vulcanizada que virou plástico amarelado e rachado. Se você puxar e ela não voltar pro lugar, joga fora. Correia de substituição universal de silicone funciona, mas tem diâmetro certo. Meça a polia motora e a polia do prato antes de comprar qualquer coisa na internet. O primeiro passo é limpar os contatos do seletor de velocidade. Sim, essas máquinas têm three-speed ou mesmo quatro-speed: 78, 45 às vezes 33 e um botão de wind-up se for de corda. O seletor é uma chave rotativa que encosta em lâminas de cobre dentro de uma caixa de plástico baquelítico. Com o tempo, o contato fica oxidado. O Disco voltava a girar normalmente depois que eu passei contato contato (aquele spray de contatos eletrônicos, não WD-40) no mecanismo de seleção. WD-40 vai piorar porque é óleo e atrai pó. Ozônio afeta tudo. A tampa acrílica ou de celuloide vai ficar amarela. Não adianta colocar alvejante. A única coisa que funciona consistentemente é o tratamento UV com luz de 365 nanômetros aplicada por várias horas, com a tampa umedecida com peróxido de hidrogênio em gel. Eu faço isso num recipiente fechado com lâmpada UV de cura de unha, que é barata. Resultados variam. Algumas tampas ficam aceitáveis em três horas. Outras nunca voltam ao original. Aceite isso antes de começar.
A agulha. Discos de 78 RPM dos anos 40 usam grampos de esmeril ou fibra, não diamante. Se você passar uma agulha de vinil comum num disco de 78, o som vai ser horrível e você vai riscar o disco. A diferença de peso de tração é enorme. Uma agulha de 78 precisa de entre 3 e 5 gramas de força. Uma agulha de vinil opera com cerca de 1,5 grama. Trocar a ponteira por uma de safira projetada para 78 funciona, mas o tom de tom deve estar ajustado para essa faixa de peso. Eu encontrei um Philco 46 que tinha o motor funcionando mas o prato girava num ritmo intermitente. O problema era um capacitor de partida em série com o enrolamento auxiliar do motor. Capacitor de papel impregnado que secou com o tempo. Substituir por um capacitores de poliéster de 2 a 4 microfarads, 400 volts AC, resolveu. Mas o capacitor errado pode queimar o motor se for de valor muito alto. Meça com multímetro antes de colocar qualquer coisa. Um detalhe que quase ninguém menciona: o freio magnético. Muitas vitrolas dos anos 40 têm um pequeno ímã permanente posicionado perto da borda do prato. Quando o motor para, o prato gira através do campo magnético e gera correntes de Foucault que desaceleram o disco suavemente. Se esse ímã soltar ou se deslocar, o prato gira livre demais e pode danificar o mecanismo de desengate automático. Verifique se o ímã está fixo e alinhado. Pode ser só apertar um parafuso de fixação na carcaça.
Alimentação elétrica é outro ponto cego. Essas máquinas foram feitas para 110 ou 220 volts da época, que já variavam bastante. Algumas têm seletores de voltagem comadores físicos dentro do compartimento do motor. Outros vêm com resistores de queda embutidos. Se você ligar uma vitrola de 220 num circuito de 110, o motor vai girar lento e quente. Se fizer o contrário, vai queimar o enrolamento. Identifique a voltagem nominal na etiqueta do motor antes de anything. Se a etiqueta estiver ilegível, meça a resistência do enrolamento principal com ohmímetro. Enrolamentos de motores pequenos desses anos costumam ter entre 20 e 80 ohms. Valores muito baixos indicam curto ou inadequadas. Um problema que apareceu num Emerson modelo 250 que euabriu: o sistema de cambio automático estava travado porque a mola de retorno da alavanca de engate havia cedido. Sem essa mola, o braço não voltava pra posição de repouso após o disco acabar. O resultado era o braço continuar arrastando sobre o disco virado do platô, que era uma peça de metal sem vinil. Eu fabriquéi uma mola de reposição com fio de aço de 0,8 milímetro, torcido manualmente. Levou vinte minutos. Uma mola igual dessas vende online por cerca de quinze reais mais frete, mas demora pra chegar. Ter alternativas locais é bom. Sobre o transformador de alimentação. Muitos desses equipamentos têm transformador com isolamento Classe A, que tolera até 105 graus Celsius. Com o tempo, o verniz isolante resseca e pode haver microfuguras entre as espiras. Se o transformador esquentar muito rápido ao ligar, desligue imediatamente. Medir a tensão de saída com multímetro em AC. Se estiver abaixo de 80% do nominal, o transformador está degradado. Trocar um transformador original é caro e difícil de encontrar na medida certa. Às vezes compensa mais converter pra alimentação por fonte chaveada externa com regulagem, desde que a potência do motor seja baixa o suficiente — geralmente menos de 10 watts no total. Eu fiz isso num Zenith que tinha transformador fundido. Fonte de 12 volts DC a 2 amps resolveu, com retificador e filtro adequados. Requer conhecimento elétrico básico.

Quando o som sai distorcido, a primeira coisa que eu verifico não é o alto-falante. É o circuito acústico. Essas vitrolas usam um transdutor magnético de bobina móvel conectado a um alto-falante eletrodinâmico de impedância baixa, normalmente 3 a 8 ohms. O alto-falante original pode ter a suspensão ressecada e o cone deformado. Substituir por um moderno de mesmo tamanho e impedância funciona, mas a resposta em frequência vai mudar. O som original desses conjuntos é bastante médio e agudo Atenuado, com graves limitados pela caixa de ressonância de madeira. Isso é parte da característica, não um defeito. Se você quer som fiel, compre um phono preamp e conecte numa entrada moderna. Vai transformar completamente a experiência de escuta. Uma dica prática que economiza tempo: antes de remontar anything, tire fotos de cada etapa. Conexões de fios coloridos parecem iguais mas não são. Um fio terra mal conectado gera esse zumbido característico de 60 Hz que todo mundo confunde com problema de cablamento de áudio. Na realidade, é terra flutuante ou loop de terra entre o phono e o amplificador. Resolver isso exige identificar o ponto único de terra no circuito e levar todos os retornos pra lá. Em vitrolas antigas, o chassis metálico geralmente serve como terra. Verifique continuidade entre o chassis e o terminal negativo da fonte. Deve ser próxima de zero ohms. Não recomendo usar essas vitrolas pra tocar discos de vinil comum na velocidade de 33 ou 45 RPM sem adaptação. O prato foi dimensionado pra 78 RPM, com polias e relação de transmissão específicas. Reduzir a velocidade com um variador de frequência externo funciona, mas a precisão fica ruim. oscilação de velocidade (wow and flutter) aumenta porque o motor de indução desses modelos não tem controle de velocidade ativo. O resultado é som embargado, especialmente em gravações com frequências altas.
Se o objetivo é mesmo ouvir 78 RPMs originais, aí faz sentido restaurar o mecanismo como está. Se o objetivo é ouvir discos de vinil com aquela sonoridade quente, considere uma vitrola dos anos 60 ou 70 com motor CC e controle de velocidade, ou simplesmente um player moderno com pré-phono integrado. A diferença de preço entre restaurar uma anos 40 adequadamente e comprar algo funcional novo costuma favorecer a segunda opção, especialmente se você não tiver ferramentas e paciência pra isso. Peças de reposição disponíveis incluem correias padronizadas de 78mm x 3mm, agulhas de safira para 78, capacitores de partida de poliéster, e transformadores genéricos de 6V a 12V. Filtros de ruído e estáticos podem ser adicionados ao circuito de alimentação se o zumbido persistir. Não há manual técnico disponível publicamente para a maioria dos modelos. O schematic é sempre uma questão de seguir os fios e identificar componentes por marcação visual e medição.
Galeria
-
Detalhes da vitrola anos 40, que dá mais charme ao nosso espaço. -
Antiga Vitrola da marca RCA VICTOR dos 40, acoplada a -
Antiga vitrola de válvulas -
Vitrola Antiga Relíquia Funcionando | Móvel de Antiquário Philips Usado ...