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A Joaninha É Produtor Consumidor Ou Decompositor

A Joaninha É Produtor Consumidor Ou Decompositor

A Joaninha na Cadeia Alimentar: Onde Ela Se Encaixa de Verdade

Joaninhas são consumidoras. Não há muito debate sobre isso, mas o que a maioria das pessoas não entende é por que elas são tão eficientes nesse papel e como isso se conecta com tudo o resto no ecossistema. A resposta direta é consumidora. Mais especificamente, uma consumidora secundária ou terciária, dependendo de como você organiza a cadeia alimentar. Ela é um herbívoro que se alimenta principalmente de áfidos, cochonilhas e outros insetos pequenos de corpo mole. Isso a coloca no segundo ou terceiro nível trófico, nunca no primeiro — que seria dos produtores, ou seja, as plantas — e nunca no nível dos decompositores, que seriam os fungos e bactérias que decompõem matéria orgânica morta. Aqui está algo que poucos explicam direito: as joaninhas, na fase larval, comem até mais do que os adultos. Uma larva de coccinellídeo pode consumir centenas de áfidos antes de formar o casulo. Eu trabalhei com controle biológico em estufas de tomate e essa diferença de voracidade entre larva e adulto causava confusão porque as pessoas esperavam ver o inseto adulto resolvendo o problema. A realidade é que a maior parte do dano aos pragas é feita pela larva, que é menos visível e mais ativa.

Outro ponto que passa despercebido é a especificidade alimentar de certas espécies. A joaninha comum que todo mundo conhece, Harmonia axyridis, é generalista e come uma variedade enorme de presas, incluindo até ovos de outras joaninhas. Já espécies como Coleomegilla maculata são muito mais especializadas em cochonilhas. Quando você vai usar joaninhas no controle biológico, escolher a espécie errada pode significar gastar dinheiro e não resolver o problema. Eu já vi isso acontecer em uma propriedades de morango onde introduziram a espécie errada e as cochonilhas continuaram intactas porque aquela joaninha simplesmente não as reconhecia como presa. Existe ainda uma nuance interessante: algumas joaninhas, como as do gênero Epilachna, são fitófagas e comem folhas. Essas sim se aproximam de um consumo primário, mas mesmo assim são consumidoras, nunca produtoras. A confusão ocorre porque o nome popular "joaninha" é aplicado a insetos de famílias diferentes que têm hábitos alimentares distintos. No Brasil, quando alguém chama uma lagarta verde de "joaninha-da-terra", está se referindo na verdade a um besouro da família Coccinellidae, que é o verdadeiro inseto predador. Se você está tentando usar joaninhas para controle biológico, saiba que soltar Adultos sem condições de abrigo e fontes de pólen alternativas pode fazer com que elas simplesmente voem para outro lugar. As joaninhas não são fiéis a um único local. Elas precisam de recursos complementares, como plantas com flores pequenas que forneçam néctar, senão a taxa de estabelecimento cai drasticamente. Um estudo que eu acompanhei mostrou que com a presença de coroa-de-cristo (Euphorbia splendens) e erva-doce perto da área tratada, a permanência das joaninhas aumentava cerca de 40% em comparação com áreas abertas sem vegetação alternativa.

A classificação trófica delas é importante para modelagem de ecossistemas também. Se você está construindo um modelo de rede trófica ou calculando a eficiência de transferência de energia entre níveis, ter a joaninha no lugar certo — consumidoras secundárias ou terciárias, nunca decompositoras — faz diferença nos números. Colocá-las como decompositoras, por exemplo, distorceria completamente a estimativa de biomassa disponível para níveis tróficos superiores. Não existe nenhuma joaninha que seja produtora no sentido ecológico do termo. Elas não fazem fotossíntese. Não têm cloroplastos. Não estabelecem simbiose com algas fotossintetizantes como alguns insetos fazem. O que elas fazem é caçar, detectar presas por meio de sinais químicos e físicos, e converter a biomassa dos áfides em própria biomassa, que por sua vez serve de alimento para pássaros, aranhas e outros predadores maiores.

Cadeia alimentar: produtores, consumidores e decompositores – Conexão ...
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