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89 Desenhos Para Desenhar

89 Desenhos Para Desenhar

Por que 89 desenhos para desenhar virou uma compulsão no meu studio

Cara, eu vi essa lista aparecer de novo esse mês no Reddit. Sempre na mesma época, gente compartilhando print da planilha e reclamando que não consegue terminar. Eu fiz os 89 no ano passado, num período de quatro meses. Vou explicar o que aprendi sem enrolação. O conceito é simples: um arquivo (geralmente PDF ou planilha) com 89 prompts de desenho progressivos, do nível iniciante ao intermediário. A ideia por trás não é ruim. Você parte de formas geométricas básicas, vai evoluindo para estruturas anatómicas, iluminação, composição, e no final tem desenhos que exigem referência fotográfica e estudo de proporção. O problema não é a lista em si. É como as pessoas tentam fazer. A maioria das pessoas pega a lista e tenta completar um desenho por dia. Errado. Eu tentei assim nos primeiros quinze dias e abandonei porque cada exercício intermediário leva de 4 a 6 horas com referências, estudos de forma, e retrabalho. Um iniciante levaria ainda mais. A lista foi feita pra ser completada em dois a três meses, não em doze dias.

O que muita gente não entende é que os números da lista não são independentes. O desenho 34, que pede para desenhar uma mão com iluminação lateral, depende diretamente do que você aprendeu no 27 (estruturas cilíndricas aplicadas a articulações). Se você pula exercícios ou não domina o conceito anterior, o desenho posterior vira um exercício de frustração. Eu passei três semanas travado no 51, que é um estudo de perspectiva em três pontos com figura humana, simplesmente porque não tinha fixado bem a grade de pontos de fuga nos exercícios 40 a 45. A solução foi voltar, refazer os dois anteriores com mais calma, e só então voltar pro 51. Levei mais duas semanas. Isso é normal. O arquivo original roda uns 2,3 MB em PDF. A versão com anotações da comunidade, que inclui referências de artistas e links pra videoaulas, chega a 8 MB. A versão com soluções passo a passo, aquela que circula nos Discord de arte, tem uns 15 MB e já vem com grades de construção sobrepostas em cada página. Se você for baixar, evita as versões modificadas por aí — várias delas têm exercícios renumerados de forma inconsistente, o que quebra a progressão. Outra coisa que ninguém fala: a lista não ensina técnica de lápis ou marcação. Ela assume que você já sabe segurar uma caneta grafite e construir linhas. Se você não tem prática básica de traço, dedica uma semana só pra treinar linhas retas, curvas, e pressão antes de abrir o primeiro exercício. Economiza muito tempo depois.

Tem também o problema dos materiais. O exercício 62 pede sombreado em carvão sobre papel texturizado. Se você usar papel sulfite comum com grafite macio, o resultado não vai combinar com o esperado, e você vai achar que está fazendo errado quando o problema é o material. Eu descobri isso na marra, gastando três folhas antes de perceber. A regra prática: papel 120g mínimo para os primeiros quarenta exercícios, e papel texturizado a partir do 50. Grafite 2B a 6B para a maior parte. Carvão só a partir do 60, se o exercício especificar. Quando eu estava no exercício 77 — um estudo de figura em movimento com três poses dinâmicas em sequência — percebi que minha velocidade de execução estava ruim. Eu demorava cerca de 45 minutos por pose só pra traçar o esboço inicial. A lista não menciona limites de tempo, mas aqui vai uma recomendação prática: para esboços preliminares, máximo 15 minutos por folha. Se passar disso, você está entrando em detalhe prematuro e travando o fluxo. O que resolveu meu caso foi usar um timer no celular e parar o desenho assim que o tempo acabasse, mesmo incompleto. Isso obriga o cérebro a decidir o essencial e elimina a paralisia de tentar acertar tudo de primeira. Uma coisa contra-intuitiva que eu aprendi: os exercícios mais fáceis da lista, os primeiros dez, são os que mais ganham se você fazer com intenção de análise, não só de conclusão. Eu gastei vinte minutos no exercício 3, que é um cubo com sombra, e escrevi anotações sobre como a luz vinha de cima-esquerda e como as arestas do cubo criavam pontos de convergência natural. Esse hábito de anotar transformou meu entendimento geral de forma. Sem anotação, o exercício vira só um rascunho bonito que você esquece em duas semanas. Com anotação, ele vira referência futura.

580 Desenhos para Desenhar Fáceis | Malen
580 Desenhos para Desenhar Fáceis | Malen

Outro ponto que os tutoriais por aí não destacam: a lista não cobre correção. Você faz, guarda, e segue pra frente. O ideal é ter um sistema de revisão quinzenal. Todo domingo, pegue os dez desenhos mais recentes e os dez anteriores, e procure diferenças. O que melhorou? Onde você ainda repete o mesmo erro de proporção? Anotar isso em um caderno simples de meia folha por semana é suficiente. Eu fiz por quatro meses e consegui identificar que meu erro recorrente era alongar demais o membro superior em poses de três quartos. A partir daí, foquei nos exercícios 28 a 35, que tratam especificamente de membros, e o erro diminuiu em cerca de sessenta por cento nos desenhos seguintes. Se você quiser acessar a lista original, o link mais confiável que circula nas comunidades de arte é o repositório público do GitHub que hospeda o PDF sem modificações. O arquivo se chama 89-drawing-challenge.pdf e está na pasta assets. Tem também uma versão em espanhol e uma tradução francesa, mas a numeração e a progressão são idênticas. Se encontrar versões pagas, desconfie. O material é gratuito e circular por aí com preço é sinal de revenda não autorizada. Resumindo o que funciona na prática: avance devagar, respeite a progressão, use timer nos esboços, anote problemas recorrentes, e não tente concluir um exercício inteiro de uma vez se ele exigir mais de duas horas. A lista é um mapa, não um cronograma. Quem trata como cronograma desiste. Quem trata como mapa chega no final.