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Criança É Masculino Ou Feminino

Criança É Masculino Ou Feminino

O gênero gramatical de criança

A palavra criança é feminino em português. Isso significa que leva artigo feminino e concordância no feminino: a criança, minha criança, as crianças. A confusão existe porque o significado do substantivo é neutro em termos de sexo — pode se referir a um menino, uma menina ou um grupo misto. O gênero gramatical não corresponde ao gênero biológico do ser referenciado. É uma regra morfológica, não semântica. Se você está aprendendo português e já ouviu alguém dizer "o menino" ou "a menina", naturalmente espera que "criança" siga uma lógica. Mas não segue. O substantivo pertence à classe das palavras femininas terminadas em -a, mas com um detalhe importante: o significado não determina o gênero, o gênero é fixo no léxico. A criança chegou tarde. As crianças brincavam no quintal. Mesmo quando falo de dez meninos, continuo usando a forma feminina do substantivo: as crianças. O sexo biológico aparece apenas nos adjetivos ou nos substantivos específicos (menino, menina), nunca no gênero de criança. Um erro que vejo com frequência em materiais didáticos é a apresentação desse caso como uma exceção, como se fosse irregular. Não é. Há dezenas de substantivos em português cujo gênero não reflete o sexo do referente: pessoa, gente, vítima, autor, cônjuge. Criança se encaixa nesse grupo de modo perfeitamente regular dentro da sua classe morfológica. O problema é que o aprendizado inicial foca demais em pares como menino-menina e o aprendiz projeta esse padrão para palavras que não têm par neutro.

Encontrei um caso específico que ilustra bem isso. Um aluno brasileiro que ensinava português para falantes de espanhol estava corrigindo redações e percebeu que o erro mais recorrente era "el niño" sendo traduzido literalmente como "o criança" em alguns textos. Mas o contrário também acontecia: alunos hispanófonos usavam "la criaza", tentando ajustar a palavra ao gênero feminino espanhol, quando a forma correta em português é simplesmente criança, feminino, com a grafia intacta. A solução prática que usei foi parar de tratar isso como uma questão de gênero isolada e mostrar o paradigma completo: a criança, do criança, para a criança. Trabalhar com o artigo definido junto com o substantivo desde o início evita que o aluno tente reconstruir o gênero com base no significado. Outro ponto que poucos mencionam: na variação do português brasileiro, especialmente em registros informais, é comum ouvir "criança" funcionando como um termo genérico para adultos também. "Essa criança não para nunca." Nesse uso, o gênero permanece feminino, mas a referência perde completamente a noção de idade. É um emprego figurado, e a concordância continua sendo no feminino. Nada muda gramaticalmente, mas o significado se expande. Isso pode confundir quem estuda a língua de forma muito normativa. A concordância adverbial e pronominal também merece atenção. Pronomes de tratamento como "ele" ou "ela" para se referir a uma criança obedecem ao sexo biológico, não ao gênero gramatical. A criança trouxe o caderno dela. Aqui, "dela" refere-se ao sexo da criança, não ao gênero de "criança". Já adjetivos que se ligam diretamente ao substantivo concordam no feminino: a criança calma, as crianças preocupadas. Separe mentalmente duas camadas: o gênero do substantivo (sempre feminino) e o sexo do referente (masculino ou feminino). Misturar as duas coisas é a origem da maioria dos erros.

Se você precisa consultar uma fonte confiável, o Aurélio, o Houaiss e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da ABL registram criança como substantivo feminino. A Gramática Normativa do Celso Pedro Luft também trata o caso como regulamente feminino, sem listar como exceção. Não há controvérsia entre gramáticos estabelecidos sobre isso. O que existe é dificuldade de internalização por parte do aprendente, não ambiguidade na norma. Na prática, o caminho mais eficiente para fixar é a exposição repetida com o artigo junto. Ler textos reais, ouvir notícias, assistir a conteúdo em português natural gera uma frequência suficiente para que "a criança" vire automático. Tentar decorar regras isoladas funciona pouco. O cérebro humano aprende padrão por recorrência, não por definição. Use esse princípio a seu favor.

Mundinho da Criança - Alfabetização: Atividades Masculino e Feminino
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