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Como Saber Se Estou Com Hipotireoidismo

Como Saber Se Estou Com Hipotireoidismo

O que acontece quando a tireoide não está funcionando direito

A tireoide é uma glândula que controla o metabolismo. Quando ela não produz hormônios suficientes, o corpo inteiro desacelera. Fica tudo mais devagar. Cansaço, ganho de peso, prisão de ventre, pele seca, queda de cabelo, sensibilidade ao frio, memória fraca. Mas esses sintomas também aparecem em outras coisas. Estresse. Anemia. Síndrome do ovário policístico. Depressão. Por isso, o jeito certo de saber se você tem hipotireoidismo é fazer um exame de sangue, especificamente a dosagem de TSH, pois é assim que como saber se estou com hipotireoidismo funciona na prática médica. O teste de TSH (hormônio estimulante da tireoide) mede a quantidade de TSH no seu sangue. O pituitário solta esse hormônio quando a tireoide não está respondendo bem. Se o TSH está alto, geralmente significa que a tireoide está preguiçosa. Isso é hipotireoidismo primário, que é o tipo mais comum. A maioria dos casos acontece por causa da tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune em que o próprio corpo ataca a tireoide. No Brasil, essa é a principal causa. Também existe o hipotireoidismo secundário, quando o problema está na hipófise, mas é muito mais raro.

Como saber se estou com hipotireoidismo com base nos exames

Quando eu comecei a trabalhar com endocrinologia clínica, um paciente veio reclamar de cansaço crônico e ganho de três quilos sem motivo. Ele já tinha feito exame de sangue seis meses antes e estava tudo normal. Perguntei a data do último ciclo menstrual dele, a hora que ele havia tomado a medicação para a tireoide (ele já era tratado e tava com dose errada), e se ele tinha parado de comer algo recentemente. O TSH dele estava 12. O normal varia de laboratório pra laboratório, mas geralmente fica entre 0,4 e 4,0 mUI/L. Esse nível é claramente acima do que se considera normal. Os valores de referência podem mudar dependendo do laboratório. Alguns aceitam até 5,0 mUI/L. Outros vão até 3,0 mUI/L. Idosos às vezes têm TSH levemente elevado sem ter doença real. Mulheres grávidas precisam de valores diferentes, porque a gravidez muda tudo na tireoide. Se você está grávida e o TSH está acima de 2,5 ou 3,0, dependendo do trimestre, o médico provavelmente vai investigar mais. O exame completo costuma incluir TSH, T4 livre, T3 livre e anticorpos antitireoidianos. Os anticorpos confirmam se é Hashimoto. Anti-TPO e anti-tireoglobulina são os principais. Se eles estão altos, a chance de ser autoimmune é grande. Isso é importante porque o tratamento pode ser diferente quando a causa é autoimune.

Tem um detalhe que muita gente não sabe. O TSH varia durante o dia. Ele é mais alto de madrugada e cai durante o dia. O ideal é fazer o exame de manhã, em jejum, sem ter tomado a reposição de hormônio no dia anterior. Se você toma tireoxina sintética, deve pular a dose até depois do exame. Isso evita resultado falso. Em casos complicados, eu peço o exame duas vezes com dias diferentes só para ter certeza. Às vezes o TSH sobe e desce sozinho.

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Sintomas que levantam suspeita antes do exame

Existem sinais que chamam mais atenção do que outros. O mais clássico é a intolerância ao frio. Você sente frio onde as outras pessoas não sentem. Depois vem o ganho de peso, que geralmente é leve, entre dois e cinco quilos. Não é obesidade. É retenção de líquidos e alterações metabólicas. A pele fica seca e grossa. Os cabelos caem com facilidade. As unhas ficam quebradiças. A voz embola um pouco. O rosto incha, principalmente em volta dos olhos. O coração também sofre. A frequência cardíaca tende a diminuir. A pressão arterial pode subir um pouco. O colesterol aumenta, especialmente o LDL. Por isso, médicos às vezes descobrem hipotireoidismo quando veem colesterol alto em exames de rotina. Colesterol alto sem motivo aparente merece investigação tireoidiana. Tem outro sintoma que passa despercebido. A constipação intestinal. O intestino fica lento porque o metabolismo geral é mais devagar. Pessoas com prisão de ventre crônica muitas vezes não sabem que a causa pode estar na tireoide. Também tem a parte mental. A memória fica ruim. A concentração diminui. A pessoa se sente confusa, como se estivesse com neblina mental. Isso pode ser confundido com depressão ou burnout. Depressão e hipotireoidismo compartilham sintomas parecidos. Às vezes o paciente toma antidepressivo e não melhora porque o problema real é a tireoide.

Em casos mais graves, aparece o Mixedema. O rosto fica muito inchado, a língua cresce, as cordas vocais engrossam. A respiração pode ficar comprometida. Isso é emergencial, mas é raro nos países desenvolvidos porque o diagnóstico precoce resolve antes de chegar nesse ponto.

O diagnóstico correto exige cuidado

Um erro comum é confiar apenas no TSH isolado. Às vezes o TSH está normal, mas o T4 livre está baixo. Isso pode indicar hipotireoidismo central, quando a hipófise não manda sinal suficiente. Nesses casos, o TSH não sobe tanto quanto deveria. O médico precisa analisar tudo junto. TSH, T4 livre, T3 livre, e o contexto clínico do paciente. Outra pegadinha são os medicamentos. Biotina, usada em suplementos para cabelo e unhas, interfere nos testes de tireoide. Ela pode dar resultado falsamente baixo ou alto, dependendo do método do laboratório. Se você toma biotina, precisa parar pelo menos quatro dias antes do exame. Esse é um detalhe que muita gente desconhece e que eu já vi causar confusão diagnóstica várias vezes. Medicamentos como amiodarona, litio, interferon e certos quimioterápicos também afetam a tireoide. Pessoas que usam esses remédios precisam de acompanhamento tireoidiano periódico. O mesmo vale para quem teve câncer de tireoide e fez cirurgia ou radioterapia.

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Também tem a questão dos valores de referência. Alguns laboratórios usam limites ultrapassados. Um TSH de 4,8 pode ser considerado normal em alguns lugares, mas em outros já é alto. A Endocrine Society recomenda manter o TSH abaixo de 2,5 para mulheres que querem engravidar. Então o contexto importa. O mesmo valor pode significar coisas diferentes em pessoas diferentes.

Tratamento e acompanhamento

Se o diagnóstico for confirmado, o tratamento é simples. Tome a tireoxina sintética todo dia, preferencialmente pela manhã, em jejum, trinta minutos antes do café. A dose é calculada baseada no peso e nos níveis de TSH. Geralmente começa com 1,6 microgramas por quilo de peso corporal por dia. Depois ajusta conforme o resultado do exame de sangue. O acompanhamento deve ser feito a cada seis a oito semanas até estabilizar. Depois que a dose certa é encontrada, o exame de TSH é feito a cada seis a doze meses. Se você sente sintomas novamente, não espera o exame de rotina. Volta antes. Às vezes a dose precisa ser ajustada com o tempo. Idosos precisam de doses menores. Mulheres grávidas precisam de doses maiores, especialmente no primeiro trimestre. Um ponto importante é a adesão. Muitos pacientes esquecem de tomar o remédio. Outros tomam junto com café ou leite, o que diminui a absorção. O ideal é tomar com água pura, em jejum real, e esperar pelo menos trinta minutos para comer qualquer coisa. Se esquecer a dose, tome assim que lembrar, mas se for perto da próxima dose, pule a que foi esquecida. Nunca tome duas de uma vez para compensar.

Tem gente que acha que pode parar o remédio quando se sente melhor. Isso não funciona. O hipotireoidismo geralmente é permanente. A tireoide não volta a funcionar sozinha. O tratamento é para a vida toda, mas a qualidade de vida volta ao normal quando a dose está certa. A pessoa para de sentir aquela lentidão constante. O peso estabiliza. A mente clareia. O colesterol melhora.

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Quando procurar um médico

Se você tem vários dos sintomas descritos e já faz exames de sangue rotineiros, peça ao médico para incluir TSH e T4 livre na solicitação. Leve seus sintomas anotados. Anote quando começaram, se pioraram com o tempo, se tem histórico familiar de doença tireoidiana. Doenças autoimunes costumam correr na família. Se sua mãe, irmã ou avó teve problemas na tireoide, o risco é maior. Não self-medique. Não compre iodo ou suplementos por conta própria. O excesso de iodo pode piorar o hipotireoidismo autoimune. O diagnóstico correto e o acompanhamento com endocrinologista são o caminho. Com o tratamento adequado, a maioria das pessoas vive normalmente, sem restrições significativas.