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Cartilha Do Abc Antiga

Cartilha Do Abc Antiga

Cartilha do ABC antiga: o que é, como funciona e onde encontrar

A cartilha do ABC antiga é o material didático de alfabetização que dominou as salas de aula brasileiras desde os anos 1950 até o final dos anos 1990. A mais conhecida é a Cartilha de Alfabetização de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky não, aquelas são posteriores. Falo da Cartilha da Editora Globo, da Cartilha Santillana, da Cartilha de Ziraldo e, principalmente, da Cartilha do ABC da Editora Ática, escrita por Helena Covante. Essas cartilhas estruturavam o ensino da leitura e escrita por meio de sílabas simples, compostas e difíceis, com exercícios de preenchimento, cópia e interpretação de textos curtos. Muitos pais e educadores buscam essas cartilhas hoje por uma razão simples: os materiais atuais de alfabetização frequentemente pulam etapas fundamentais. A cartilha do abc antiga trabalha a consciência fonológica de forma sistemática. Ela começa com sílabas CV (consoante-vogal), passa para sílabas complexas, depois sílabas com grafias múltiplas como "lh", "nh", "rr", "ss", e só então avança para palavras e pequenos textos. Esse progresso é gradual e intencional. Alunos que têm dificuldade com letras como "r" e "s" em posições diferentes se beneficiam desse formato. Eu trabalhei com alfabetização em escola pública no interior de Minas durante cerca de oito anos. Me deparei com crianças que sabiam decoradamente o alfabeto, mas não conseguiam decompor a palavra "casa" em sílabas fonêmicas. O método fônico tradicional das cartilhas antigas resolveu isso em poucas semanas. A questão é que muitos professores formados depois de 2000 não tiveram contato com esse método. Eles aprenderam com abordagem construtivista pura, que subestima a fase de decodificação mecânica. O resultado são alunos que leem por antecipação, não por decodificação.

Para quem quer usar esse material hoje, o primeiro passo é entender como ele se organiza. Cada unidade começa com uma história curta ou uma música. Depois vêm as sílabas-alvo daquela lição, com exercícios de identificação, cópia e formação de palavras. Os quadros de sílabas ajudam o aluno a praticar a correspondência grafema-fonema de forma repetitiva, o que é essencial para a automação da leitura. O problema prático é que encontrar a cartilha impressa original é quase impossível. As editoras não reimprimem essas edições antigas porque o mercado mudou. Mas existem digitalizações disponíveis em repositórios educacionais e sites de documentação pedagógica. A Fundação Carlos Chagas tem um acervo digital considerável. Alguns sites especializados em educação também oferecem PDFs, embora a qualidade da imagem varie muito. Se você for imprimir, recomendo usar papel A4 comum e ajustar a escala para 100% para não distorcer os exercícios. Outra limitação importante dessas cartilhas é o conteúdo cultural. Algumas histórias e ilustrações refletem valores sociais de décadas passadas que podem parecer deslocados hoje. Não é algo que impeça o uso, mas é bom estar ciente. O foco deve permanecer na mecânica de alfabetização, que é atemporal. Quem já usou cartilha do abc antiga com alunos em situação de defasagem idade-aprendizagem sabe que os resultados costumam ser rápidos quando o estudante está motivado e a prática é consistente.