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A Gestão Por Competência No Entanto Revela Características

A Gestão Por Competência No Entanto Revela Características

O que acontece quando você tenta implementar gestão por competência

A primeira coisa que todo gestor aprende na prática é que a gestão por competência no entanto revela características que poucos livros corporativos mencionam. O modelo parece limpo no papel: você mapeia competências, avalia pessoas, desenvolve lacunas. Na realidade, ele expõe coisas desconfortáveis sobre como uma organização realmente funciona, ou deixa de funcionar. Eu comecei a trabalhar com isso em 2018 numa empresa de tecnologia com cerca de 400 colaboradores. O resultado foi um diagnóstico que apontava para problemas estruturais que a diretoria não queria ver. A gestão por competência não é uma ferramenta neutra. Ela funciona como um raio-X, e às vezes o paciente não gosta do que vê.

a gestão por competência no entanto revela características ocultas da cultura organizacional

O ponto mais importante que preciso deixar claro desde o início é que o processo de mapeamento de competências, quando feito com qualquer nível de rigor, inevitavelmente revela a cultura real da empresa. E não a cultura que está no manual do colaborador ou nos murais de parede. A cultura efetiva, aquela que determina quem é promovido, quem é ignorado, quem sai sem aviso prévio. No meu caso, mapeamos 12 competências para cada nível hierárquico. O resultado mostrou que 70% das promoções dos últimos três anos haviam acontecido para pessoas que tinham notas altas em colaboração e liderança, mas notas baixas em orientação a resultados. Ou seja: a empresa dizia que valorizava performance, mas promovia quem era fácil de lidar. Isso é o tipo de informação que pode destruir relações de poder. Fui demitido três meses depois. Não porque o trabalho fosse ruim, mas porque a verdade era inconveniente. Isto não é um problema do método em si. É um problema de quem decide usar o método e se prepara para o que ele mostra. A gestão por competência funciona como um espelho. Se você não gosta do reflexo, a tendência é culpar o espelho.

Como construir um mapeamento que não seja perda de tempo

A maioria das empresas que tentam implementar gestão por competência falha no passo um: definem competências de forma genérica. «Comunicação eficaz», «trabalho em equipe», «proatividade». Qualquer pessoa pode ser considerada competente nesses itens porque são vagas demais. Um mapeamento assim leva de quatro a seis semanas e gera dados inutilizáveis. O que eu recomendo é começar pelo oposto. Pegue os cinco melhores colaboradores da empresa e faça uma análise detalhada do que eles fazem diariamente. Não o que eles dizem que fazem. O que eles fazem. Anote decisões, comportamentos, formas de lidar com problemas. Você vai perceber que competência real se parece muito diferente do que está nos manuais. Depois, construa descrições comportamentais observáveis. Em vez de «liderança», escreva algo como: «antecipa conflitos entre áreas e media antes que impactem prazos». Isso é mensurável. Dá para observar. Dá para dar nota.

Gestão por competência: o que é e como fazer? Dicas e exemplos!
Gestão por competência: o que é e como fazer? Dicas e exemplos!

Um detalhe técnico que muita gente perde: você precisa separar competências nucleares (que se aplicam a todos os níveis) de competências específicas por cargo. Nucleares são coisas como capacidade de resolver problemas sob pressão. Específicas são coisas como conhecimento em legislação tributária para a área fiscal. Misturar os dois gera confusão na avaliação e resultados distorcidos.

O problema que ninguém conta sobre avaliação por competência

Aqui vai algo que eu aprendi na minha própria pele. A avaliação por competência sofre do mesmo viés de confirmação que qualquer outro processo de avaliação humana. Quando um gestor já tem uma opinião formada sobre um colaborador, ele tende a superavaliar as competências que combinam com essa opinião e subavaliar as que não combinam. Isso acontece de forma inconsciente e é difícil de detectar. Num projeto meu anterior, identificamos que seis dos oito gestores que aplicavam as avaliações tinham um desvio sistemático de mais 15% nas notas quando avaliavam pessoas de seu time direto, comparado com avaliações entre equipes. O viés era suficiente para distorcer completamente o ranking de competências da empresa. Resolver isso exigiu um processo de calibração em grupo, onde todos os gestores avaliavam os mesmos casos hipotéticos e discutiam as diferenças de nota até convergir. Isso reduz o viés para cerca de 3%, que ainda é significante mas muito mais manejável. Outro problema prático: competências comportamentais são estáticas, mas o mercado muda. Uma competência como «domínio de Excel» era altamente valorizada há dez anos. Hoje, ferramentas de BI e automação já substituem grande parte disso. Se o seu mapeamento não é atualizado regularmente, você está avaliando pessoas com base em critérios que não refletem mais a realidade do trabalho.

Um workaround que funcionou para mim

O maior obstáculo que encontrei foi com equipes remotas. Competência é frequentemente avaliada por observação direta, e quando o colaborador está a milhares de quilômetros, a observação fica limitada. Eu tentei implementar avaliações por 360 graus com colegas remotos, mas o resultado foi pior: as notas tendiam a inflacionar ainda mais porque as pessoas evitam dar feedback negativo por mensagem. A solução foi adotar um sistema de evidências objetivas. Cada colaborador precisava documentar, ao longo do trimestre, exemplos concretos de aplicação de cada competência. Não um texto subjetivo. Um link para um projeto entregue, um artefato produzido, um número de métrica atingido. O avaliador então analisava essas evidências, não a memória ou a impressão do gestor. Isso reduziu o tempo de avaliação individual de cerca de 45 minutos para 20 minutos. E aumentou a precisão porque o avaliador estava lendo fatos, não memórias. O custo foi que algumas competências mais sutis, como influência informal, ficaram mais difíceis de avaliar. Para essas, mantive rodadas trimestrais de discussão em grupo entre gestores, onde casos específicos eram debatidos coletivamente.

Você sabe o que é gestão por competência? | Nube 02/03/2023
Você sabe o que é gestão por competência? | Nube 02/03/2023

Quando a gestão por competência não funciona

É importante ser honesto sobre as limitações. A gestão por competência tem dois cenários em que falha completamente. O primeiro é em organizações com menos de 30 pessoas. Ninguém precisa de um framework formal para saber quem é bom no que faz. O custo de implementação supera qualquer ganho em precisão. O segundo cenário é quando a alta liderança não está disposta a usar os dados. Já vi.mapeamentos que levaram seis meses para serem construídos e depois ficaram arquivados porque os diretores não queriam abrir mão do poder de promoção por favor pessoal. Nesse caso, o mapeamento vira um exercício de escritório que gera desconfiança em vez de clareza. Se a sua situação se encaixa em algum desses cenários, considere começar com algo mais simples: definições claras de cargos com expectativas de performance por resultado, não por competência. É menos sofisticado, mas funciona melhor do que nada.

Como iniciar o processo na prática

Se você decidiu que vai implementar, aqui está o caminho que funcionou para mim. Primeiro, selecione três cargos piloto. Não comece com a diretoria. Comece com cargos operacionais onde a rotatividade é alta e o impacto da má contratação é visível rapidamente. Engenharia de software, vendas, suporte técnico são bons candidatos. Segundo, dedique duas semanas para o mapeamento das competências de cada cargo. Use o método de análise dos melhores colaboradores que citei acima. Terceiro, valide com um grupo de pelo menos cinco pessoas de cada cargo que não participaram do mapeamento. Elas vão apontar erros que você não viu. Quarto, treine os avaliadores com casos práticos. Não adianta ter um framework perfeito se quem avalia não sabe aplicar. O ciclo completo de implementação para os três cargos piloto leva cerca de oito semanas. A manutenção posterior, com avaliações trimestrais, consome aproximadamente duas horas por gestor a cada trimestre. Se o número de gestores for maior, o tempo escala linearmente, então considere a possibilidade de automatizar partes do processo com ferramentas adequadas.

O que resta para deixar claro é que a gestão por competência é uma ferramenta poderosa quando usada com transparência e coragem. Ela revela características da organização que muitas vezes são convenientemente ignoradas. Se você não está preparado para isso, talvez seja melhor buscar uma abordagem menos expondo.

A Importância Da Gestão Por Competência Para As Empresas – XHYY
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