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Climas Do Brasil Segundo Arthur Strahler

Climas Do Brasil Segundo Arthur Strahler

Como usar a classificação de Strahler para os climas do Brasil

Você já tentou mapear os climas brasileiros com base no material do Strahler e percebeu que a coisa não é tão linear quanto parece? Eu passei horas tentando encaixar dados de estações automáticas em uma planilha e descobrindo que os limites das zonas climáticas não batiam com a realidade de campo. O problema é que Strahler se baseia em valores de temperatura e precipitação de média mensal, e o Brasil tem irregularidades que complicam a classificação simples. O sistema dele divide os climas em cinco grandes grupos, mas no contexto brasileiro a coisa se resume basicamente a quatro. O grupo A cobre os climas equatoriais e tropicais úmidos, que dominam a maior parte da Amazônia e trechos do litoral. O B entra nos semiáridos do interior nordestino, onde a evaporação supera a chuva pela maior parte do ano. O C agrupa os climas temperados, que no Brasil aparecem mais como versões de altitude e transicionais no Sudeste. O E, subpolar, simplesmente não existe no território brasileiro. O subtropical do sul fica embutido como uma variação dentro do C ou como zona de transição, dependendo de qual livro do Strahler você consultar.

climas do brasil segundo arthur strahler na prática

Para classificar corretamente, você precisa de dados mínimos de temperatura e precipitação mensais ao longo de um ano inteiro. O Strahler usa dois critérios principais: se há um período seco definido pela relação entre precipitação e evapotranspiração, e a temperatura média do mês mais frio. Se o mês mais frio fica acima de 18 graus Celsius, estamos no grupo A. Se cai abaixo disso, migra para o C. O B exige um cálculo adicional de balanço hídrico que separa os semiáridos dos úmidos. O equívoco mais comum é olhar só a temperatura e achar que todo o Nordeste é semiárido. Não é. O litoral nordestino tem chuva suficiente no inverno para se encaixar no tropical úmido, enquanto o planalto sertanejo cai no semiárido. Eu passei uma manhã inteira com dados do INPE e do INMET colidindo porque uma estação ficava na encosta e outra no vale, e ambas estavam na mesma município. A solução foi cruzar com dados de radar de precipitação e ajustar a elevação de cada ponto antes de aplicar os cortes de temperatura. Sem isso, dois postos a quarenta quilômetros um do outro davam classes diferentes para o que parecia o mesmo clima. Outro detalhe que os livros costumam omitir é que o Strahler original foi feito para uma leitura global, e as isotermas e isóletas dele não foram calibradas especificamente para a dinâmica brasileira. O regime de chuvas de verão no Sudeste, por exemplo, cria uma curva que pode fazer uma estação cair na borda entre A e C dependendo do mês de referência que você escolher como base. Se você usar média anual, talvez classifique como tropical. Se usar apenas os meses secos, o mesmo lugar pode parecer temperado. O recomendável é verificar ambos os critérios e anotar a ambiguidade, em vez de forçar uma decisão.

Para quem quer os dados brutos, os mapas originais estão disponíveis em publicações do IBGE que adotaram a classificação, e também em artigos do CPTEC-INPE que cruzaram as séries históricas com os limiares do Strahler. O trabalho do Marcelo Siqueira e equipe, disponível no site do INPE, mapeia as zonas com os cortes de temperatura e precipitação aplicados a estações entre 1961 e 1990, o que ainda é uma referência útil. Para versões mais recentes, há análises usando dados de 1983 a 2010 que atualizam ligeiramente os limites, especialmente na faixa sul onde o aquecimento tem deslocado algumas isoietas. Se o seu objetivo é montar um mapa próprio, o caminho mais direto é baixar as séries temporais do INMET ou do ANA, calcular a média mensal de temperatura e precipitação por estação, aplicar os cortes de 18 graus para separar A de C, testar o balanço hídrico para identificar B, e depois vetorizar os polígonos no QGIS usando interpolação krigada. Leva uns trinta minutos num notebook razoável se você já tiver os dados limpos, mas a limpeza dos registros mensais costuma consumir metade do tempo porque muitas estações têm falhas intermitentes no verão. O risco de confiar cegamente nessa classificação para o Brasil é que ela não captura a influência oceânica local nem os microclimas de altitude com a resolução que você precisaria para planejamento agrícola ou estudos de biodiversidade. Para isso, o melhor é complementar com a classificação de Köppen propriamente dita ou com dados de satélite, porque os limites do Strahler ficam grosseiros em regiões de transição rápida, como o cerrado e a caatinga.

Climas do Brasil e Arthur Strahler | PDF | Capitalismo | Mercantilismo
Climas do Brasil e Arthur Strahler | PDF | Capitalismo | Mercantilismo

Resumindo: os climas do Brasil segundo Strahler ficam distribuídos principalmente entre os grupos A e B, com uma faixa C menor no sul e serra do Espinhaço, e a aplicação prática exige cuidado com dados de altitude, períodos de seca mal definidos e limites que oscilam conforme a fonte de dados que você emprega.